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Esporte paralímpico universitário: panorama geral

por • 23 de agosto de 2017 • Colaboradores, Colunas, Individuais, Jogo a JogoComentários (0)360

O esporte paralímpico universitário ainda engatinha no país. Apesar de iniciativas das confederações, se trata de algo com pouco apoio e estrutura nas universidades.

Por André Siqueira Cardoso

A segunda edição dos Jogos Paralímpicos Universitários aconteceu entre 26 e 30 de julho no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na Rodovia dos Imigrantes, na cidade de São Paulo. Durante os cinco dias de competição, cerca de 250 atletas universitários disputaram medalhas em sete modalidades: atletismo, badminton, bocha, judô, natação, tênis em cadeira de roda e tênis de mesa. O evento é resultado de uma parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU).

Luciano Cabral, presidente da CBDU, analisou a importância desta iniciativa para o fomento da prática paradesportiva. “Os Jogos são um marco fundamental para o paradesporto universitário no Brasil”, comentou. Cabral acredita que a união dos esforços da CBDU e do Comitê Paralímpico Brasileiro construirá uma nova história do paradesporto no Brasil, fortalecendo não só o sistema do esporte universitário, mas também o próprio sistema paralímpico no país. Ainda sobre a parceria, “daremos continuidade à parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro para a promoção das próximas edições destes Jogos e de outras competições do paradesporto, preenchendo um débito que tínhamos com os universitários com deficiência”, completou o presidente.

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Bethania Ferreira Gomes, aluna da Unigran/MS, compete pela categoria F-13, que congrega deficientes visuais, nas provas de lançamento de dardo, disco e peso. ‘’Quando achei que todas as portas tinham se fechado para mim, eu encontrei o paradesporto’’, conta a atleta. Esta foi a primeira participação de Bethania em uma edição de Jogos Universitários. Os resultados obtidos, porém, não poderiam ser melhores: foram três ouros conquistados em três provas disputadas. ‘’Estou muito feliz, porque compito há menos de um ano e já conquistei estes resultados’’, completou, exibindo suas medalhas.

Uma modalidade pouco difundida no Brasil, a bocha atraiu um grande público durante os cinco dias de competições. Quem marcou presença foi a campeã paralímpica Evellyn Oliveira, da classe BC-3, na qual competem pessoas com paralisia cerebral ou lesão medular. Estampando um sorriso no rosto, a atleta do SESI e aluna da Universidade de Mogi das Cruzes contou como conheceu o paradesporto. ‘’Estava no shopping com a minha mãe e uma professora do SESI me convidou para conhecer as modalidades paradesportivas que o clube oferecia’’, disse.

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Evellyn com suas duas medalhas de ouro nos Jogos Universitários. Crédito: Acervo Pessoal

Evellyn optou pela bocha por a considerar uma modalidade mais inclusiva. ‘’Tudo era adaptado para mim. Não havia nada que eu não pudesse fazer. Eu só precisava elaborar minhas estratégias de jogo’’. Evellyn contou, ainda, que sua convocação para a Seleção Brasileira foi a experiência mais marcante de sua vida. ‘’Na disputa da Copa América de 2015, no Canadá, fui campeã. Era uma medalha inédita para o Brasil’’, completou. Por fim, a atleta do SESI falou sobre as dificuldades de se manter no esporte. ‘’Faço parte de um dos clubes com a maior infraestrutura no país, mas a maioria não tem acesso a isso. Não vivemos em um país que nos oferece a mobilidade urbana necessária’’, analisou. 

Leonardo Zuffo, atleta de parabadminton da Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), é um competidor da classe SL-3, destinada a deficientes com mobilidade reduzida nos membros inferiores. Há sete anos no esporte, o jovem de 18 anos falou sobre sua experiência mais marcante na carreira. ‘’No Parapan de 2016, na Colômbia, na decisão pela medalha de prata, enfrentamos a dupla campeã da última edição. Perdemos o primeiro set, mas nossa torcida nos empurrou e vencemos de virada’’, conta. O atleta destacou que sua rotina de treinos é bastante complexa. ‘’Além dos treinos exaustivos, prevenimos lesões, temos contato com psicólogos e fazemos exercícios específicos’’, analisa. Por fim, comemorou o calendário repleto de competições. ‘’Esse final de ano vai ser puxado. Semana que vem vou para o Peru; em setembro disputarei a 3ª etapa do Nacional, e no final do ano temos o Mundial na Coreia do Sul, onde pretendo representar bem o Brasil’’.

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Leonardo Zuffo, atleta de Parabadminton. Crédito: Acervo Pessoal

Em sua consideração final, Luciano Cabral falou sobre as próximas competições paradesportivas. “Dentre as próximas competições que abarcarão o paradesporto, teremos os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), que em 2017 contarão com as duas modalidades já atendidas em 2016 – natação e tênis de mesa –, além do atletismo, e os Jogos Universitários Pan-Americanos, em 2018, primeiro evento internacional do paradesporto universitário”, finalizou o presidente.

E na USP?

Um evento como os Jogos Paralímpicos Universitários, sem dúvida, é uma iniciativa importante quando se trata de incentivar o paradesporto no Brasil. Dentro da Universidade de São Paulo, entretanto, a realidade é um pouco distinta. “Já vi alguns alunos com deficiência sendo chamados para participar de treinos com as equipes principais, mas nada organizado e voltado exclusivamente para os para-atletas”, diz Luiz Eduardo Nogueira, aluno e atleta de handebol da ECA-USP. Para Luiz, isso pode ser visto de duas formas. “Por um lado é bom, pois mostra que os times estão abertos a incluir todas as pessoas, para não deixá-las sem praticar esporte. Por outro, mostra que não há iniciativas que permitam que esses atletas participem em condição de igualdade”, finalizou.

 

Crédito foto de capa: Bethania Ferreira Gomes, que conquistou três medalhas de ouro durante os Jogos Universitários Paralímpicos\Acervo Pessoal.

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