voltar a treinar

Fim de férias: melhores formas de voltar a treinar

por • 3 de agosto de 2017 • Basquetebol, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Jogos da Liga, Rugby, Treinamento, Uncategorized, VôleiComentários (0)484

Ficar sem treinar nas férias é bom ou ruim? Quanto tempo parado prejudica o rendimento do atleta? Veja o que os técnicos falam de seus cronogramas e das formas de voltar a treinar.

 

Por Patrícia Beloni

Tão aguardadas ao longo do ano, as férias podem significar algo não tão gostoso para os atletas universitários: a pausa nos treinos. Apesar de exercer grande influência no rendimento, a paradinha é necessária e faz parte do próprio planejamento realizado pela maior parte dos técnicos, independente da modalidade esportiva.

“Elas são importantes para descansar corpo e mente e recarregar as energias”, explica o profissional de Educação Física pela EEFE e mestrando em Ciências da Atividade Física pela EACH USP, Thiago André Rigon (Thiba). “Mesmo a Med Paulista, que tem competição importante logo em setembro, acaba parando por pelo menos dez dias em julho”, aponta  o técnico de futsal hoje da Seleção USP feminina, da Escola Paulista de Medicina feminina, FGV feminina e do MRW/Praia Grande masculino.

Por isso, cada profissional monta um cronograma de treinamento já no início do ano, que prevê desde sessões para ensinar ou relembrar os fundamentos de cada esporte, posicionamento em quadra, até situações de jogo.

Nele, “sempre tem que ser respeitado o momento de repouso e recuperação. Ele é fundamental para o desenvolvimento não ser brecado por lesões e overtraining [excesso de treino]”, ressalta Diego Fioratti Florez, também  bacharel em Educação Física pela EEFE-USP, e técnico de basquetebol da Associação Brasileira “A Hebraica”), da Seleção USP masculino e da EEFE masculino e feminino.

 

Mas quando parar faz mal?

Segundo Florez, estudos afirmam que o “destreinamento acontece a partir de uma semana de pausa. Sendo assim, quanto mais prolongado o período sem estimulação, pior. O ideal é parar o mínimo possível, respeitando o tempo de descanso”, explica. Mas para ele, tudo depende “do quão desgastante foi o período de treinamentos e da rotina da pessoa. Se os treinamentos não estiverem num período muito intenso e volumoso, nem precisa de pausa para a recuperação”.   

Em geral, os profissionais da área acreditam que o intervalo deva girar em torno de 10 a 20 dias. Isso porque, se for menos tempo, o descanso necessário pode não acontecer e nesse caso, parar não é tão benéfico para a recuperação (inclusive de lesões que possam existir); e se for muito mais tempo, a pausa implica em uma grande queda de rendimento.

“Quanto mais tempo parado, mais tempo para entrar em forma também”, destaca Thiba. “A parte mental também é importante e por conta de uma rotina muito desgastante de treinos, um intervalo para reflexão e ajuste se faz necessário”. E vaIe lembrar que isso serve tanto para atletas como para os técnicos e técnicas. O professor também precisa descansar e se preparar e programar um planejamento para uma nova bateria de treinos e jogos.                      

Leia mais:

Modalidades de férias: o slackline | Revista BEAT
As 5 fases das férias do atleta universitário | Revista BEAT
O que pensar para prevenir lesões | Revista BEAT

Mas o maior problema é a exposição que o corpo sofre a lesões no retorno à rotina. Quem é atleta sabe a sede que dá de voltar a treinar depois de certo tempo longe. Nada de alongar, aquecer, ir devagar. A saudade faz a vontade de continuar de onde parou ser maior e deixa o corpo mais suscetível a se machucar. “O atleta retorna descansado, empolgado pra treinar e jogar, e acaba por vezes exagerando no volume”, destaca Florez.

