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Prazer, Universidade Federal do Amazonas

por • 11 de agosto de 2017 • Basquetebol, Cartola, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, VôleiComentários (0)2018

A prática esportiva nas universidades ocorrem de diferentes formas pelo Brasil inteiro, de diferentes formas, mas com semelhantes problemas. Saiba mais como é o esporte universitário em Manaus.

Por Matheus Vasconcellos

Um dos principais espaços de prática esportiva em ambiente universitário da região, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) ainda vê engajamento em seus estudantes para representar seus cursos e a instituição. Porém, atletas costumam dividir ano após ano um misto de expectativas e dificuldades.

Trata-se da maior universidade do Amazonas, são mais de 70 cursos e vinte mil estudantes apenas na capital. No interior do estado, são mais de quatro mil estudantes que diariamente ‘fazem acontecer’ a universidade. Entretanto, muito além de sua história centenária, no esporte, a UFAM tem sobrevivido com dificuldades.

Ao contrário do que acontece em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, na UFAM a existência de entidades que respiram o esporte universitário (e, portanto, fazem acontecer) ainda é incipiente. Ou seja, aqui em Manaus, quase não há Atléticas. É possível citar apenas a Atlética de Psicologia, com apenas um ano de existência, e a Associação Atlética Acadêmica Lendária do curso de Medicina. Porém, no curso de agronomia, a estudante Valéria Rodrigues lembra que descobriram o registro de uma atlética do seu curso em cartório. No momento, estão buscando maiores informações para reativar a atlética.  Além disso, há o registro em cartório feito por um grupo de estudantes em 2001 contendo os primeiros e únicos documentos existentes da Associação Atlética Acadêmica da Universidade do Amazonas (A.A.A.U.A), que em outras palavras, seria a maior representação esportiva UFAM.

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Sobre os campeonatos, basicamente as emoções do esporte universitário na UFAM estão voltadas para os Jogos Universitários da UFAM (JUUFAM) organizado pela própria instituição, os Jogos Universitários do Amazonas (JUA’s) – sob responsabilidade da Federação Amazonense Universitária de Desporto (FAUD), Jogos Universitários Brasileiros (JUB’s) e Liga do Desporto Universitário (LDU). Já as competições paralelas entre os cursos, unidades e faculdades estão se tornando cada vez mais tímidas e isso tem dificultado a retomada de força da universidade no âmbito esportivo.

As dificuldades comuns: estrutura e apoio

De acordo com Kaio Ricardo, ex-atleta e atual treinador da equipe de futsal masculino da UFAM, “a utilização dos espaços esportivos, mais especificamente das quadras, é o que mais chateia. Tendo em vista que a instituição não possui um complexo esportivo, utilizamos as quadras da Faculdade de Educação Física, com a devida autorização da Unidade Acadêmica, através de reunião do Conselho Diretor da Universidade. Essa também não é a forma mais adequada, já que as quadras da Faculdade de Educação Física são utilizadas para as aulas práticas do curso. Então, temos que utilizar os horários vagos, que geralmente são no final da noite. Nossa equipe treina de 21 às 22:30h nos dias de terça e quinta e no sábado à tarde.”

Atletas de outras modalidades percebem o uso destes espaços de maneira similar. Moisés Alves da equipe de handebol masculino comenta “que já foi bem democrático, na verdade a demanda cresceu e as instalações não acompanharam o mesmo ritmo”. Letícia Filardi, atleta do basquete feminino, reitera: “Tem duas variáveis aí que são complicadas pra gente usar a quadra, uma que é conseguir as quadras treinar. Por exemplo, nosso horário era de 19h às 21h, aí fizeram uma reclamação lá e ficou das 18h às 20h que prejudica muito nosso time, pois tem gente que tem aula, não consegue chegar. E outra é a quadra que a gente treina não ter marcação… Na verdade, é metade de uma quadra, ela foi dividida. Então fica muito ruim, a gente perde a noção de espaço e quando a gente vai jogar em uma quadra inteira e marcada, é muito diferente. Então são essas coisas que atrapalham muito a gente”.  

