Rugby feminino da ECA é desclassificado do BIFE

por • 28 de outubro de 2017 • Campeonatos, Colaboradores, Colunas, RugbyComentários (0)1264

Entenda por que o time da ECA saiu da competição, mesmo após vitórias que o levaria para a semifinal do Rugby no BIFE 2017.

 

Por Patrícia Beloni

O BIFE 2017 mal começou e a ECA já teve más notícias logo no primeiro final de semana. O time de rugby feminino foi considerado irregular e desclassificado depois de ter ganhado duas partidas e estar na semifinal.

A competição acontecerá entre 2 e 5 de novembro, em Avaré. Mas o Rugby já rolou no dia 21 de outubro em São Paulo e o atletismo acontecerá amanhã dia 29/10 no próprio CEPE (Centro de Práticas Esportivas da USP).

Decisão da CO do BIFE 2017

Depois de duas vitórias e a vaga nas semifinais, a equipe recebeu a notícia que tinha sido desclassificada. A decisão foi tomada pela Comissão Organizadora (CO) do BIFE, que enquadrou o time como irregular. E, segundo o regulamento do inter, em casos de irregularidade, a punição é a retirada da equipe do campeonato.

De acordo com Viton Oliveira, Diretor Geral Esportivo (DGE) da Pedago e membro da CO do BIFE, houve um problema com as inscrições das atletas. Elas entraram em quadra sem estar devidamente inscritas na competição. Isso porque, além de realizar a pré-inscrição, os times precisam entregar uma lista oficial dos atletas antes do jogos começarem. Ela tem a função de ser a “pulseirinha” do BIFE, uma forma de controle sobre o atleta ter comprado o kit (no caso, um sinal de R$ 40).

A tesouraria percebeu a falta da lista da ECA só depois do início do primeiro jogo. Foi quando a atlética da ECA tentou regularizar a situação, mas não conseguiu. A CO se reuniu logo em seguida para tomar a decisão, enquanto já acontecia a segunda partida da ECA.

“A gente ficou meio surpreso, porque tínhamos falado sobre esse tipo de situação alguns dias atrás”, lembrou Viton. “Mas paramos e discutimos cerca de 1h30 sobre o que aconteceu e só depois uma decisão foi tomada”, conta. O caso específico não é previsto em regulamento, então foi definido como uma situação de irregularidade após votação, gerando a desclassificação.

O que diz o Rugby feminino da ECA

Mairê “Mazi” Ferraz, uma das fundadoras da equipe do rugby feminino da ECA, recebeu a notícia e foi quem comunicou o resto do time. “Estava todo mundo animado e feliz. Foi um ano muito difícil para o nosso time, então chegar no BIFE e ser classificada não tinha palavras. Aí eu cheguei no campo e fiquei sabendo que a gente estava fora. Ajoelhei no chão e comecei a chorar. Por um erro de lista de todas as partes, a gente simplesmente não conseguiu jogar”, desabafou ela.

Em nota de repúdio no Facebook, o time alega entender o erro da CO da ECAtlética no atraso da entrega da lista, mas não concorda com “a forma como a ocorrência foi conduzida pela Comissão Organizadora do BIFE. Também não apoia a resposta final da entidade a essa irregularidade, que só foi percebida após o início do jogo e discutida enquanto o time ainda estava em campo.

O documento também fala na possibilidade de outras punições, como o pagamento de multa ou a perda de pontos, por exemplo. Dado que também consideram erro por parte da Comissão não verificar os documentos antes do início do jogo, conferir a lista de inscritos ou ainda parar o campeonato.

“As meninas ficaram muito chateadas. Tinha sido a primeira vitória do rugby feminino da ECA em um jogo. A Isa [integrante do time, que deslocou o ombro] se machucou por algo que no final nem tava valendo. E, no fundo, nem foi um erro do time, embora, é claro, sejamos representadas pela ECA”, disse Júlia Gretz , diretora de modalidade (DM) da equipe.

Posicionamento da COs do BIFE

Viton explica que a CO do BIFE compreende o posicionamento do time. “A gente sabe que teve um erro na inscrição e a gente sabe que não foi um erro do time. O problema foi corrigido depois, mas elas começaram o campeonato em uma situação irregular. Elas não podiam ter jogado”, aponta o DGE.

Ele reconhece a falha da CO do BIFE, entretanto relembra: “A Atlética que joga antes tem que estar com tudo pronto. Então um erro não exime o outro. O erro da CO não exime o da ECA e vice e versa. O erro do BIFE não retira a punição da ECA por ter atrasado na entrega”.

A CO da ECAtlética também entende que errou. Em entrevista para a Revista BEAT, a entidade afirma que participou da discussão, teve espaço de fala, conseguiu expor seus argumentos e se defender. Entretanto, a decisão de entender como o caso como uma irregularidade e desclassificar foi praticamente unânime.

Outras punições

A gestão da ECAtlética pediu para que fosse realizada uma punição à ECA como entidade. De forma a não prejudicar o time, uma vez que as atletas não tinham responsabilidade pelo ocorrido.

Entretanto, não foram levantadas outras formas de punições. Mas ressalta: “A gente não queria que o time fosse prejudicado porque você treina o ano todo, chega no horário, você joga, você ganha. E aí você é desclassificado por um erro que não foi seu”, lamenta.

Ele ainda compara a situação com a do time da Pedago, que não estava inteiro irregular, mas tinha duas atletas não inscritas. A situação foi vista com antecedência e eles conseguiram realizar o acerto a tempo, antes do jogo começar. 

BIFE 2017 continua

Independente de tudo, o BIFE continua e o Rugby feminino da ECA segue firme. “O que fica é que a gente tá muito orgulhosa. Apesar de tudo, a gente viu que a gente se fortaleceu como time, que a gente tem muito potencial ainda e que vai ganhar o BIFE ano que vem”, falou Mazi, rindo.

E o grande objetivo do BIFE também. “Foi muito da hora o apoio que a gente teve dos outros times. As meninas pintaram o rosto de aurirroxo pra jogar e foi incrível. BIFE também é isso. Integração entre os times. Independente da rivalidade. E isso que faz a gente não desanimar do esporte. Porque as pessoas que fazem ele acontecer são incríveis”, finalizou ela.

 

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Crédito foto de capa: Por Mei Monma

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