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Depressão e esporte: entre as causas e a cura

por • 28 de novembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, EspecialComentários (0)571

Entenda como depressão e esporte estão relacionados e como a prática de atividades físicas pode representar um recomeço de vida na luta contra a doença.

Por André Siqueira Cardoso

Por volta de 322 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela depressão. Só no Brasil são cerca de 11,5 milhões (mais de 5% do contingente nacional), segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os números são expressivos e suscitam a discussão sobre a importância da prevenção e do tratamento da doença em diversos cenários. E, para isso, existem grandes aliados – como as atividades físicas. Por essas e outras, falar sobre depressão e esporte se torna tão importante.

Causas da depressão

Perda de entes queridos, desemprego, traumas físicos ou psicológicos e tantos outros fatores que causam frustrações podem ser a causa da doença do século. Mas como isso afeta o nosso organismo?

Em relação ao sistema nervoso, existe uma explicação que é mais aceita pela comunidade científica. Ela diz que a doença tem origem no desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor.

De um modo geral, trata-se da seretonina e a norepirefrina, os principais neurotransmissores do corpo humano. Eles são, então, fundamentais para o desenvolvimento ou não da depressão. 

Quando estão em desequilíbrio, bagunçam as emoções, gerando uma disfunção. Isso causa alterações de humor, reações emocionais incoerentes, tristezas constantes, falta de disposição, etc.

É aí que o esporte entra. “A prática esportiva pode ser utilizada como terapia complementar nos quadros de depressão’’, explica  o presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, Dr. João Ricardo Cozac.

Depressão e esporte: como a atividade física ajuda

Exercícios físicos ajudam o corpo a liberar um hormônio fundamental para as sensações de bem-estar e prazer: a endorfina.  Por conta disso, há de se ressaltar a importância  no tratamento e a cura da depressão. 

De acordo com a OMS, 30 minutos de exercício por dia já podem fazer a diferença. Com a prática diária, o corpo e a mente ganham mais disposição para realizar outras tarefas. Se sentem mais fortes, com mais flexibilidade e 

capacidade funcional.

‘’Há uma tendência dos próprios médicos receitarem a atividade física, porque entendem que, quimicamente, as endorfinas são secretadas, promovendo uma sensação de bem-estar’’, aponta o psicólogo esportivo.

É o que aconteceu com a jornalista Luana Rodrigues. ‘’Eu entrava na piscina chorando, pensando em várias coisas ruins que me afetavam, mas saía das aulas bem mais tranquila, com a energia renovada’’, revelou ela sobre as aulas de natação.

Luana teve depressão em 2014, pouco tempo depois de se formar na faculdade. ‘’Fui violentada em 2012, quando ainda estava na graduação e, por dois anos, amargurei e remoí isso para mim mesma. Em determinado momento, não aguentei, explodi. Então, procurei ajuda’’, disse.

Foi aí que a depressão e esporte começaram andar lado a lado. Durante a infância, ela fazia natação, ginástica olímpica, vôlei e dança. Mas, com o tempo, parou. Entretanto, ‘’quando comecei a terapia, minha psicóloga recomendou que eu fizesse alguma atividade física, para liberar endorfina. Então, voltei a fazer natação’’, relata.

A relação forte da jovem com a água foi fundamental para sua recuperação. ‘’Fazer natação de novo foi um reencontro com o que eu era como criança. Estar na água, assim, é a melhor terapia para mim’’, aponta.

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Riscos da falta de exercícios físicos

Não realizar atividades físicas pode fazer parte do grupo de fatores que levam à depressão. Não só pelo aspecto químico corporal, mas também pelo social.

Isso porque no meio esportivo, existe a possibilidade de se interagir com outras pessoas, aponta o Dr. Cozac. “Quadros de depressão levam a um comportamento de reclusão e o esporte oferece uma porta para que você saia de casa e se relacione com as pessoas’’.

É o caso da estudante M.O., que não quis se identificar). ‘’Me sentia angustiada, como se eu carregasse um peso que não podia suportar’’, conta.

Ela descobriu a doença quando percebeu que tinha um medo constante de sair de casa. Quando procurou auxílio médico, foi diagnosticada a depressão e um quadro inicial de síndrome do pânico.

Com o decorrer do tratamento, os especialistas apontaram que foi a falta de esporte desencadeou a doença. ‘’Naquele ano, operei o ligamento cruzado anterior do joelho, o que me impediu de praticar atividades físicas por um ano, ficando restritas à fisioterapia’’, relatou.

Quando pôde voltar a treinar, a atleta de handebol passou a se sentir melhor, o que fez com os médicos reduzissem a dosagem de remédios. ‘’Com mais ou menos sete meses de tratamento, já tomava menos remédios e me sentia bem, sem mais medos’’, continuou.

‘’Por outro lado, psicologicamente, é interessante, porque há a possibilidade de se interagir com outras pessoas: a prática esportiva engloba o aspecto social, ou seja, quadros de depressão levam a um comportamento de reclusão e o esporte oferece uma porta para que você saia de casa e se relacione com as pessoas’’, finalizou o doutor.

Hoje, ela entende porque isso fez tanta diferença. ‘’O esporte sempre me trouxe as melhores experiências na vida e tem o poder de fazer as pessoas se sentirem melhor. Os melhores amigos que tive na escola e na faculdade eram dos times que fiz parte. São pessoas muito diferentes, mas que se unem por um amor em comum’’, completa.

 

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