Universiade 2017: expectativas da delegação brasileira

por • 16 de agosto de 2017 • Basquetebol, Colunas, Entrevista, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Jogo a Jogo, Rugby, VôleiComentários (0)289

A Universiade é um dos principais campeonatos do calendário da CBDU. Esse ano, a competição ocorre em Taipei, capital de Taiwan. Confira a entrevista com Luciano Cabral, presidente da CBDU.

 

Por Revista BEAT

A 29ª edição da Universíade de Verão 2017 acontece em Taipei, capital de Taiwan, entre 19 e 30 de agosto, e contempla 21 modalidades: atletismo, basquetebol, saltos ornamentais, esgrima, futebol, ginástica artística, ginástica rítmica, judô, natação, tênis de mesa, taekwondo, tênis, voleibol, polo aquático, tiro com arco, badminton, beisebol, golfe, patinação, halterofilismo e wushu.

Entrevistamos o presidente da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU) para entender melhor quais são as expectativas da confederação, nossas chances de medalha e como o campeonato influencia no esporte universitário nacional.

 

Revista BEAT – Como vai a equipe do Brasil para a edição de 2017? Quais são as expectativas?

Luciano Cabral – A delegação brasileira está composta por 300 pessoas. Tecnicamente, é uma das delegações mais fortes, e isso é natural, pois é o primeiro ano do novo ciclo olímpico, então geralmente todos os países vão com equipes mais fortes. Na segunda Universiade dentro do ciclo, que será a próxima, em 2019, por estar mais próxima dos Jogos Olímpicos, e quando já acontecerão muitos jogos continentais, Pan-Americanos, jogos europeus, asiáticos, acaba por dividir um pouco a força dos países. E aí, claro, os países que têm o esporte universitário com uma cultura mais forte, acabam se destacando mais ainda. Existe uma inversão. O Brasil, por exemplo, tem uma tendência para dividir os atletas olímpicos, e a gente perde força no esporte universitário, pois os atletas de maior rendimento acabam optando pelos Jogos Pan-Americanos. O que é o contrário dos EUA, que acabam enviando uma equipe mais forte para a Universíade e uma equipe menos expressiva para os Jogos Pan-Americanos.

Esse ano, o Brasil vai com uma equipe muito forte, nós fizemos um grande esforço em cima do atletismo e da natação para enviar duas grandes delegações. Acredito que essas duas são as maiores da história do Brasil, mas vamos também competir com equipes fortíssimas.

RB – Historicamente, como o Brasil se sai esportivamente na Universíade?

LC – O Brasil tem crescido nos jogos mundiais universitários, na Universíade especificamente, mas também nos Campeonatos Mundiais. O Brasil é top 10 no mundo, e nas Universíades tem ficado nos últimos anos entre 13° e 20°. E quando eu falo em top 10, é somando todo o calendário do esporte universitário, contando com Campeonatos Mundiais, com Ligas, com Universíade. E a nossa expectativa é ficar entre os 10. Esse é o nosso desejo.

RB – Existe algum apoio financeiro da CBDU e das IES para que os atletas compitam? Como a maior parte dos atletas arcam com os custos do campeonato e da viagem?

Os atletas universitários são atletas amadores, nosso esporte é um esporte educacional de alto rendimento. Naturalmente, nós temos diversos atletas olímpicos que são estudantes e competem, portanto, o atleta universitário não pode receber recurso nenhum. O que eles recebem das universidades são apoios através de bolsas de ensino, e o que a CBDU luta e fomenta é que as universidades ofereçam bolsas de 100%, bolsas integrais, para que os atletas possam representar as universidades e possam também disfrutar da plataforma que a universidade dispõe, dos equipamentos esportivos e da própria experiência que o curso oferece, principalmente cursos que promovem pesquisa, que promovem conhecimento em torno do esporte.

Com relação à participação dos atletas representando o Brasil, a CBDU custeia todas as despesas. No caso da Universiade, ela é 100% financiada pelo Governo Federal, pelo Ministério do Esporte, e os atletas têm todas as despesas pagas. Taxas de inscrição, diárias na Vila dos Atletas, passagens, deslocamentos internos no Brasil, deslocamento internacional, refeições na Vila, seguro viagem e um kit de uniforme (passeio e competição). O atleta chega ao evento com toda a assistência, apenas focado em competir. Em todas as competições internacionais, a CBDU custeia 100% das despesas de todos os atletas. A Comissão Técnica ainda recebe uma pequena ajuda de custo, que são as diárias. A CBDU nunca permitiu, na nossa gestão, que os atletas custeassem. Essa é uma política do Brasil, que é diferente, por exemplo, dos EUA, onde cada atleta americano, para disputar a Universíade, paga para uma empresa privada um montante de mais de quatro mil dólares, mais as passagens. Eles recebem um agasalho e uma camiseta. Aqui no Brasil, nós pagamos tudo, ainda oferecemos assistência médica, assistência psicológica, nutricional, assistência de viagem, uniforme e equipamentos de competição.

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Equipe de Vôlei Masculino em amistoso em Taipei. Foto por Felipe Herrmann/CBDU

RB – A CBDU possui algum papel dentro da organização da própria Universíade?

LC – A CBDU tem papel fundamental na Universíade, mas não como CBDU. O presidente da CBDU é vice-presidente da Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU), e isso foi uma conquista do Brasil desde 2007. A gente conseguiu esse espaço na FISU, e com a ida do presidente da CBDU para a FISU, foram-se abrindo portas para outros brasileiros. Hoje, alguns brasileiros ocupam posições de destaque na FISU. O diretor técnico de vôlei de praia é brasileiro, e diretor Administrativo da CBDU [Mário Ferro]; o delegado técnico de futsal é brasileiro, e vice-presidente da CBDU [Alim Maluf Neto]. Na Comissão de Controle, nós temos membros da CBDU, no Departamento Médico nós temos o diretor Médico da CBDU [Carlos Carneiro]. Ou seja, vários brasileiros foram ocupando espaço na FISU e, claro, sob o comando do presidente que, ao ser vice-presidente da FISU, acaba tendo um papel de destaque na organização e gestão do esporte universitário mundial.

RB – Qual a importância de bons resultados na Universíade para o desenvolvimento do esporte universitário no país?

LC – Os bons resultados são os que despertam interesse da população e da comunidade em geral. O bom resultado acaba sendo divulgado e as pessoas tomam conhecimento, e é isso que a CBDU pretende, que as pessoas descubram o esporte universitário, descubram, por exemplo, que 53% das medalhas que o Brasil conquistou nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro são de atletas que passaram pela CBDU. Importante associar esses resultados ao fato desses atletas serem estudantes universitários, e importante as pessoas acreditarem que é possível estudar, ter sua formação superior e também praticar esporte de alto rendimento. Importante que os pais saibam disso e, ao contrário de tirarem seus filhos do esporte quando eles chegam na idade escolar, prestes a ingressar na universidade, saibam disso e vejam que é possível. Que eles encontrem seus ídolos do esporte, identifiquem seus ídolos do esporte também dentro do ambiente educacional, para que a gente possa definitivamente mudar essa cultura dentro do Brasil de que esporte e educação não caminham juntos. Isso é uma grande inverdade e o esporte não só é possível de ser praticado em alto rendimento junto com a formação educacional, como é também um grande instrumento de auxílio à formação educacional e favorece, inclusive, o desenvolvimento curricular dos alunos.

 

Crédito foto de capa: Seleção Brasileira Universitária de Futebol Feminino em amistoso, Taipei. Por Felipe Herrmann

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