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Atletismo: como funciona o “esporte-base” no universitário?

por • 9 de outubro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Especial, IndividuaisComentários (0)407

Disseminado pelo mundo esportivo e com fama de uma das modalidades mais tradicionais e completas, o atletismo universitário ainda encara algumas dificuldades.

Por Rafael Oliveira

Uma das mais antigas e disseminadas modalidades esportivas do mundo, o Atletismo comemora o seu dia no Brasil em 9 de outubro. Considerado o “esporte-base”, já era praticado nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, na Grécia Antiga, por volta do século 8 a.C. Retomado já na primeira edição das Olimpíadas modernas, em 1896, teve a primeira federação internacional (IAAF) criada 16 anos depois.

No circuito universitário, o atletismo tem dois cenários bastante distintos: o mais qualificado inclui atletas profissionais, que competem em universidades que oferecem bolsas de estudo para atletas, como a UNIP, a UNG, o Mackenzie e a UniSant’Anna. Nesse contexto, tais atletas competem principalmente na série diamante de campeonatos de federações como a FUPE (Federação Universitária Paulista de Esportes). Atletas olímpicos, como Geisa Arcanjo (arremesso de peso) e Talles Frederico (salto em altura) estão inclusos aqui.

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Em outro extremo, estão os atletas “normais”, que dividem os treinos com a graduação e não levam o atletismo como profissão. As atléticas que se destacam dentro desse grupo são normalmente de cursos de medicina, em especial as atléticas que disputam a InterMed, como a Pinheiros, a Paulista e a Medicina ABC, além da Escola Politécnica da USP e escolas militares como a AMAN e a AFA.

 

Dificuldades

Nesse segundo universo, a consolidação do esporte esbarra em algumas dificuldades básicas. A primeira delas é a falta de espaços adequados para treinar a modalidade. Com raras exceções, a maior parte das atléticas sequer consegue montar times porque não há disponibilidade de pista para treinar.

Uma rara exceção é a USP, que desde 2013 possui uma pista sintética com 6 raias em seu Centro de Práticas Esportivas (CEPE). “É visível o salto que o atletismo da USP deu com a pista nova, com políticas de educação no uso delas e com o interesse dos atletas [a partir da reforma]. Resultados em diversas provas nunca foram tão fortes”, opina João Francisco Vargas Meireles, que além de atleta do Atletismo FEA-USP, é ex-presidente da Laausp e arbitra competições da Federação Paulista de Atletismo (FPA).

Além das dificuldades em iniciar uma equipe pela falta de espaços de treinamento, as atléticas encontram outra dificuldade: a falta de um calendário consolidado de competições. Em São Paulo, além dos campeonatos semestrais internos organizados pelas atléticas da USP (e que em setembro teve a primeira edição aberta, as únicas competições recorrentes são a FUPE e o TUNA (organizado pelas atléticas da Escola Politécnica, da Escola Paulista de Medicina e pela Medicina Pinheiros).

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Além disso, as atléticas menores esbarram nos custos elevados destes torneios. “Uma etapa de atletismo custa muito caro. Pelo [baixo] número de atletas inscritos, geralmente, os valores são muito altos e mesmo tentando amenizar os preços, muita gente acaba não se inscrevendo. Acho que quando encontrarmos uma forma de fazer com que a modalidade seja mais estável financeiramente, podemos fazer com que ela cresça ainda mais”, opina Mila Pamplona, que é membro da atual gestão da Liga das Atléticas Acadêmicas da USP.

Para João, porém, o principal problema da modalidade no universitário vai bem além da falta de pista ou competições. “Falta preparação dos nossos técnicos. O handebol tem um grupo de estudos na EEFE sobre técnica e tática e o atletismo não tem, apesar de estar em constante evolução de métodos. Todas as equipes treinam de forma quadrada, dentro da sua equipe. Além disso, o atletismo não é uma modalidade fácil e a constante evolução demanda repouso, vida regrada, menos exageros alimentares e com bebida. Não adianta ter uma pista boa, mil materiais, horário estendido, se os atletas têm um ritmo diferente”, aponta.

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Foto por Matheus Brant

Nos inters

Presente em vários dos mais tradicionais Jogos Universitários, como a InterMed, o Tusca, o InterUNESP, o InterUSP, os Jurídicos e o BIFE, a modalidade ainda é não consta em jogos importantes do circuito universitário – como o JUCA e o Economíadas. A falta do esporte se dá por motivos diversos.

“O JUCA é composto por faculdades que vivem realidades de infraestrutura muito diferentes. Enquanto a ECA dispõe de um complexo esportivo com condições aptas à prática da modalidade sem custo nenhum, as outras 7 faculdades teriam que procurar um local para a prática. Se encontrar quadras decentes a preços justos para universitários já é difícil, imagine um complexo para a prática de uma modalidade como o atletismo”, explica Gabriela Nogueira, presidente da Liga das Atléticas de Comunicação e Artes (LAACA).

Além da falta de estrutura para treinar, a dificuldade em encontrar cidades no interior — onde os inters costumam acontecer — com boas pistas também acaba pesando para a ausência da modalidade em vários campeonatos intercursos.

 

 

Crédito foto de capa: Por Caio Avino

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