final de semestre - revista beat

Dia D: quando você precisa escolher entre ser atleta ou universitário

por • 10 de julho de 2017 • Basquetebol, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, Saúde & Alimentação, TreinamentoComentários (0)551

Por Maria Cecília da Silva Martins

O esporte universitário vem ganhando força no Brasil, o que tem aumentado as exigências quanto ao desempenho e o comprometimento dos atletas. Você já sabe o que vai fazer?

Depois de formados, o assunto que sempre atrai olhares curiosos e causa grandes gargalhadas num encontro da turma é o desempenho esportivo dos colegas durante a graduação. As memórias voltam e nada é perdoado, começa a avalanche de histórias cômicas sobre as caricaturas bizarras dentro e fora de quadra. Então, você se dá conta que tudo valeu a pena mesmo. Ou melhor, que você faria tudo de novo infinitas vezes se fosse possível.

Acontece que as histórias engraçadas e marcantes dos campeonatos costumam vir associadas a comportamentos de excesso: viradas de noite na balada, muitos drinques e funkão. O foco esportivo do evento acaba ficando em segundo plano. No entanto, vemos muitas equipes clamando por melhora nas condições do esporte universitário, quase sempre com as palavras de ordem “levar mais a sério e ganhar visibilidade”.

Para que o esporte brasileiro cresça, temos que rever uma série de fatores que envolvem desde o investimento financeiro até a formação dos atletas. E, dentro disso, passamos por um possível canal de destaque de grandes atletas que é o esporte universitário. Será que não precisamos repensar sobre como estamos agindo nesse ambiente, antes de questionar por quê não temos um cenário esportivo universitário grandioso como em outros países?

O ponto de partida para uma melhoria no panorama atual é o comprometimento da equipe com o esporte. Todos ali, que optaram por dedicar seu tempo aos treinos e à participação em competições, devem cumprir esse ritual com assiduidade e empenho. Isso quer dizer que ir jogar alcoolizado ou com poucas horas dormidas não permitirá que seja dado todo o seu potencial em quadra, o que vai contra a ideia da maioria das equipes que é jogar para buscar seu melhor e se possível vencer.

O que estamos fazendo? Entendo os motivos que levam os estudantes a irem para jogos universitários dispostos a curtir a vida adoidado. A rotina de estudo e trabalho é dura. Vocês realmente merecem se divertir. Mas aquela é a melhor hora para esse objetivo? Se você quer jogar e quer ajudar a sua equipe, precisa estar bem. Seu corpo necessita estar treinado, nutrido, hidratado e descansado para produzir movimentos eficientes.

Sem falar no risco de lesões. Competir fora dessas condições implica em alavancar exponencialmente a vulnerabilidade do corpo a lesões. Seus reflexos estarão retardados, sua força e resistência diminuídas, sua capacidade de raciocínio e tomada de decisão lentificada, sua utilização de substratos importantes prejudicada e a eliminação de resíduos tóxicos sobrecarregada.

Todas as vezes que (nós, fisioterapeutas) atendemos em competições universitárias, já vamos conscientes de que a grande maioria dos atletas estarão com câimbras ou contraturas. A fisiologia nos ensina todas as razões para isso (falta de repouso, nutrientes e hidratação) e, portanto, não nos espantamos. Mas gostaríamos que fosse diferente.

Vocês não imaginam como é desconcertante atender um atleta que torceu o tornozelo enquanto estava bêbado e no dia seguinte quer estar pronto para jogar. Primeiro, porque o que ocasionou o entorse poderia ser facilmente evitado. Segundo, porque não poderemos deixar o atleta 100% em tão pouco tempo. Então, se cuidem! Se optarem por fazer parte do esporte universitário, decidam ser atletas de verdade. Atletas que zelam pela sua saúde e bem-estar, que prezam pelo bom desempenho e buscam o que contribui para isso. Sejam a mudança que querem para o esporte universitário brasileiro. Tenho certeza que vai fazer diferença.

Posts Relacionados

Comentários fechados