Por isso, ele aconselha: é importante se cuidar. “Ninguém gosta de ter uma performance fraca ou de se lesionar. Para se divertir na vida universitária não é necessário se estragar a ponto de estar mal fisicamente. Não tem que se privar de ir a festas ou fugir do bar, o convívio social é importante demais. Mas se cuidar é essencial”, reforça.                     

 

Readaptação: demora muito?

“Quando bem planejada, a readaptação não é longa e nem difícil”, revela Florez. Mas isso para as paradas consideradas “boas”. Aquilo de parar 2 meses ou mais nas férias do final do ano complica a volta. “No caso de pausa total nas atividades por tempo prolongado, o cuidado tem que ser grande na escolha dos conteúdos trabalhados nos treinos, assim como o controle de carga”, completa.

Mas não dá para negar que na volta das férias, o rendimento das equipes tende a ser fraco e o índice de lesões pode ser maior. Por isso, “vale muito a pena dedicar o tempo de férias a cuidar, minimamente que seja, do corpo”, aconselha Diego. Aquela corridinha no parque, andar de bicicleta, e para os mais preguiçosos, umas caminhadas e alongamentos de vez em quando já ajudam.

Crédito: Divulgação gabinehring.com

 

Na volta aos treinos, o ideal é que o as práticas envolvam elementos de força para a preparação e ativação física, e exercícios que estimulem o preparo aeróbico. “Fazer uma avaliação inicial da condição dos atletas também é útil para que o trabalho inicie e se desenvolva em bases adequadas”, ressalta Thiago Rigon.

 

Como dever ser o planejamento então?           

“Cada time tem um estilo diferente e requer um tipo de foco no treinamento”, explica Julia Sant’Anna, auxiliar do time de vôlei do Direito PUC feminino, e ex-técnica do time masculino da Geologia da USP. Os torneios a serem disputados, os números de treinos semanais, quantidade de atletas, o histórico esportivo, o objetivos das equipes, as capacidades físicas e conhecimento do jogo, por exemplo, tudo isso faz diferença.

“É claro que existe uma base comum para todas as equipes, mas também tem uma parcela variável que traduz a identidade de cada equipe”, explica Thiba. Por isso, existem alguns métodos que fazem parte da adoção de estratégias que são escolhidas pelos técnicos, em função do esporte e das características do time. “Eu costumo falar que, mesmo com essa base comum, cada equipe minha acaba jogando de forma bem diferente”, diz ele.

No geral, o planejamento é feito anualmente, considerando o calendário da equipe, e possui ciclos menores com focos mais específicos dependendo de cada esporte, às vezes dividido por semestre. “A cada início de semana, os treinos são montados com os exercícios de acordo com o desenvolvimento e evolução do time, e contra quem será o jogo mais próximo”, conta Julia.

No vôlei, por exemplo, Julia destaca a noção do tempo de bola, que volta um pouco defasada e precisa de mais atenção. Mais tudo depende da avaliação do profissional. Já no basquete, Diego acha importante o domínio dos fundamentos e as capacidades físicas, que são determinantes fazer a técnica evoluir. É o que influencia diretamente nos treinos, é fundamental para não errar no planejamento e acabar perdendo tempo (que costuma ser reduzido) com conteúdos pouco importantes.

“Claro que existem reavaliações durante o ano e modificações, principalmente com o uso de quadras externas e as intempéries enfrentadas (as chuvas mudam tudo)”, lembra Diego. E é exatamente esse planejamento e suas avaliações que permitem chegar a conclusões de como o ano foi para aquele time, detectar as falhas e os acertos, e melhorar para a próxima temporada.                        

Daí a grande importância de “programar” os treinos. “O trabalho do técnico no planejamento e a escolha dos conteúdos em cada momento do ano, assim como o controle da carga de treinamento (volume e intensidade), podem ser o diferencial entre uma temporada fraca ou cheia de conquistas”, completa.

 

Posts Relacionados

Comentários fechados