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Por que é tão difícil prever quem vai ser campeão?

por • 14 de novembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Jogo a JogoComentários (0)1226

Por que será que o esporte é tão imprevisível? Só levar em conta o histórico e os resultados recentes não é suficiente para chutar quem vai ser campeão.

Por Patricia Beloni

Os inters de novembro de 2017 provaram uma das grandes máximas do esporte, principalmente do universitário: que a BEAT é péssima em fazer apostas. Isso também (rs). Mas a gente está falando aqui da imprevisibilidade do esporte.

Sabe aquela vitória inacreditável, aquele derrota inesperada ou aquela virada de deixar o coração na boca? Ou quando os favoritos não chegam nem perto da final ou quando times inesperados conseguem ser campeões? É isso.

Talento, preparação, histórico, fama, nada disso basta para definir quem vai vencer uma disputa. Tudo pode acontecer, tudo mesmo. É como disse Shayene Metri, atleta de handebol da FEA USP, atual campeã da modalidade no Economíadas 2017. “Tudo é muito equilibrado, varia muito de dia, de vontade, de energia mesmo. Não necessariamente da técnica ou tática (sem desmerecer isso)”.

O que faz um time ser campeão?

Ainda não existem estudos científicos que respondam a essa pergunta com uma carga de confiança alta. São diversos fatores que influenciam e seria muita presunção definir o que exatamente leva um time ao título. Mas existem alguns que são, sem dúvidas, o que mais crava a vitória de uma equipe.

É a vontade, a raça, a união por um propósito em comum e a doação de si mesmo que colocam a medalha de ouro no pescoço dos atletas. E isso tudo porque o esporte é feito justamente por seres humanos, dotados de medos, mas também de grandes motivações. São pessoas que, ou se deixaram levar completamente pelas emoções, ou estão inspiradas, confiantes e focadas 100% em um objetivo.

Foi como quando lembrou Brenda Bastos, da vitória inesperada do Futebol de Campo feminino do IME, no BIFE 2017. “Foi um dos momentos mais emocionantes, principalmente a semifinal, contra a FFLCH. A gente já tinha perdido o futsal pra elas e a gente tava com aquele gostinho de “a gente tem que ganhar isso aqui”, contou. Então foi mais do que a junção da qualidade, da técnica, do ajuste do coletivo.

“E depois começou a chover, as poças, tudo. Quem não estava jogando, tava ali, morrendo de frio, na chuva, mas sem abandonar o time. Quem estava em campo estava com muita vontade de querer levar aquele jogo. Foi um dos momentos mais marcantes dos meus 7 anos de IME. E pro time foi muito importante. Uma das coisas mais legais que conquistamos juntas”, revelou.

A importância das derrotas

A oscilação do esporte universitário e seus limites faz a vida dos times serem cíclicas. Em um ano, a equipe está no ponto. Cheia de craques, atletas dedicados, treinos cheio, comissão técnica experiente. No outro, passa por uma renovação, com alunos formados, novos treinadores, e uma luta de ajuste.

Foi o que aconteceu no caso do handebol feminino da FEA. “Somos um time de bixetes basicamente, com algumas meninas importantes que voltaram e/ou assumiram essa “reformulação”. Resumindo, o apoio das velhas que voltaram e a energia das bixetes que entraram foi algo muito essencial pra esse crescimento em tempo tão curto”, contou Shayene.

Em teoria, elas não eram as favoritas para ganhar, apesar da tradição e da fama da faculdade. Foram para o Economíadas depois de um ano cheio de derrotas. “Perdemos primeiro jogo do econo 2016 (contra a FGV) e o primeiro jogo do InterUSP esse ano (contra a Farma)”, lembrou ela.

E com o futsal feminino também não foi diferente. Nesse ano, nada de FGV, FEA ou Mackenzie na final. Foi Fecap e Puccamp que disputaram a medalha de ouro. A campeã Fecap vinha marcada por perdas desde o inter anterior. Primeiro foi a FGV na semifinal de 2016 e depois a FEA na NDU, poucos dias antes do Econo.

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Time de Futsal Feminino da FECAP

Mas, “por pior que tenha sido, não poderia ter acontecido em momento melhor”, contou Kassiane Andronis. “Foi graças a essa derrota que percebemos que perder é um remédio amargo, mas te faz melhorar e crescer cada vez mais. A derrota aponta os erros e os detalhes, que uma vitória poderia esconder”, afirmou. “O time se fortaleceu, se uniu e hoje nos tratamos como irmãs, com um carinho e cuidado absurdo. Somos apenas 8 meninas, com força  e garra de 50…”.

A influência do psicológico no esporte

Outro grande fator decisivo nos resultados vem do parte psicológica dos atletas durante as partidas. Quando lembrando das derrotas, Kassiane destacou o ponto: “Perdemos na cabeça, na falta de calma e tranquilidade nas jogadas. E foi dessa derrota, desse ensinamento que saímos preparadas”.

No esporte, como na vida, “triunfam os audaciosos, triunfam aqueles que acreditam e que trabalham para atingir seus objetivos”, disse Kassiane. E ela está coberta de razão. Mas o triunfo, a verdadeira vitória, não está apenas em ser campeão. Vai muito além.

É você aprender “a valorizar coisas como a dignidade, a vontade de nos superarmos, o trabalho, a dedicação, o sacrifício, o pensar em coletivo. Para brilhar é preciso coragem, humildade, esforço, trabalho e coração”, completou. E isso vai além de ganhar um campeonato ou uma partida.

Todo mundo pode ser campeão

E, no fim, todo mundo tem chances de levar a douradinha para casa. Derrotas ou grandes alegrias do dia anterior, por exemplo, podem ser decisivas no dia de amanhã. “Foi como a final FEA x FGV [handebol feminino] no Economíadas [2017]. Tempo todo equilibrado. Qualquer time podia ter saido campeão dali. Ou como no BIFE [2017]. A FAU que perdeu pra FFLCH [handebol feminino] , a Pedago ganhando”, aponta Shayene.

O jeito como se joga também pode fazer muita diferença. Para a FEA, a postura, o sangue nos olhos, todo mundo falando que a gente não ia ganhar (tipo o #chupaBEAT) foram decisivos. Já para o IME, jogar feliz foi o ponto chave. “O IME, quando joga solto, sem muita responsabilidade, é difícil parar. Isso fez com que a gente ganhasse”, apontou Brenda.

Outra coisa que pode motivar demais é a relação entre time e técnico. Outro detalhe importante para o IME. “Muito foi pelo Blankinha. O time acreditou muito por ele, porque ele acreditou no time. E ele nem tinha obrigação de estar ali no campo, já que ele é técnico do futsal. Foi por ele principalmente que a gente ganhou”, revelou.

E sabe que isso tudo, na verdade, também mostra uma face muito interessante (e esperançosa!) do esporte universitário. Ele ganha espaço e se fortalece a cada dia, revelando um grande potencial e um alto nível esportivo das categorias mais amadoras. Enquanto isso, a gente vai brincando e dando palpites sempre (rs). Que continue assim!

 

Campeões do esporte universitário:

O primeiro título geral da FGV no Economíadas| Revista Beat
InterUSP 2017: balanço das três campeãs| Revista BEAT
Fofito é a grande campeã do InterZebras 2017| Revista BEAT

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