Conheça a trajetória da atleta de futsal da PUC que brilhou no esporte e agora se despede (definitivamente?) da vida de atleta universitária.

 

Por Patrícia Beloni

Com apenas 23 anos, a atleta de futsal da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Giovanna Pedrosa Arriente, conhecida como Gipe no meio universitário, já tem muuuuuita história para contar.

Trigêmea, ela e os dois irmãos começaram a jogar bola desde criança, todos juntos.  Apaixonados por bola, a mãe colocou os filhos na escolinha de futebol ainda novinhos.

“Ela viu que eu gostava e me colocou junto com meus irmãos. Eu já chutava a bola com cinco anos”, lembra ela.

Irmãos atletas: trigêmeos iguais, mas diferentes

“Somos muito diferentes”, aponta Gipe, apesar do amor pelo futebol. “Hoje, um nada e o outro joga bola pela faculdade, mas antes todo mundo fazia tudo junto, desde bebê”, brinca.

“Se um acordava, os outros acordavam. Se um chorava, os outros choravam. Sempre tinha que ter mais uma pessoa ajudando minha mãe”, diz dando risada. Mas foi com eles que Gipe acredita ter se tornado a grande jogadora que é.

“Eles me influenciaram muito no jeito de jogar bola. Porque uma coisa é você jogar com quem sabe jogar, com quem é rápido. Técnica, visão de jogo. Evolui muito com eles”, revela.

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Gipe e seus dois irmãos, Bruno e Felipe. (Acervo pessoal)

Sem parar de jogar, os três irmãos acabaram seguindo rumos diferentes. Os meninos continuaram em Clubes como o Corinthians e depois o São Caetano. Já Gipe seguiu no esporte como atleta de alto rendimento.

“Um olheiro me viu jogando bola e me convidou para fazer parte da equipe de futebol de campo do Centro Olímpico. Foi quando o time estava começando lá. Fiz a peneira e passei”, conta.

“Eu treinava todos os dias, por 3 horas no Centro Olímpico de São Paulo, até meus 17 anos”, conta. Recebia o apoio de técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, e recebia lanche e o transporte do governo.

Seleção Brasileira: quase atleta profissional

Com 15 anos, em 2010,  ela foi convocada para a Seleção Sub-16. A preparação para o campeonato Sul-americano era composto por quatro treinos.

Mas antes do terceiro, Gipe rompeu o ligamento do joelho esquerdo. Ficou 9 meses parada e voltou a treinar apenas com 17 anos.

A grande chance tinha passado, porque depois dessa idade, ou você vira atleta profissional – vai para um time, um clube – ou para. Mas Gipe ainda voltaria a brilhar. Só que dessa vez, no futsal da PUC-São Paulo.

Atleta universitária: histórias inesquecíveis

Em 2012, ela entrou no curso de Administração, no qual ficou por um ano. Em 2013, pediu transferência para Direito. E logo já foi atrás do time de futsal.

“Mas eu senti muita diferença. Eu não sabia nada. Nenhuma técnica de futsal. A marcação foi a que eu mais penei”, conta ela.

“Levei muito puxão da Carol Reis. Ela tem uma visão de jogo assim que eu nunca vou ter na minha vida. Aprendi bastante com ela”, lembra Giovanna de uma das meninas do time que mais marcaram sua trajetória como atleta.

E não dá para não falar sobre os famosos jogos universitários de Direito, o Jurídicos. Ele marcou Gipe já no seu primeiro ano como atleta universitária.

Ela começou no banco, mas quando entrou e, para a sua surpresa, jogou o jogo inteiro sem sair. A PUC ganhou o inter aquele ano (2013) e fez Gipe se apaixonar ainda mais pelo esporte.

Das lições que o esporte ensina

Mas nem tudo é lindo no esporte. Todo atleta possui seus períodos de glória, mas também seus momentos de derrota. Gipe também já perdeu muitos jogos, já saiu triste de quadra, mas sempre com a cabeça erguida.

“Ah, a vida tem as derrotas e as vitórias, né? A gente tem que aproveitar tudo enquanto dá”, diz ela. Nem o único pênalti que ela errou na vida foi o bastante para derrubar a atleta universitária.  Ele aconteceu nos últimos anos oficiais no futsal como universitária, pouco antes de ser formar na faculdade.

O campeonato era a Copa EEFE, em 2017, no qual a PUC jogava contra o ICBIÓ. Os times disputavam a medalha de ouro, quando a partida terminou empatada e seguiu para os pênaltis. Infelizmente, dessa vez Gipe não conseguiu converter.

Mas também não foi isso que mais deixou o coração mais apertado. Existem dois jogos mais doídos de se lembrar, mas que também deixaram um ponta de orgulho no peito: a final contra a Sanfran (Direito USP), no Jurídicos de 2017, e a semifinal da NDU contra a FEA no mesmo ano, um fato inédito para a PUC.

Contra a Sanfran, o time perdeu de 3×2, em um jogo emocionante, de muita marcação e garra de ambos os lados. Contra a FEA, Gipe rompeu mais uma vez o ligamento do joelho, pouco antes da sua carreia oficial universitária se encerrar.

Vida de atleta universitária: acabou mesmo?

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Gipe em partida da NDU pelo time do Direito PUC (Acervo pessoal)

Depois de formada, Gipe casou e foi morar um período nos Estados Unidos. Ela ainda não sabe como a vida vai estar depois, quando voltar, se voltar… Enfim, mas as possibilidades não estão completamente encerradas.

“O futebol me trouxe as amizades mais verdadeiras, que eu mantenho contato até hoje”, revelou ela com um brilho no olhar.

As meninas do Centro Olímpico, por exemplo, são suas amigas até hoje. Metade virou atleta profissional, algumas viram profissionais de educação física. Até o fisioterapeuta que a ajudou da primeira vez que rompeu o ligamento foi o mesmo que a tratou da última vez.

Cada um seguiu seu caminho, sem esquecer as pessoas que as ajudaram a chegar onde estão hoje.  “E o futebol é isso… ele abre muitas portas. Vale muito à pena. Quem sabe eu volte”, admite ela dando risada.

 

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