canelite

Se minhas canelas não doessem mais

por • 7 de novembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Saúde & AlimentaçãoComentários (0)2144

A canelite é um problema universal de quem pratica algum tipo esporte. Será que você sabe como cuidar dela?

 

Por Maria Cecília Martins, Franco Latini e Wagner dos Santos

Se existe uma reclamação bastante comum entre os atletas é a de dor na canela. Seja ela resultante de uma dividida no jogo que deixou aquele belo roxo, seja ela persistente na vida esportiva, sem nem sequer ter havido algo que justificasse sua existência.

A história mais comum é de alguém que passou o ensino médio (e o cursinho) sem fazer muitos exercícios físicos. Até que entrou na faculdade e tudo mudou. No dia da matrícula, foi bombardeado por convites para times e se lembrou da vida remota da escola, cheia de esportes. Sem pensar muito, escolheu uma modalidade que já tinha familiaridade, outra que sempre quis praticar e mais uma só para ajudar o time no BichUSP.

Passam-se as competições de calouros e, logo menos, você começa a preparação para outros campeonatos. Sua vaga no time se torna permanente e os treinos e jogos não param mais. O descanso fica cada vez menor. Num dia desses, um incômodo na canela surge, mas nós nunca paramos né? E então só piora a dor com o passar do tempo.

Chega uma hora em que a tal da canelite não se resolve mais com um simples descanso. A solução é perder dois ou três dias de treino para tentar recuperar. Pois é, aquela dor na canela virou seu maior vilão.  E aí, a história é familiar? Será que você conhece alguém que viveu isso? E será que você sabe o que é e o porquê disso?

Causas da canelite: como desenvolvemos a temida dor

Canelite é o nome genérico que damos para  qualquer dor na região da frente da perna. Porém, síndrome do estresse medial tibial é o nome dado para a inflamação do maior osso da canela (tíbia). É ela que corresponde a maioria das causas dessa dor. A canelite está diretamente relacionada a dois fatores: sobrecarga mecânica e recuperação inadequada.

Atividades de impacto, como salto e corrida, exercem uma carga intensa sobre as estruturas das pernas. Ela pode exceder a tolerância do corpo naquele momento e acarretar pequenos traumas ósseos. Durante o repouso, o corpo se recupera naturalmente desses traumas e volta ao seu estado de normalidade. Entretanto, se a intensidade da carga sobre suas estruturas for muito grande, o corpo irá demorar mais tempo para se recuperar e será necessário maior descanso. É aí que está o perigo.

A maioria das pessoas desenvolvem o problema quando iniciam uma rotina com práticas esportivas diferentes daquelas que estão acostumadas ou quando aumentam a intensidade dos treinos de forma muito abrupta/vigorosa. Ao retornar para a prática antes da recuperação total dos pequenos traumas sofridos e sobrecarregando novamente as estruturas das pernas, o atleta acaba desenvolvendo um processo inflamatório de longa duração que gera dor.

Como tratar da canelite

É preciso entender que ninguém precisa “desistir do esporte” ou “aprender a conviver com a dor”. Só é preciso tratar o processo inflamatório existente para alívio dos sintomas e ajustar os fatores que aumentam a sobrecarga na região para que ela não inflame novamente. Isso quer dizer que você pode ter que se afastar temporariamente dos treinos, mas não significa que isso isoladamente resolverá seu problema para sempre.

Se a prática esportiva está gerando a sobrecarga mecânica, ao se afastar, ela deixa de acontecer. As estruturas lesionadas têm, então, tempo para se recuperar, e a dor melhora. A questão é que se você voltar a praticar o esporte sem mudar o que causava a sobrecarga, logo mais voltará a sentir dor.

Então, devemos pensar na canelite como algo amplo e interconectado a estes fatores: relação tempo/intensidade/frequência de treino e jogo/descanso (incluindo a qualidade do sono). Mais a preparação muscular e psicológica para suportar o estresse do esporte e a qualidade dos gestos esportivos utilizados (alinhamento das articulações e ativação correta dos músculos). Porque tudo isso está diretamente relacionado com as lesões no esporte.

Regular qualquer um destes fatores ajudará, mas alinhar todos eles trará muito mais segurança a sua prática esportiva. E no seu caso, o que falta? Quem sabe assim você se livra desse fantasma e para de sair de quadra pulando que nem saci-pererê!

 

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Crédito foto de capa: Por Alexandre Gallucci

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