InterUSP 2017: balanço das três campeãs

por • 28 de junho de 2017 • Basquetebol, Cartola, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, VôleiComentários (0)2995

Conversamos com diretores das três atléticas campeãs da InterUSP desse ano para saber um pouco mais sobre a preparação e conquista de um lugar no pódio geral


Por Revista BEAT

Faz uma semana que acabou a InterUSP, estamos todos em semana de provas e, apesar da correria, a saudade daqueles quatro dias em São Carlos é o que permanece. Enquanto a maioria sente falta e conta os dias para a edição de 2018, as atléticas comemoram os resultados alcançados e já iniciaram a preparação para o ano que vem.

Confira abaixo os depoimentos das três primeiras colocadas da InterUSP 2017: Medicina Pinheiros, Poli e FEA:

Medicina Pinheiros | 1ª colocada geral
Por Lara Salvestrini, Secretária Interna de Esportes da AAAOC

Crédito: Divulgação Atlética MED-USP

Somos apaixonados pela InterUSP. A cada ano a competição se torna mais difícil e o nível esportivo aumenta. Nós sabíamos que não seria fácil, mas fomos para São Carlos com o objetivo e com plena convicção de que éramos capazes de ganhar mais uma vez.

A competição foi atípica. Tínhamos 9 atléticas nessa edição, jogaríamos na casa de uma das participantes (nossa convidada, Caaso), começamos a competição na quarta-feira a noite e tivemos a maioria das modalidades na própria cidade (Atletismo e o Polo que geralmente são em outras cidades).

Desde o início chegamos focados em vencer. Para nossos atletas, não existe tenda ou festas durante a competição. Vamos pelos jogos, pelos nossos, e pela torcida. A InterUSP não começou dia 15 de junho de 2017. Ela começou dia 29 de maio de 2016, quando em Avaré ganhamos nosso 24º troféu. E, agora em 2017, entraríamos com tudo que tínhamos.

A competição estava dentro do que prevíamos: fomos competitivos nas individuais e já tínhamos garantido algumas vitórias. Nossos números de semis e de finais também estava dentro da média de todos os anos. Sabíamos que estávamos na briga pelo título dessa que é uma das competições mais acirradas, decidida por 1 ou 2 pontos.

Erramos de sábado pra domingo. E esse erro quase nos custou a competição. Fizemos as contas do quanto faltava para ganharmos e a vitória parecia que viria fácil no domingo. Sem percebermos, as 16h já estávamos gritando “É CAMPEÃO”!

O cenário parecia estranho. Não estávamos num bom dia. Tínhamos perdido muitas modalidades que valiam muito em termos de pontuação geral, e a Poli estava ganhando todos os seus jogos. Numa competição decidida por 1 ponto, como seria possível já sermos campeões?

Foi aí que refizemos as contas. E refizemos. E refizemos. E refizemos. Queríamos acreditar que nossas contas iniciais estavam certas. Queríamos acreditar que a taça já era nossa. Mas não. Faltava 1 jogo nosso, o último jogo do dia e exatamente contra a Poli.

Naquela final do baquete feminino não entraríamos apenas para buscar o bicampeonato da nossa modalidade. Entraríamos pelo vigésimo quinto troféu de nossa atlética. Naquele momento não éramos nós, 12 meninas buscando uma medalha dourada. Éramos mais de 300 atletas que já tinham dado o melhor de si por suas equipes.

Ao nosso lado tínhamos uma torcida que era menor do que a metade da torcida da Poli. Como a vitória tinha sido 16h da tarde, muitos voltaram para São Paulo e não esperaram o jogo das 20h. Mesmo em número reduzido a nossa torcida não se calou por 1s e os gritos encobriam as vozes da torcida amarela e azul que lotava a outra metade da arquibancada. Estávamos em quadra e ficamos arrepiadas com o que víamos. Não, não éramos 12 jogadoras. Éramos uma atlética inteira.

O jogo foi um dos mais emocionantes da competição! Começamos atrás no placar e seguimos lutando para a Poli não se distanciar muito. A virada veio no terceiro quarto e administramos a vantagem em meio a muita tensão. Mesmo faltando 1min, com 8 pontos na frente jogamos com a mesma intensidade sabendo que em basquete 1min é 1 ano e que qualquer desatenção poderia nos custar a competição.

