PRG0001 – Esporte na Graduação: o esporte que vale créditos

por • 25 de setembro de 2017 • Cartola, Colaboradores, Colunas, Saúde & AlimentaçãoComentários (0)497

A PRG0001, nova disciplina criada pela própria Pró Reitoria de Graduação (PRG), tem intuito de disseminar o esporte na rotina dos alunos da USP. 

 

Por Alexandre Iponema Gallucci

PRG0001 – Esporte na Graduação: da teoria à prática apresentava, desde o seu início, um objetivo bem claro, segundo vídeo de apresentação da disciplina: por meio do esporte, criar novos espaços didáticos de formação acadêmico-profissional. A matéria segue a premissa de que o esporte é um fenômeno fundamental para o desenvolvimento de algumas características essenciais à vida e segue um padrão que já é usado por outras universidades mundo a fora.

Através de uma proposta diferente do que se vê normalmente no mundo acadêmico, a disciplina se estrutura basicamente por de vídeo-aulas (teoria), ministrados por docentes, e workshops (prática) – desenvolvidos pelos educadores nos centros de práticas esportivas do campus da capital e nos campus do interior

O Prof. Dr. Marcos Garcia Neira da FE USP, um dos docentes da PRG0001, considera que “reconhecer no currículo aquilo que o estudante fizer como prática corporal é uma coisa muito interessante”. E o número de cerca de 3.000 matrículas mostra que a ideia agradou.

Foto por Ana Broggi

Impacto nos alunos

Encontram-se diferentes razões para a matrícula daqueles que participaram da disciplina. André Carneiro, estudante da Poli, não praticava nada relacionado ao esporte universitário e se motivou com a matéria principalmente porque “queria ver como funcionava a ideia de reservar um tempo do período letivo para a prática esportiva”. Visto que o curso da escola de engenharia é integral, de modo que, para muitos, há dificuldade em organizar o tempo semanal para realizar alguma prática corporal.

Já Isabella Piola, também da Poli, mas atleta do esporte universitário, ressalta que fez a disciplina para “incentivar que o esporte se fixe como algo importante na universidade”. Além disso, Piola destacou semelhanças entre as duas maneiras de esporte “ambos podem ser frequentados por quem não conhece nada do esporte”. E também apontou diferenças “na disciplina, a presença se resume a apenas uma aula, já participar de uma modalidade pode fazer parte de toda a graduação.”

Leia mais:

As políticas da universidade: colapso da parceria LAAUSP-PRG | Revista BEAT
Dois anos para vender uma ideia: o esporte é importante para a USP | Revista BEAT

Contudo, mesmo com o esporte já consolidado na USP, ainda se percebe que ele atinge a minoria dos estudantes. Isso se reflete na utilização do CEPE. Para Neira, o Centro de Práticas Esportivas “é subutilizado, a não ser nos horários de treinos das atléticas, fora disso ele é vazio”.

Carneiro é um exemplo de aluno que raramente frequenta tal ambiente. “Eu tinha ido ao CEPE só para conhecer, realmente fazer alguma atividade foi só durante a disciplina”. Outra estudante que também cursou a disciplina, Anna Broggi, da ECA, diz “acabei conhecendo ainda mais o CEPE, mesmo passando por lá pelo menos 3 vezes por semana acabei descobrindo novas salas”. Aumentar o número de frequentadores desse espaço também era um dos objetivos da disciplina.

A diversidade das práticas dos Workshops foi um dos destaques: houve o oferecimento desde esportes já tradicionais, como basquete e futebol, até práticas pouco usuais como remo e snorming (modalidade subaquática, praticada com objetivo de melhorar a capacidade respiratória profunda e a tonificação muscular). Isabella diz “eu nunca imaginei que eu ia remar na Raia” e André fala que “valeu muito a pena ter feito a disciplina por modalidades que eu nunca fiz e que tive a oportunidade de fazer, como pilates e canoagem”. Anna, por sua vez, aponta que essa diversidade de práticas pode ajudar “enquanto no time se treina o tático, algumas das modalidades que foram apresentadas como pilates, musculação e outras podem ajudar na melhora a parte física”

 

Balanço geral

Concluída a primeira experiência, os dados das avaliações (feitas pelos alunos) da disciplina são positivos. 86% dos que fizeram a disciplina a avaliaram como ótima ou excelente. Esse e outros dados foram apresentados no 3º Congresso de Graduação. O motivo para a boa avaliação, segundo a PRG, é reflexo de outros dados também positivos. Por exemplo, 33% dos estudantes disseram que a disciplina proporcionou redução do estresse e da ansiedade e 23% sentiram melhora na disposição na vida diária. Outro dado interessante é que 17% afirmaram que a identificação com a USP melhorou.

Tal melhora com a identificação, segundo a estudante da Poli, Isabella, não é somente com os espaços da universidade, mas também com as práticas esportivas em geral. “Através da disciplina, é possível atingir aquelas pessoas que ainda têm um pouco de vergonha de aparecer num treino. A aula pode ser uma forma de quebrar o gelo e o esporte universitário só tem a ganhar”. Isso pode ser um elemento aproximador entre esse tipo de iniciativa e o esporte universitário tradicional. Hipótese que o professor Neira também concorda: “imagina uma pessoa que sempre quis jogar basquete e nunca conseguiu, se tivéssemos clínicas e oficinas da modalidade, a pessoa poderia se aproximar da prática”.

Marcos Neira ainda afirma que existem outras maneiras do objetivos propostos pela disciplina serem atingidos, por meio “da ampliação o quadro de profissionais, eventos e divulgação”. O professor também considera ser possível que as atléticas assumam parte disso: “atléticas, com apoio e recursos, poderiam contratar mais profissionais e, portanto, atingir mais pessoas. Ou até mesmo usar bolsas da própria universidade para serem utilizadas pelos estudantes que produzem conhecimentos nessa área”.

 

 

Crédito foto de capa: Anna Broggi

Posts Relacionados

Comentários fechados