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Entrevista

Primeira presidente mulher da CO do InterUSP

Conheça Fernanda Ferrari e as expectativas da primeira presidente mulher do InterUSP

Depois de 33 edições de jogos universitário do InterUSP, Fernanda Ferrari assume a organização do campeonato. A Revista BEAT foi bater um papo com ela para entender mais sobre o inter e a importância de uma mulher assumir pela primeira a posição.

Nova presidente do InterUSP

Revista BEAT: Como é feita a eleição para presidente da CO do InterUSP?

Fernanda Ferrari: As atléticas que têm interesse em assumir lançam seus candidatos. Na reunião de abertura acontece uma votação. As atléticas envolvidas não participam) e o resultado é decidido por maioria simples.

RB: Você é a primeira mulher eleita para esse cargo. O que isso significa para a organização do InterUSP? E para você?

Fernanda: Eu acredito que seja muito importante pra organização em geral. Desde o início do meu envolvimento com a InterUSP, em 2015, sempre testemunhei mulheres fortes em todas as atléticas. Elas faziam a diferença nas decisões em todos os âmbitos e nos bastidores, agindo junto com os secretários das edições.

Ter uma mulher no cargo mais alto da competição é algo que seria natural com o aumento da nossa participação no esporte universitário. Mas demorou 33 edições pra acontecer. Então, acho que é um degrau a mais que a interUSP subiu. Espero que, a partir de agora, tenha uma frequência muito maior de secretárias pela frente.

Para mim, é muito mais que uma realização pessoal. Sou completamente apaixonada pelo esporte universitário e tudo que ele me proporciona. Ser responsável por tirar do papel uma competição com o tamanho e a seriedade esportiva da InterUSP é, além de uma grande responsabilidade, muito prazeroso e gratificante. Juntamente com representar o poder e a maior participação feminina dentro desse ambiente. Mesmo com os absurdos que vemos por aí, passou a ser uma honra.

RB: Quantas outras mulheres há na diretoria da CO do ano que vem?

Fernanda: A liga da interUSP se organiza de um jeito um pouco diferente do que as de outras competições. Todas as atléticas têm, teoricamente, o mesmo nível de envolvimento com o campeonato pois não são divididos inicialmente cargos na CO. Mas há um grande número de mulheres na organização interna de cada atlética.

Opressão nos jogos do InterUSP

 

RB: O InterUSP ainda engatinha nas pautas referentes à opressão durante os jogos, apesar da evolução nos últimos anos. Você tem novas propostas em mente para 2018?

Fernanda: O maior problema da causa anti opressão hoje na interUSP é a falta de continuidade entre uma C.O. e a outra. O trabalho da CAO para a próxima edição já começou e contará com um maior planejamento.

Estamos tentando reunir os pontos a melhorar relacionados à esse ano. A expansão da competição está ligada diretamente a capacidade de abranger todas as pessoas. Independente de gênero, sexualidade, crença, cor e raça.  

Apesar do teor esportivo da competição, a dignidade humana e o respeito ao próximo são prioridades. Eu como mulher, num ambiente majoritariamente masculino, sei da total importância da CAO e tudo o que ela representa ao ambiente esportivo.

RB: Em conversa outro dia, você disse que a CO do InterUSP ainda é conservadora em vários sentidos, até mesmo no que se diz respeito a organização do esportivo. Há alguma mudança interessante que você tem como proposta para melhorias pontuais ou a longo prazo?

Fernanda: Ao mesmo tempo em que há um conservadorismo na liga com relação a mudanças, foi ele que conseguiu estruturar as bases fortes que temos hoje para sustentar um dos inters com maior nível e seriedade quando o assunto é o esportivo.

Como sempre, há mudanças que vem para complementar outras áreas da competição que às vezes são barradas de cara pelo comportamento ser mais fechado, e ter um real zelo pelos moldes que a InterUSP assumiu desde o início.

Mas acredito que, ao longo dos últimos anos, atléticas que não tinham antes tanta voz e preocupação com as decisões tomadas estejam crescendo. Acredito que hoje a maior mudança seja uma melhor estruturação da parte social, sem que isso seja algo prejudicial ao esportivo.

 

Crédito foto de capa: Denys Flores/Acervo Pessoal

 

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