Outras equipes comentam também da falta de apoio que vai além da estrutura. Charleson, goleiro da equipe de Futebol de Campo, destaca que, apesar do seu time ter conquistado uma vaga na LDU de 2016, não houve ajuda para que comparecessem ao campeonato realizado em Palmas: “No ano de 2015 e 2016 tínhamos pouco apoio. Sequer tínhamos autorização para treinar no campo da UFAM. Em 2017 continuamos do mesmo jeito, além disso nos emprestaram uniforme e pediram de volta ao fim da competição. Nunca tivemos patrocínio ou apoio para representar o nosso estado”.

Equipe da UFAM campeã do futebol masculino 2016.

Atualmente, as quadras, que antes eram utilizadas pelas equipes, estão abertas apenas para atividades acadêmicas. Sobre a proibição do uso desse espaço para treinamento, Daniel Ramos, representante do Centro Acadêmico de Educação Física, destaca que a informação que teve na época é que estudantes “discutiram e peitaram um professor nosso” e após comunicação à reitoria e ao colegiado do curso, foi definido que os espaços esportivos só poderão ser utilizados para fins acadêmicos.

Porém, a Alessandra acredita que há outras saídas para o uso das quadras e que “se as quadras fossem pelo menos organizadas de modo que todos os alunos pudessem usar e zelar pelo local, ajudaria muito e haveria maior interesse em participar de campeonatos. Além disso, poderia haver mais entusiasmo da coordenação do JUUFAM ou do setor desportivo (da universidade) em organizar os eventos e chamar atenção de novos alunos”.

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Equipe de basquete feminino da UFAM.

A situação ainda não tem perspectivas para uma saída favorável à toda comunidade acadêmica, mesmo diante dos jogos universitários amazonense e do JUUFAM, as dificuldades para uso das quadras não deixaram de existir. Pesa sobre isso a ausência de entidades representantes dos cursos e da própria universidade nas questões esportivas, o que deixa atletas à mercê da força de vontade para manter o esporte universitário respirando na universidade.  

O futuro do esporte universitário da UFAM

Mesmo com as dificuldades enfrentadas em âmbito esportivo na universidade, a UFAM ainda aponta ter enorme potencial para o desenvolvimento do esporte universitário no Amazonas. O JUA’s 2017 é prova do potencial humano presente na universidade: 29 medalhas de ouro, mais de 10 medalhas de prata e 8 bronzes distribuídas entre as modalidades individuais e coletivas.

Mesmo com um resultado expressivo e terminando como a universidade que mais conquistou medalhas nesta edição dos jogos, o futuro aparenta ser incerto. Com o JUUFAM agora programado para as férias de dezembro deste ano, os cursos e seus atletas tem convivido com o futuro incerto do esporte na universidade. Após o adiamento da principal competição da UFAM, que era para ter acontecido em julho, os dois anos sem jogos na universidade nos deixam diante da questão: Será mais um ano sem JUUFAM?

Enquanto isso, os atletas e as equipes campeãs dos jogos amazonense já se preparam para a participação nos Jogos Brasileiros. As que não venceram já vislumbram outros caminhos independentes da falta de uma política afirmativa para o esporte universitário na UFAM e um calendário anual. É o caso da equipe feminina da UFAM. Em decorrência da proibição de utilizar o nome da instituição em jogos amistosos ou campeonatos da cidade, nasceu o “MAFU”, representado pelo mascote do time, um bicho preguiça, e que tem possibilitado às atletas a oportunidade de continuarem jogando juntos durante o restante do ano.

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Já entre alguns centros acadêmicos e atléticas atentas aos movimentos de mudança na universidade, existem as conversas sobre a possibilidade de criação de ligas universitárias independentes e organizadas pelas próprias entidades estudantis dos cursos, o que exigiria maior diálogo e aproximação entre as diferentes entidades e equipes esportivas. Porém, tal discussão não tem se prolongado em decorrência da dificuldade de comunicação presente dentro da universidade.

De que forma a comunidade acadêmica e nova gestão acolheria possíveis mudanças no contexto esportivo da universidade?

 

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