basquete universitário

A jornada do mestre do basquete universitário

por • 23 de outubro de 2017 • Basquetebol, Colaboradores, Colunas, PerfilComentários (0)1055

Sífilis, armador da Geo, FEA, Seleção USP e ex-federado do Palmeiras, coleciona medalhas e boas histórias no basquete universitário.

 

Por Rafael Oliveira

Um dos mais conhecidos rostos do basquete universitário da USP, Guilherme Pereira, 28 anos, é mestre em geociências e está no seu 10º ano como frequentador assíduo do câmpus do Butantã. Guilherme sabe bem como dividir seu tempo. Faz doutorado, é bixo do curso de contabilidade da FEA e ainda tem tempo para os treinos de basquete.

Não reconheceu pelo nome? É porque desde 2008, quando iniciou sua (longa) jornada no Instituto de Geociências da USP, Guilherme virou o Sífilis. O apelido foi adquirido durante o tradicional batismo dos bixos da Geo. O nome pegou e acompanha o armador da Geologia e da Seleção USP — e agora também da FEA — até hoje.

A relação de Sífilis com o esporte, porém, nasceu bem antes de sua entrada na USP. “Eu sempre fiz muito esporte, minha vida inteira, sempre joguei futebol. Mas quando eu tinha uns 10 anos, não conseguia mais treinar por causa do horário e acabei me inscrevendo pra fazer basquete”, explica. Meses depois, em 2001, se federou pelo Palmeiras, onde ficou até 2008, no primeiro ano de graduação em geologia.

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Guilherme Pereira (Sífilis) comemorando o título do BIFE 2016 com a Geologia-USP. Por Matheus Brant

Basquete universitário da GEO

Na época, o time de basquete da Geoatlética estava em hiato, jogando o BIFE com catadões, sem treinar de fato. Esse período foi interrompido no ano seguinte (2009) com a reestruturação do time. A equipe passou a ser composta especialmente por atletas da pós, além do então segundo-anista Sífilis.

“Quando eu entrei em 2008, muitos desses que iniciaram a atlética da Geo, estavam no doutorado e no mestrado, e ficaram sabendo que tinha entrado um cara que jogava. Naquele ano a gente não teve time, mas em 2009, a gente conseguiu montar o BM da Geologia de novo”, conta. A partir do ressurgimento do basquete masculino, a Geoatlética foi  formando novos times e deixando para trás os catadões, se consolidando como AAA.

Ala em seu período de basquete no Palmeiras, Sífilis acabou virando armador no esporte universitário. Na nova posição, o atleta e o basquete da Geologia chegaram ao título da série laranja da Copa USP. Já em 2009 fizeram história e levaram a Geoatlética ao seu primeiro título dentro do circuito uspiano.

Um caso do amor pelo BIFE

Atual bicampeão do BIFE com o basquete da Geo, Sífilis estreou no inter já no primeiro ano, em Itapeva. Ele foi da derrota por um ponto contra a Psicologia, na semifinal de 2008, até o segundo título seguido contra a FFLCH no último BIFE, em Registro. Até agora já são 9 anos defendendo a camisa amarela da Geologia. E, além de colecionar medalhas, ele carrega boas histórias, tanto no esportivo e como no festivo.

A primeira que vem à cabeça é de Barra Bonita, em 2012. Logo no primeiro jogo, a Geo reencontrou o IME, tradicional rival na modalidade, conta o atleta. Em um “jogo de televisão”, o time da Matemática e Estatística levou a vitória por uma bola, consagrando-se campeão dias depois contra a ECA. O triunfo, entretanto, veio sob polêmica.

“Faltando 10, 12 segundos, teve um arremesso nosso e eu peguei o rebote. Quando fui subir, fizeram uma falta dura em mim. Eu sempre fui meio esquentado e já soltei uma cotovelada. Começou uma briga meio generalizada entre os jogadores e eu acabei expulso. No rebote do segundo lance livre — que o menino da Geo errou, o IME fez a cesta e ganhou o jogo”, relata o atleta da Geologia. “Eu apanhei ‘pra cacete e ninguém do IME foi expulso. Esse jogo, quem assistiu, pode ter certeza que se recorda”, finaliza.

Mas como nem só de esportes é feito um inter, Sífilis também relembra sorridente os momentos de integração. “O BIFE é sensacional. Eu e meus amigos, a gente sempre gostou de se fantasiar e fazer merda. O pessoal já espera que a gente vá fantasiado e faça alguma. Em 2014, acho que foi o que mais marcou. O tema da festa era anos 90, aí um dos meus amigos foi de Xuxa e o resto de Paquita. Eu até falo que a gente só perdeu esse BIFE por causa das festas, porque não dava pra ir embora”, conta entre risadas.

Reforço ao basquete da FEA

Acostumado com o clima leve e a ausência de atletas no banco de reservas da Geologia — que não costuma ter mais do que 7 jogadores no elenco —, o armador habilidoso passou a defender também o azul da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), em 2017. Com “contrato assinado” com a Geoatlética pelo menos até 2020, período mínimo para concluir o seu doutorado, Sífilis passou a se dividir entre os dois times. Joga os campeonatos internos da USP pela Geo e os externos pela FEA.

Bixo de contabilidade, curso que buscou como alternativa para fugir da crise econômica que afetou fortemente a sua área, o atleta jogou pela primeira vez um Bichusp com as cores da forte equipe da FEA. Além do campeonato de calouros, defendeu a faculdade no InterUSP e na NDU. Sem conseguir treinar com nenhum dos dois times, por conta dos horários, ele se mantém em forma treinando com o BF da Farma e com o BM da EEFE, times em que é amigo dos treinadores.

Há menos de um ano defendendo as duas atléticas paralelamente, Sífilis já consegue perceber fortes diferenças, principalmente na parte do apoio. “É muito diferente, principalmente a importância que eles dão na FEA. Na Geo é legal, mas ninguém se importa, acaba por aí. Na FEA, não. Você percebe, principalmente o pessoal da atlética, até da bateria, os caras param e te cumprimentam, ‘pô, vi o jogo, parabéns’. Isso nunca teve na Geo, o máximo que ouço é minha torcida me xingando”, conta. Porém, na disputa BIFE x Economíadas, que coincidem na data, quem ganhou foi a irreverência da Geo, que vai contar com um de seus principais jogadores em Avaré.

Seleção USP e a dedicação ao basquete universitário

Além de Geologia e FEA, Sífilis também já defendeu uma terceira camisa dentro do esporte universitário: a da LAAUSP. Convocado com frequência para a seleção USP desde 2009, o armador disputou cinco Unisinos. Além de uma medalha de cada cor, o atleta guarda boas lembranças de São Leopoldo (RS).

“A Unisinos é outro nível, é incrível. É como se fosse um inter, só que são times fantásticos, nível de competição é absurdo, é muito acima do que a gente está acostumado aqui. E é gostoso você chegar a esse nível e competir com times fortes. E a USP, pô, aqui ninguém tem bolsa pra jogar. É uma motivação bem grande, todo mundo vai porque quer, ninguém paga pra gente”, explica o atleta campeão da Unisinos em 2013.

 

Crédito foto de capa: Por Matheus Brant

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