preconceito no esporte

Opressão no esporte, isso tem que acabar!

por • 1 de novembro de 2017 • Colaboradores, ColunasComentários (0)416

A luta contra o preconceito e as diversas formas de opressão no esporte estão vivas. Campanhas de conscientização, penalizações e CAOs seguem juntas

 

Por Shayene Metri

É usual, no cenário esportivo, presenciar e/ou participar de casos de opressão. Nos jogos universitários, não é muito diferente. Seja no calor da torcida, nas festas da noite ou mesmo em quadra – é mais recorrente do que deveria ouvir ofensas diretas ou indiretas, presenciar cenas de preconceito ou, até mesmo, reproduzir tais preconceitos (como é o caso quando se canta, no automático, alguns hinos de faculdade que contêm versos LGBTfóbicos, machistas ou classistas).

De anos para cá, após muita luta e, ainda bem, mais espaço para as minorias no ambiente do esporte universitário, muito mudou. Diversas torcidas organizadas e baterias reviram as letras dos seus hinos e gritos. Atléticas passaram a dar maior suporte aos estudantes que passam por algum caso de opressão. E algumas Comissões Organizadoras de inters começaram a penalizar de forma mais eficiente (ou ao menos a agir com ações preventivas e de apoio durante os jogos) quem realizasse algum ato considerado opressivo.

Caso BIFE: a luta contra o preconceito no esporte

Quando comparado a outros jogos universitários, o BIFE se torna um exemplo na luta contra a opressão e no espaço conferido às minorias. Evidentemente, ainda há muito a se conquistar e melhorar, mas, ao que parece, o inter segue um bom caminho. “O principal para a Comissão Anti Opressão (CAO) é despertar nas pessoas a ideia de que o BIFE vem de uma construção coletiva. Se não nos ajudarmos, respeitarmos e criarmos ambientes saudáveis de convivência, o inter passa a ter muitos aspectos negativos. Se cada pessoa que identificar um caso de opressão for intervir para ajudar a vítima, chamar a CO ou a sua atlética e principalmente se colocar em um lugar de priorizar o respeito ao próximo, todos/as estaremos construindo um BIFE melhor”, idealiza Cyndel Augusto, atleta da Educação USP e uma das integrantes da CAO.

Para quem não sabe, a CAO atua como um braço da própria Comissão Organizadora (CO). Ou seja, ela é, de certo modo, independente para realizar suas campanhas e assistências durante os jogos. Mas também auxilia a própria CO na identificação e julgamentos dos casos. Cyndel reitera que, além do trabalho conjunto com a CO, “estamos em uma maior parceria com a Trion e a BEAT para que possamos estruturar melhor meios de visibilizar a comissão. Isso por meio de conversas com a arbitragem sobre as ações que concernem à CAO, produção de cartazes para os ambientes esportivos, festivos e alojas, meios de divulgação no Cepe, local onde a maior parte dos/as atletas treinam, dentre outros. As parcerias que estamos criando dão um gás para que mais ideias surjam e levem às pessoas a existência e resistência da comissão”.

A opressão em outros inters

Cada Liga ou Comissão Organizadora possui uma forma de enfrentar os casos de preconceitos que ocorrem durante os jogos universitários. Por exemplo, nos Jogos de Comunicações e Artes (JUCA) 2017 foram realizadas uma série de palestras e campanhas de conscientização. Nos Jogos Jurídicos Estaduais (JJE), idem.

Nesse próximo feriado, concomitantemente ao BIFE, ocorrem o Economíadas e o CaipirUSP. Ambos os inters já tiveram casos de opressão levados a julgamento por suas COs. Para sua edição de 2017, as atléticas participantes do Economíadas lançaram um Manifesto de Comissão Anti Opressão.

Pela primeira vez, a CAO do Econo passa a fazer parte do regulamento do campeonato. Além disso, a Liga lançou um vídeo oficial na página do Facebook do evento como parte da campanha anti opressão. Já no caso do CaipirUSP, a CO ainda não possui nada específico referente ao combate às opressões. Não há uma CAO e nem mesmo penalizações previstas em regulamento.

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