futebol feminino

#TBT A criação do Futebol Feminino da FAU

por • 28 de setembro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Jogo a JogoComentários (0)231

O Futebol Feminino universitário ainda tem muito caminho a percorrer, mas cresce ano a ano. Saiba um pouco da história da equipe da FAU USP.

 

Por Leila Anjos Tanaami

Em meados de 2015, começamos o projeto de futebol feminino dentro da Atlética da FAU. Alguns fatores influenciaram essa escolha: o Rui Ybarra, quem deu início a todo esse processo, já havia conversado com algumas meninas da FAU que haviam manifestado o interesse na iniciativa e, como na época ele já era afiliado à Atlética da FAU por causa dos times masculinos, conseguimos facilitar o procedimento para começar os treinos.

Como qualquer modalidade que se inicia, eram muitas as barreiras que tivemos pela frente naquele primeiro semestre: dificuldade de montar quórum, de estabelecer uma sequência de treinos, de organizar a infraestrutura que precisávamos (bolas, coletes). Mas, o que eu acredito ser nosso principal desafio até hoje e que já se manifestava na época era bater de frente com uma ideia enraizada em nossa sociedade de que o futebol não é um esporte de mulher. Ainda nesse mesmo ano, a notícia de que a FAU estava com um time de campo feminino se espalhou, várias meninas interessadas de outras faculdades vieram nos procurar querendo treinar. Era notável que a demanda pelo futebol feminino na USP existia, o que faltava era a oportunidade.

Então, em 2016 foi acertada a parceria com a LAAUSP: passamos a existir como uma Seleção, porém em diferente formato. Não haveria seletiva e qualquer menina da USP poderia treinar. Acredito que foi essa a decisão mais acertada nesse projeto até agora. Com o apoio da LAAUSP, garantimos a infraestrutura necessária para o projeto sobreviver e ser aberto a todas fez com que o quórum de nossos treinos aumentasse vertiginosamente (chegamos a fazer diversos encontros com mais de 20 meninas). Também em 2016, conseguimos fazer alguns amistosos contra as categorias de base do Centro Olímpico, nos quais ficou claro que o caminho que tínhamos a percorrer para nos estabelecer como uma equipe competitiva era ainda bem longo.

No início do segundo semestre de 2016, uma notícia boa: o futebol feminino seria incluso como modalidade demonstrativa no BIFE. Foi um grande incentivo ter o reconhecimento de nossa modalidade em um inter tão importante para tantas atléticas e a prova de que estávamos no caminho certo. É claro que nem tudo são flores, quando chegamos na cidade pudemos ver que as condições físicas para o nosso jogo não eram as ideais, ainda que o gramado (muitas vezes o vilão) fosse bom, o campo era pequeno e com muitos aspectos completamente desproporcionais. De qualquer forma, a disputa seguiu e o que pudemos ver foi a inclusão de ainda mais meninas no projeto.

No fim do ano passado, nosso companheiro de batalha, Rui, nos avisou que não mais seguiria como técnico da Seleção. Para qualquer menina que treinou ao longo daquele tempo, era impossível não reconhecer o papel fundamental que o Rui teve para o sucesso do projeto. Sua dedicação ao time e à construção de uma equipe, tanto no aspecto técnico quanto social, foi essencial para podermos dar nossos primeiros passos e podermos nos reconhecer enquanto conjunto. Justamente por essa identificação, nesse momento difícil de despedida, nós sabíamos que quem estava alí era um grupo de pessoas dispostas a assumir o compromisso de levar o projeto à frente.

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Iniciamos este ano com o objetivo inicial de encontrar quem seria nosso próximo técnico. Mais do que nos instruir, era necessário encontrar uma pessoa que acreditasse no projeto e estivesse disposto a superar as dificuldades – que certamente apareceriam quando se trata da estruturação de uma nova modalidade. Depois de alguns meses de conversas e propostas, fechamos com o Luan e começamos nossos treinos.

Para quem acompanha esse processo, é impossível não se colocar otimista em relação ao futuro do projeto. Dentro da atlética da FAU, conseguimos também a inclusão da modalidade no InterFAU e caminhamos rumo ao segundo ano de Futebol Feminino no BIFE. Reconhecemos que o caminho é árduo e as barreiras serão muitas, é um projeto que depende além da dedicação individual muita vontade em construir o coletivo. Porém, é extremamente gratificante saber que uma ingressante na USP, hoje, tem nos campos de futebol mais uma possibilidade de encontrar o amor pelo esporte universitário.

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