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Finais de handebol da LAAUSP têm confusão e jogos cancelados

por • 4 de dezembro de 2017 • Cartola, Colaboradores, Colunas, HandebolComentários (0)1294

Por conta de uma quebra de contrato entre a Federação de Karatê e o Mané Garrincha, finais da LAAUSP atrasam e geram confusão entre times e Liga.

Por Shayene Metri

O último final de semana foi repleto de finais emocionantes, zebras das apostas BEAT e medalhas. Mas não para todos. Após quebras de contrato e desencontros de informações, a rodada de sábado (02/12) dos Jogos da Liga acabou com confusão e partidas canceladas.

De acordo com Mila “Charlinha” Pamplona, integrante da atual gestão da LAAUSP, o problema se deu porque a Federação de Karatê descumpriu seu contrato com a diretoria do Mané Garrincha.

“A gente [LAAUSP] sabia do evento. Mas, há duas semanas, nos reunimos com o Wagner (diretor do Mané Garrincha), que nos garantiu que teríamos a quadra pronta às 18h”, explica Charlinha.

Ela reitera: “Nessa reunião,  batemos todos os horários e eventos do Mané para que não ocorressem problemas. Estava em contrato que a Federação terminaria seu campeonato às 16h”.

Federação não entrega quadra

Quando os atletas da primeira final (handebol masculino, série A, entre Poli e Sanfran) chegaram e deram de cara com o evento de karatê, iniciou-se a confusão e as dúvidas sobre o acontecimento ou não da partida.

O diretor de modalidade (DM) do handebol da Sanfran, João Marcelo Elias, conta o ocorrido: “chegamos ao Mané Garrincha perto das 16h30 e o evento de karatê ainda não havia terminado e havia uma grande estrutura sobre a quadra. Os diretores de modalidade entraram em contato com a DGE da Atlética, que falou com a administração da LAAUSP. A primeira resposta foi que o evento estava previsto e que a quadra seria liberada para o jogo”.

Após conversa com o representante da Federação de Karatê e visto o tamanho da estrutra, percebeu-se que o ginásio seria liberado muito depois do horário combinado. A partir disso, ambos os DMs retomaram os contatos com suas atléticas e LAAUSP, com o intuito de arranjar soluções. Pouco depois das 18h, as duas representantes da Liga chegaram no local para tentar esclarecer o problema.

Partida cancelada

Charlinha, uma das representantes da LAAUSP no dia, explica que quando há problemas estruturais ou algo externo que impede o jogo, a tabela segue com as outras partidas e que o certo seria o cancelamento dessa primeira partida. “Isso é o que diz o regulamento. A gente mandou no grupo das atléticas que o jogo ia ser cancelado assim que soubemos do atraso da federação de karatê”.

Já do lado das equipes finalistas, houve a frustração com a notícia de não-acontecimento do jogo. “Teríamos um jogo de outro campeonato (NDU) no sábado à tarde. Tentamos, juntamente à Poli, remarcar o jogo da Liga USP, mas isso não foi possível. Assim, tivemos que remarcar o jogo da NDU, pagando 650 reais para isso. Dado o cancelamento da Liga USP, a remarcação da NDU foi desnecessária e, portanto, o gasto de 650 reais”, afirma João Marcelo.

Novas tentativas para finais da LAAUSP

Além disso, o DM da Sanfran afirma que não sentiu, por parte da Liga, esforços para achar uma quadra alternativa em nenhum momento. Entretanto, Charlinha conta que, mesmo com o cancelamento do jogo, ainda foram tentadas outras alternativas – como o Caveirão, Centro Olímpico e outros contatos com a prefeitura – que também não deram certo.

Diante da pressão dos atletas, a LAAUSP até considerou algumas trocas de jogo ou mesmo que a tabela invadisse a madrugada. Mas as soluções também acabaram descartadas. João Franzoln, chefe da arbitragem de handebol do Jogos da Liga, diz: “Cogitou-se até ter jogo à 1h30 da manhã. Mas eu não teria arbitragem para uma madrugada de sábado de uma hora pra outra. Eu ficaria, mas não teria uma equipe decente pra esse horário”.

Confusão generalizada

“Eles queriam que a tabela recomeçasse com o jogo deles, mas isso não era possível. Tentamos explicar essa questão do regulamento: eu, a Nath [LAAUSP], os DGES presentes, o João [árbitro]. Mas eles não ouviam”, conta Charlinha.

De acordo com a representante da Liga, a partir daí, a confusão tomou novas proporções. Os atletas ameaçaram invadir a quadra, caso a próxima partida que ocorresse não fosse a deles. “Os da Sanfran ainda tentaram conversar. Os da Poli um pouco mais agressivos. Mas a real é que todos não sabiam ouvir um não. A briga não era mais algo atletas versus LAAUSP. Isso já estamos acostumadas. Foi um monte de homem que não sabe ouvir um não mesmo.”.

O árbitro reforça: “as meninas da LAAUSP sofreram um monte de acusação, palavrões, de falta de respeito. Foi bem desagradável. Eu vi aquilo e pensei que ia ter que me meter no meio para ajudar”.

Fim da rodada

Segundo Alexandre de Carvalho, treinador do handebol masculino da ECA, que teria o próximo jogo na tabela, “faltou um tipo de comunicado para os times que iam participar da rodada. Todo mundo que chegava ia lá na confusão, ia dar palpite e recomeçava tudo de novo. Faltou um pouco mais de firmeza da Liga na hora de cancelar a rodada”. O DM da Sanfran acrescenta que foram quase 4h para uma definição final da LAAUSP.

A LAAUSP afirma que se posicionou desde o princípio. Mas, diante das ameaças, acabou tentando buscar diferentes soluções para o problema. “Daria pra ter os dois últimos jogos, talvez um pouco atrasados, mas eles poderiam ter ocorrido. Mas como a gente ia fazer se os atletas invadissem a quadra? A gente ia chamar a polícia? Cancelamos a rodada justamente para evitar problemas maiores. Mas foi uma decisão muito difícil”, explica Charlinha.

O chefe de arbitragem conclui: “Com muito custo, elas acabaram cedendo e cancelaram a rodada. Ia ser um negócio muito ruim, quem ia tirar esses caras de lá? Eu? As meninas? Vai chamar a polícia pra tirar? Ia ficar uma coisa muito ruim pra LAAUSP, pra rodada, pro esporte universitário como um todo.”.

Futuro incerto

Desde o ocorrido, apesar de manifestações de atletas em sua página oficial, a LAAUSP preferiu não responder antes da reunião geral com as Atléticas integrantes. A reunião do Conselho de Presidentes, na qual o assunto será tratado, ocorrerá amanhã (terça-feira, 05/12).

Enquanto isso, o Mané Garrincha tenta resolver o problema da quebra de contrato para arcar com as despesas do cancelamento das finais. Paralelamente, as outras equipes tentam remarcar seus jogos.

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