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Mais de dez anos de BIFE!

por • 23 de outubro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Especial, UncategorizedComentários (0)413

Quantos últimos BIFEs uma pessoa pode ter? O Portuga, atleta da FAU USP, promete que dessa vez é sua despedida real e nos conta suas histórias de anos no inter.

 

Por Júlio “Portuga” Caldeira

O BIFE para mim começou há muito tempo, 2005 para ser mais exato. Dentre os vários campeonatos universitários que eu disputei, é de longe o que eu mais gosto. É sempre competitivo, todas as modalidades têm mais de uma faculdade com boas chances de levar. Além disso, a integração entre as participantes é muito boa. As pessoas que participam do BIFE fazem parte também da vida uspiana – tanto os bêbados de torcidas e baladas que encontramos em cervejadas pela USP, quanto atletas que encontramos no CEPE, em outros campeonatos universitários (e também em cervejadas pela USP, claro).

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BIFE também é festa, fantasia e integração | Foto: Acervo pessoal

Fiz parte da Comissão Organizadora do BIFE e contribuí muito para o crescimento do campeonato, participando de reuniões toda semana, visitando cidades, indo atrás de contatos de arbitragem, buscando camisetas, etc. Por isso, ao ver hoje o clima de espera pelo campeonato, nas semanas que o antecedem, a competição consolidada, a dedicação dos atletas e o apreço que as pessoas têm pelo BIFE, me sinto orgulhoso de ter contribuído para que o evento seja o que é, algo que não sinto nas outras competições.

O meu último BIFE pela FAU USP (pela primeira vez)

O BIFE de 2014 foi o meu primeiro último, afinal, foi o ano em que eu me formei na FAU. Por conta de constantes lesões, não estava treinando com muita intensidade, mas nos meses que antecederam o BIFE fiz um esforço extra para jogar futebol. Não disputei o atletismo, como tradicionalmente fazia, pois estava fora dos treinos da modalidade, além de estar com um incômodo no joelho. Joguei futebol, mesmo lesionado, pois achava que tinha que aproveitar a última oportunidade que teria para disputar esse inter.

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Portuga representando a equipe de futebol do IME-USP | Foto: Acervo Pessoal.

Após formado, parei de frequentar o CEPE e comecei a correr por conta própria. Disputei algumas corridas de rua e odiei o clima da competição, aquelas pessoas excessivamente felizes às seis horas da manhã num domingo e aquela medalha gigante pesada que todo mundo ganha só por ter pago a inscrição (ridiculamente cara, por sinal). Mesmo tendo feito tempos bem satisfatórios, eu abandonei as corridas de rua e entrei em contato com a atlética da FAU para ver se rolava disputar o BIFE de 2015, uma competição com a qual eu me identificava. Destinaram uma das vagas de formado para mim e lá fui eu para o meu segundo último BIFE. Fiz uma excelente prova dos 3000m, fiquei em segundo lugar apenas dois segundos atrás de um atleta uma década mais jovem que eu, conquistando uma honrosa medalha de prata.

Em 2016, resolvi que no ano seguinte começaria um curso de mestrado e, por conta disso, separei um dinheiro, pedi demissão e me dei um período de férias antes de começar a nova jornada acadêmica. Após algumas visitas ao Rio de Janeiro para ver jogos das Olimpíadas e uma viagem pelo mundo para conhecer parentes distantes, o orçamento para viagens estava curto. Eu precisaria economizar e deixar para viajar apenas lá pelo fim do ano conforme as sobras permitissem. O que fazer em São Paulo até dezembro chegar? Resolvi fazer uma carteirinha de ex-aluno para entrar no CEPE, voltar a treinar futebol e atletismo e disputar o BIFE pela terceira última vez. Estava treinando muito bem, mais uma vez ganhei medalha nos 3000m e estava indo bem no futebol – e o time estava mais competitivo do que nos outros anos. Eis que chega a notícia: a entrevista do processo seletivo para o mestrado estava marcada para um sábado de feriado, mesmo dia no qual estava marcada a partida de futebol IME x FAU pelo BIFE, em Registro. Fiz a entrevista com os futuros professores vestindo shorts e meião por baixo da calça jeans. No carro, já estava separada uma mala com as caneleiras e a camisa da FAU. Saí da entrevista direto pra Registro. Após um congestionamento infernal na estrada, parei o carro na frente do estádio, peguei minha mala com as coisas para o jogo, larguei o carro com a chave no contato e disse para a minha amiga que estava no banco do passageiro: “Assume aí, estaciona em algum lugar e me dá a chave depois do jogo”. Nem ouvi a resposta dela, saí correndo. Chegando lá vi os dois times uniformizados, senti um fio de esperança, quando percebi que cada um estava indo para o seu respectivo banco. O jogo havia acabado, com derrota da FAU. O BIFE de 2016 para mim terminou aí, segundos após minha chegada.

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Portuga (segundo da fila de cima, da esquerda para a direita) em equipe da FAU USP.

Em 2017, começou o meu mestrado (fora da USP). No primeiro semestre, a carga das disciplinas não permitia conciliação com os treinos. No segundo semestre, estou conseguindo treinar futebol e atletismo, ainda que não com a frequência que eu gostaria. Completo três anos de formado, pelo regulamento não terei o privilégio de disputar outro BIFE. A menos de um mês estou treinando para não fazer feio nos 3000m e junto com o time de futebol, que está mais unido, experiente e entrosado do que nunca; levarei a sério a máxima de jogar cada jogo como se fosse o último, pois de fato será o meu último último BIFE.

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