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A Pedagogia USP vai pro BIFE e eu juro que é meu último

por • 24 de outubro de 2017 • Colaboradores, Colunas, EspecialComentários (0)660

Thaís, da Pedagogia USP, jogou handebol a vida inteira. JUCAs, jogos de clube, Seleção USP… Mas ela quer o BIFE… e jura que é seu último.

 

Por Thaís Ozzetti, Educação USP.

”Você não cansa não?”, eles dizem. Nos almoços de família ou bares com grandes amigos, sempre aparece um “Ainda?” ou então “De novo esses Jogos?”.  Pois é, ainda.

Há quase dois anos, quando me formei em Pedagogia na USP, tinha pra mim que essa história de Handebol pudesse chegar ao fim. Ora, já foram tantos anos dedicados a esse esporte que em algum momento isso teria que acabar, eu pensava. Coloquei na minha cabeça que já era velha, ainda mais depois de umas canelites, dores no ciático e no ombro. Havia chegado o momento e eu tinha que aceitar.

Fiz uma retrospectiva que reuniu muitos anos de treinos, jogos em campeonatos escolares, de clube, outros tantos universitários jogando pelo Tuba Mack e alguns representando a Seleção da USP e também a Pedagogia. Essa última, apesar de ser a que passei maior tempo, foi a que menos jogos pude participar jogando. Isso porque só fomos conseguir, com muita luta, montar um time de Handebol quando eu – finalmente – já conseguia ver o final da graduação. Pois bem, tudo caminhava para que eu pudesse fazer outra coisa e deixasse de vez o esporte,  sei lá, talvez mudar para um outro individual ou até mesmo entrar para o Crossfit ou Yoga.

Mas eu tinha esquecido que com oito anos fui picada por um bichinho conhecido por muitos atletas que deixa no sangue uma substância que não sei exatamente qual é, mas te impossibilita de parar. Conheço tantos amigos e amigas que foram picados por ele… O principal sintoma é uma coceira na mão sempre que você vê alguém jogando, uma vontade repentina de entrar em quadra, correr, dar o sangue, cansar, marcar, fintar, cobrar 7 metros e chutar dos 9, mesmo que a bola bata na tabela de basquete. Essa substância é tão forte que você vê os anos passando e a vontade sempre fala mais alto, mesmo com a velhice, o cansaço, e a preguiça de dormir na lama mais uma vez.

Ainda assim, eu já tinha aceitado: acabou e pronto. Quem sabe continuo apenas participando de campeonatos para formadas, o que já é muito bom. Foi então que ano passado chegou até meu ouvido a frase “A Pedago vai pro BIFE” e toda aquela substância voltou. Jogar um BIFE? Como negar isso? Seria a mesma coisa que sonhar com um brigadeiro, preparar, enrolar no granulado e quando estivesse pronto decidir fazer dieta de doces.

Fomos para o BIFE numa experiência emocionante e maravilhosa, mesmo com a derrota. Cheguei em casa e falei: ”Pronto, mãe, agora acabou essa história de Jogos”.

Corta para segundo semestre de 2017. A Pedago vai pro BIFE de novo, você vai? Começou a coceira repentina. Hmm, não sei… Será? Tem outras meninas também e… Tá bom, prometo que é o último.

 

Crédito foto de capa: Por Felipe Lemos

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