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Jogos Jurídicos: Comissão especial intensifica projetos de antiopressão

por • 6 de setembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, DiversidadeComentários (0)326

Nos Jogos Jurídicos Paulista, algumas medidas estão sendo tomadas para diminuir e impedir que opressões ocorram durante os jogos e tornar o esporte universitário melhor para todas e todos.

 

Por Matheus Souza

Nem os Jogos Jurídicos nem nenhum outro inter ainda estão livres de casos de assédios, agressões e manifestações de preconceito. Para acabar com eles, as atléticas das faculdades e as empresas de organização de festas estão implementando uma série de projetos de conscientização e antidiscriminação.

A luta consiste em diminuir e impedir que opressões ocorram durante os jogos e as festas, como aconteceu com Débora Maciotti Silveira, durante os Jurídicos de 2011.

“Em uma das festas noturnas, fui agarrada à força por um menino que era o dobro do meu tamanho (e olha que eu sou grande). Ele tentou me beijar e só depois de um copo de breja na cabeça que ele me largou. O pior é saber que isso é super comum e nem de longe é o mais pesado que as minas sofrem nos Jogos”, desabafou ela.

Por isso e por outras situações, foram criadas comissões especiais, formados por membros das atléticas ou dos campi participantes e de coletivos das faculdades em parceria com a Usina Universitária, por exemplo.

Luisa Helena, uma das integrantes da Comissão AntiOpressão dos Jogos, entrou por que faz parte do coletivo feminista da PUC e tinha mais contato com essas pautas. Segundo ela, eles já atuaram no JUCA, no qual “também houve ações pensadas e voltadas contra a opressão e discriminação ao público LGBT”. 

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Mas eles prometem que as ações vão ser amplas, atingindo diversos públicos. Segundo o responsável pelo projeto, Risaldo Magalhães de Carvalho Jr., as medidas vão abordar aspectos diferentes em cada local. 

“Trabalharemos com uma comunicação bastante incisiva nas festas e na arena, com equipe qualificada em diversidade nos pontos de apoio. Haverá uma sensibilização das equipes de bar e segurança, além de outras ações que ainda estão sendo estruturadas”, explica ele. 

É importante ressaltar o quanto as comissões de cada atlética desempenham um papel fundamental. Segundo Risaldo, a discussão ainda é recente em vários âmbitos e alguns lugares ainda enfrentam dificuldades em tratar do assunto. Isso faz com que a abordagem tenha que ser diferenciada. 

“Ainda que se tratando do mesmo curso, as atléticas e faculdades vivem realidades completamente diferentes. Algumas são mais engajadas e trabalham o assunto com mais naturalidade, enquanto que para outras ainda existem alguns tabus”, ressalta.  

Para ele, a ideia é que a colaboração das atléticas venha a partir de ideias, insights e com a sensibilidade que possuem sobre seus próprios públicos, possibilitando que o projeto atenda cada vez mais pessoas, indo além dos Jogos Jurídicos, inclusive. 

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Capacitação contra opressão para a LIEU. Crédito: Divulgação/LIEU

Um exemplo vem da LIEU (Liga Interuniversitária de Esportes Universitários), organizadora do O Inter. No último dia 20 de agosto, a instituição ofereceu uma capacitação para os membros da Liga, na qual foram abordados temas como racismo, lgbtfobia e machismo.

De acordo com Helena Salla, membro da Comissão Sociocultural da LIEU, a iniciativa é um destaque da empresa dentro do ramo dos jogos universitários. Mas ela destaca algo muito importante: “a preocupação nesses Jogos é não somente com o âmbito das festas, mas passa pelas quadras também”. 

Isso porque os casos de assédio que acontecem dentro das quadras são inúmeros. Apesar da simplicidade com que o regulamento do O Inter trata as questões de discriminação, ela é passível, sim, de punição, algo que não acontece nos Jurídicos.

No regulamento do O Inter existe um parágrafo que proíbe qualquer tipo de discriminação, sendo passível de punição. O caso é anotado por um representante neutro na ficha de intercorrência, mas qualquer pessoa pode entrar com um recurso contra a acusação, segundo Helena. “À noite, o conselho disciplinar, formado pela vice-presidente, pelo presidente da CO esportes e pela advogada, decide ou não por uma punição, que pode ter várias naturezas”, explica.

Já no regulamento dos Jurídicos, as menções a discriminações quase não aparecem. Fato, inclusive, que pode ser um “problema nesse primeiro ano de implementação dos projetos de antiopressão”, alerta Luisa.

Mas, o mais importante nisso tudo é que as pessoas afetadas comecem a se ver representadas e mais confortáveis em ocupar esses espaços. Débora, que também faz parte da comissão antiopressão dos Jogos Jurídicos, acredita que, apesar de o projeto ainda estar bem no início, tem grandes chances de obter sucesso.

“Temos muito caminho pela frente. Não se muda a cultura de uma vida do dia para a noite. Sabemos da resistência a ser enfrentada, mas o que nos dá ânimo é saber que a parcela de pessoas que efetivamente querem fazer diferente é muito maior. O nosso momento é de iniciar as conversas porque esse assunto nunca foi falado num nível organizacional. Nosso maior cuidado será equilibrar as ações para não cairmos no ‘punitivismo’. Precisamos conscientizar, sensibilizar e educar, para depois impor as medidas como sanção… É a virada de chave”, afirma ela. 

 

 

Crédito foto de capa: Por Júlia Favero (Jogo que aconteceu no JUCA 2016 – Imagem meramente ilustrativa)

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