FOFITO no bichusp 2010 - revista beat

#TBT O ouro inédito do VF da Fofito

por • 29 de junho de 2017 • Colaboradores, Colunas, Jogo a Jogo, VôleiComentários (0)763

Por Diogo van der Meer

 

Meu nome é Diogo van der Meer, também conhecido como Holandês e essa é uma das histórias da qual mais me orgulho e me tornam saudosista no que tange nosso amado esporte universitário. A história do único título oficial pela LAAUSP da atlética da Fofito: a medalha de ouro do vôlei feminino no BichUSP de 2010.

Tudo começou em 2010. Eu estava no segundo ano da EEFE e, após ter sido por um ano auxiliar de alguns times da USP, queria muito colocar em prática tudo o que estava vendo acontecer e estudando. Foi então que a Fofito, que estava com uma proposta de reformular a sua atlética por meio de ações como contratação de novos técnicos, me chamou para comandar o  Vôlei Feminino.

Uma informação importante: desde 2006, a Fofito não tinha time de vôlei feminino. Conversei com algumas veteranas que me contaram que inúmeras vezes tentaram montar a equipe durante essa época e nada. Em 2009, quase conseguiram, mas, mesmo com muito esforço, o time não durou muito tempo. Em 2010, com a entrada de quatro bixetes (Ju, Isa, Má e Sammy) que já tinham alguma experiência de vôlei anteriormente à faculdade, mais algumas guerreiras que toparam jogar mesmo sem saber quase nada (Dênise, Sil e Dani) fecharam o time pro BichUSP. A tudo isso, soma-se a vontade e motivação das meninas mais velhas de fazerem essa equipe dar certo. Enfim, nosso trabalho começou.

A repercussão de que os treinos de vôlei tinham voltado estava acontecendo. Começou a crescer cada vez mais o número de meninas interessadas na modalidade e, junto com o objetivo de jogar o BichUSP, comecei a estruturar o que seria a equipe principal da FOFITO dali em diante. E as calouras estavam lá, jogando de igual pra igual com as mais velhas. Aquilo me chamou muita atenção, pois não é algo comum nos times. Como havia meninas que já tinham alguma experiência para o BichUSP, apliquei estratégias nos sistemas ofensivos e defensivos muito mais complexos do que os técnicos normalmente fazem para esse torneio de calouros. E lá fomos nós jogar o tão esperado não só a primeira competição oficial do novo time da Fofito, mas também minha estreia como técnico principal.

Naquela época, o BichUSP era mata-mata. Ou seja, perdeu, cai fora; e, por isso, os primeiros jogos foram bem nervosos, como normalmente são para os calouros que nunca participaram de um campeonato com bateria e torcida. Mas, ao verem que nosso sistema de jogo estava dando certo, as meninas foram se soltando, comemorando os pontos, dançando ao som das baterias… (né sammy? Haha). Somado a suas experiências prévias na modalidade, que lhes davam vantagem principalmente no saque e no ataque, pronto: começamos a ganhar os jogos e, de repente, estávamos lá jogando de igual pra igual com times com muito mais tradição no cenário uspiano.

Chegamos na semifinal contra a POLI, que é um dos times mais historicamente fortes do voleibol feminino universitário até hoje. Porém, visto que nós não tínhamos esse conhecimento e esse peso de jogar contra elas, vencemos por 2×0 e fomos com certa moral para a final contra a forte equipe da EEFE. Naquele momento, eu percebi que tínhamos acabado de fazer história. “Como assim o time da Fofito chegou na final do vôlei? O que quer dizer Fofito?! Quem são essas meninas? Quem é esse técnico novo?”. Era o que eu ouvia e sentia dos curiosos e amantes do esporte universitário que estavam lá, incrédulos, assistindo a tudo aquilo.

O nosso maior objetivo com o BichUSP, como eu disse lá em cima, era reacender a chama do vôlei feminino da Fofito. Motivar as veteranas e calouras para continuar nosso trabalho com toda essa adrenalina que só esse campeonato poderia nos dar naquele momento. Ao chegar na final, portanto, já tínhamos atingido nosso objetivo! Antes do último jogo, esse foi meu discurso para tirar o peso de estar numa final contra a EEFE, faculdade que normalmente possui equipes muito fortes, devido ao perfil de seus alunos. Mesmo assim, não teve jeito para a EEFE. As meninas da Fofito estavam muito motivadas e à vontade com aquela situação, apoiadas por todos os veteranos e veteranas que nos apoiaram desde o começo e foram ligando e chamando mais gente da faculdade só para ver nossos jogos e torcer, aliados com todos os outros times que não acreditavam na gente e passaram a torcer pela então “zebra”.

Vencemos a EEFE num jogo duríssimo 2×1, no qual as “Fofitas” comemoravam cada ponto dançando de acordo com os batuques da torcida e bateria. Enfim, nos consagramos campeões do BichUSP 2010. Que felicidade! Ali eu vi que estava no lugar certo e soube o que queria para mim nos meus próximos anos de faculdade. Obrigado, Fofito!

Foi o meu primeiro título como técnico, o primeiro e único oficial na LAAUSP da atlética delas e o início de um trabalho que marcou a minha vida e, com certeza, a vida de todos que participaram de alguma forma do nosso time. Depois desse título, foram quatro anos de muitas conquistas com essa equipe, e não digo isso somente pelos resultados, que no final nem é o mais importante, mas sim todo o processo de desenvolvimentos pessoal e coletivo que tivemos. Fomos prata da Copa USP na série laranja em 2011, sendo um dos primeiros times da Fofito a subir para a tão sonhada série azul. Além disso, alcançamos duas semifinais de BIFE, ganhando de times muito mais tradicionais que o nosso nos primeiros jogos. Mas, mais  sensacional que essas histórias, foi ver como o time cresceu, amadureceu, desbancou gigantes e surpreendeu a todos.

Gostaria de agradecer à Revista BEAT por me fazer reviver tudo isso. Aos meus assistentes técnicos que me ajudaram desde o começo. Às calouras que, sem saber o que estava por vir, mergulharam de cabeça no nosso time. E às veteranas que, mesmo depois de tentar montar essa equipe várias vezes e não conseguirem, não desistiram e estavam lá firmes e fortes, acreditando no trabalho que foi desenvolvido ao longo dos anos! Obrigado de coração, tenho muito orgulho até hoje de tudo aquilo que construímos…foi demais!

E como dizíamos lá no nosso time : 1-2-3- FOO- FI- TOOOOO!!!

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