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INTERFAU 2012: Os bastidores de um título inesquecível

por • 31 de agosto de 2017 • Colaboradores, Colunas, EspecialComentários (0)480

O InterFAU de 2012 é uma lembrança histórica para a FAU-USP e emocionante para qualquer um que a conheça. Desde a fundação da sua atlética, em 1994, foi o primeiro título geral conquistado no Inter.

Por William Chinem e Gestão Atlética FAU-USP 2012


InterFAU:
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omo escolher dentre tantas histórias aquela mais marcante? Com o passar do tempo, as lembranças se misturam: algumas mudam de gavetas, se escondem ou são escondidas. Outras surgem e permanecem intensas como se pertencessem ao presente. Há momentos pontuais, mas também existem aqueles que sobrevivem na nossa memória até hoje.

Foi assim que revisitar o último ano em que a FAU foi campeã do InterFAU se transformou no mergulho no tempo mais prazeroso de ser feito. Com a chegada de mais um InterFAU, impossível não relembrar do ano de 2012, o ano do título, e do quão gratificante foi poder participar dessa história.

Assim como todo objetivo alcançado começa muito antes da sua conquista efetiva, a história do título de campeão geral – que a FAU não ganhava há pelo menos 15 anos, começou muito antes de setembro. E como toda história, foi construída nos detalhes. Todo atleta e todo time participante de jogos universitários sabem como é conviver com as superações individuais e coletivas, com as despedidas e aposentadorias dolorosas que se contrastam com a alegria da chegada de novos membros.

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Sabemos que a mudança de ciclo no universitário existe e existe para todos. Vontade de vencer? Todos têm. Dificuldades, empecilhos, derrotas também. Um título de campeão geral só é possível pela superação de cada uma dessas equipes e atletas de maneira conjunta e integrada. E é por isso que alcançar a vitória é algo que, como a vida, se constrói nos detalhes.

Se para cada time que ajudou na conquista de um título tem uma história  com início diferente, para nós, atleticanos, talvez tenha sido em janeiro, na reunião de formação de chapa. Foi ali onde nos formamos enquanto equipe e reafirmamos a razão da existência de nossa entidade: promover a integração por meio do esporte e fazer todo o possível para sempre proporcionar uma boa estrutura aos atletas e equipes.

O resultado, ainda que extremamente feliz, jamais valerá mais que o processo e, por isso, nossa vitória não foi o mais importante, mas sim a forma como aconteceu – imaginando e sonhando juntos, atlética e atletas, durante todo o ano.

Entre erros, acertos, perrengues e momentos incríveis, chegamos em setembro ao primeiro Inter disputado no ano pela FAU. Na bagagem levamos Lina Bo Bardi, João Batista Vilanova Artigas e Oscar Niemeyer, que durante todos os jogos estiveram ao nosso lado, pulando, vibrando, torcendo e puxando a bateria, materializados na figura de bandeirões com as cores de nossa entidade. Transportamos para Itapetininga a boa energia e a amizade construída junto da garra dos atletas e da vontade de vê-los se divertir. E claro, trabalhamos para que o open estivesse sempre presente para refrescar a derrota ou celebrar a vitória.

O Interfau possui muitas peculiaridades que o difere de outros inters e uma delas  é ter a duração de 9 dias, em um camping com todas as faculdades reunidas. Com jogos concentrados principalmente nos 2 finais de semana, o meio da semana possibilita um período de descanso dos ginásios.

E foi justo na quarta-feira, exatamente na metade do interfau, que ocorreu o momento mais bonito e emocionante de todos os Inters que já participamos. A quarta-feira é, tradicionalmente, o dia em que a atlética organiza um churrasco para todos da FAU, a fim de integrar todas as gerações fauanas e compartilhar histórias. Se o conceito de “meio” se relaciona à imagem de algo que divide um começo e um fim, um antes e um depois, aquele dia se converteu de maneira muito simbólica em um divisor de águas.

Durante a noite, de modo espontâneo, muitos de nós e nossos amigos passamos a nos abraçar em silêncio, em memória de João Gozzo, grande amigo, atleticano e C.O, interfau que faleceu dias antes do interfau 2011. Ali permanecemos por um momento. A energia daquele abraço coletivo com certeza nos fortaleceu enquanto amigos, enquanto colegas de faculdade, enquanto FAU, e todas as dificuldades pelas quais passamos para organizar e estar presente naquele Interfau adquiriu outro sentido, muito mais sincero.

Reafirmar nossa presença ali, curtindo juntos e vendo a boa energia de todos os presentes, era também reafirmar a presença e dedicação de Gozzo, que no ano anterior não pôde desfrutar do Inter que ele mesmo estava organizando.

Então chegou sábado, o dia das finais. O dia dos atletas provarem em quadra o esforço de todo um ano. Dia para nós atleticanos estarmos ali junto aos times e torcida, 200% do tempo, auxiliando no que fosse necessário. A cada jogo uma emoção indescritível. E assim, vibrando jogo após jogo, chegamos à final do futsal feminino, que trouxe consigo a tensão e responsabilidade de poder definir matematicamente o título de campeão geral para nossa faculdade. Nossa equipe controlando o jogo, à frente no placar. Contagem regressiva. 5. 4. 3. 2. 1! O tão sonhado momento finalmente havia chegado!

Cada torcedor, cada atleticano, cada comissão técnica e cada atleta viram suas próprias superações e os motivos daquela conquista se tornar realidade. Mas a confirmação matemática do título não acabou com todas as tensões: o outro lado da arquibancada não aceitou a derrota de um troféu que era ostentado há tantos anos.

Apesar da alegria da vitória, não pudemos celebrar. Em vez disso, saímos do ginásio direto para o hospital, carregando um gosto amargo na boca, um uniforme queimado, um bandeirão rasgado e a dúvida do porquê fazer parte de um campeonato que acabava dessa maneira.

Horas depois, ainda vivendo uma grande mistura de sentimentos, o ápice da emoção de todos que construíram essa linda vitória com certeza foi cantar juntos, com uma cerveja na mão e ao som de Queen, “We Are the Champions”! E não à toa, essa música foi repetida muitas e muitas vezes naquela noite. Por questões de segurança após os ânimos exaltados, a última balada geral, que marca a última confraternização no inter entre todas as faculdades, teve de ser cancelada e substituída por festas individuais. Mesmo assim, rever a união de tantas pessoas queridas, comemorando juntas um objetivo alcançado em comum, reconstruiu os significados individuais e coletivos de tanto trabalho para cada fauano ali. Foi um grande orgulho fazer parte daquele momento.

E assim chegou ao fim um Interfau épico para todos que ali estiveram. O título, apesar de sensacional, não teria a mesma dimensão sem cada detalhe construído ao longo dos anos, que transformou o apito final da vitória do futsal feminino em algo muito maior. E como se o 1º lugar não fosse suficiente, de quebra trouxemos para casa o 3º lugar geral conquistado por nosso amigo Kim, com a boca machucada (6 pontos de costura), ultrapassando todas as outras faculdades que foram penalizadas e fecharam com uma pontuação menor. Com certeza um feito inédito que dificilmente se repetirá.

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