intermed

InterMed tem ataques racistas: torcida xingou e jogou bananas

por • 6 de setembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, DiversidadeComentários (0)29338

InterMED apresentou mais uma vez casos de ofensas raciais das torcidas durante os jogos.

 

Por Patrícia Beloni

O InterMed 2017 (de 2 a 9 de setembro, em Barretos) registrou mais um momento triste na história dos jogos universitários e do esporte: um atleta da Faculdade de Medicina da USP foi vítima de racismo durante a competição.

“Preto, negro, você é um lixo”, “Olha sua cor, você é negro. Com certeza passou por cotas, né?”, foi o que o aluno ouviu durante sua primeira temporada defendendo a camisa da Med na competição mais importante do ano.

Mesmo com todo o barulho da torcida, com a bateria e com a adrenalina de estar em quadra, o atleta não conseguiu simplesmente fingir que nada estava acontecendo. “Por mais que a torcida da minha faculdade se esforce e consiga abafar os gritos de ódio da torcida adversária, algumas coisas ainda passam”, desabafou em sua página do Facebook.

 

Leia também:
Racismo no esporte, a ponta do iceberg | Revista BEAT
Jogos Jurídicos Paulista: Comissão intensifica projetos antiopressão | Revista BEAT
Estudante de Medicina da USP denuncia racismo em evento esportivo | Estadão

 

O caso ainda não foi apurado, mas não é o primeiro nem do InterMed nem dentro do esporte universitário. Atletas relataram que nessa edição que integrantes das torcidas jogaram bananas na quadra e imitaram macacos. Mas em anos anteriores, outros grupos foram alvos de ataques, como os judeus do beisebol da Med ABC, que foram ofendidos com menções ao Holocausto.

Amigos da vítima mostraram apoio na rede social e indignação pelo ocorrido, sugerindo denúncias e medidas de punição. Até o momento, ainda não tivemos posicionamento oficial da LEAMESP (Liga Esportiva das Atléticas de Medicina do Estado de São Paulo), mas de acordo com alunos, nada consta em específico sobre a situação no regulamento do campeonato.

Entretanto, vale lembrar que, em caso parecido em 2016, a Liga deu uma nota de repúdio a um ato de discriminação de um grupo que criticava alunos com cotas. Comprometeram-se a investigar o caso e promover uma punição para os envolvidos.

Já a Atlética da Med USP está pensando em providências. “Ainda estamos discutindo de que maneira isso será feito”, alegou Bárbara Colonno, vice presidente da Atlética. Logo, a instituição deve soltar uma nota de repúdio e posicionamento sobre o ocorrido.

Enquanto isso, as vitórias até chegaram, mas não foram o suficiente para fazer o atleta vítima do racismo fingir que nada havia acontecido. “Isso não é esporte, isso não é certo, isso é inaceitável. Por mais que vitória nesses dois jogos tenham trazido algum relento, fica difícil esquecer”, disse.

 

Crédito foto de capa: Por Luisa Zucchi

Posts Relacionados

Comentários fechados