Quando o árbitro apitou o final do jogo! Que sensação! A torcida invadiu a quadra e a emoção tomou conta! Pela segunda vez nos dia, o grito “É CAMPEÃO” era nosso! E dessa vez ninguém iria tirá-lo da gente! Rostos apreensivos deram lugar a sorrisos e lágrimas! Abraços, palavras de amizade, carinho, nosso bandeirão, nossas tradições…

É por isso que já ganhamos 25 Interusps. E é por isso que o caneco veio para nós mais uma vez. Não jogamos por nós. Não estávamos sozinhas em quadra. Não estávamos em São Carlos pela nossa própria equipe. A amizade e os laços que criamos nos impulsionam. Torcemos como se estivéssemos jogando. E jogamos por todos aqueles que por nós estão torcendo. Isso é Medicina.

POLI USP | 2ª colocada geral
Por Nicolas Hue, Vice Presidente da AAAPOLI

Crédito: Divulgação Atlética POLI-USP

Essa InterUSP foi, sem sombra de dúvidas, muito marcante para a POLI. Ela foi recorde de vendas de pacotes, reflexo da boa divulgação interna e do crescimento da competição no âmbito social, além de ter sido emocionante até o último jogo do domingo.

Com grandes vendas, vieram grandes responsabilidades, como pensar na logística de um número alto de pessoas, seja no transporte, garantindo que nossa torcida pudesse comparecer no maior número de jogos possível, seja no alojamento, fazendo o máximo para deixar nossa torcida o mais confortável possível

A organização da Atlética para a InterUSP começa na segunda feira após a InterUSP do ano anterior, ela é um projeto que é preparado pela gestão durante o ano inteiro que acaba sendo resumida em 4 dias de muita correria, altas emoções e pouco sono. Nesse ano, buscamos por meio de nossa divulgação instaurar a frase “Tudo pela POLI”, que pôde ser vista na nossa bata durante a InterUSP, a ideia dessa frase é unificar todas as modalidades, assim como toda nossa torcida, com um objetivo em comum, que é aquele de todos, independente da modalidade, independente de grupo de extensão, estão juntos durante esses 4 dias para ver a POLI fazer o que faz de melhor, que é ser campeã.

O resultado final é sempre gratificante, ver o brilho no olhar da torcida no domingo, ouvir o pouco que restou de voz dos mais fanáticos ainda torcendo mostram pra nós que realmente todo o sangue que demos ao longo do ano valeu a pena. Conseguimos instaurar o pensamento de que somos Todos POLI, de que damos e sempre daremos Tudo pela POLI.

FEA USP | 3ª colocada geral
Por Flora Finamor Pfeifer, Vice Presidente AAAVC

Crédito: Divulgação Atlética FEA-USP

Se tem uma coisa que a gente aprende no esporte universitário é que a sensação de vitória não necessariamente está ligada com a derrota alheia.

Nos meus anos de atletismo, ansiava muito mais por bater um pb (personal best) do que ganhar um ouro: saber que você deu o seu melhor realiza muito mais do que ganhar de seu adversário (mas não que não seja extremamente bom conseguir os dois haha).

A FEA sai do InterUSP deste ano com essa sensação. Em termos absolutos, mantivemos-nos na terceira colocação. Mas, relativizando, foi um terceiro muito bom.

Sabe, é muito fácil ganhar quando você acredita na vitória. Não aquela crença esperançosa que beira à utopia, mas sim quando você sabe que vai ganhar. Quando você já viu a vitória, quando você sabe que é o melhor, quando suas previsões dizem que dá. Agora, experimentem convencer toda a sua faculdade de que “olha, a gente não tem um clube próprio com recursos abundantes, tampouco 900 ingressantes por ano; a gente nunca ganhou; mas a gente acha que, se você der o seu melhor, a gente consegue o inédito”.

O título não veio esse ano. Mas o resto veio: lá estávamos nós, no sábado a noite, fazendo contas pra ver se era possível. Foi bonito ver a esperança no olhar dos atletas. Foi bonito ver torcedor chorar no pênalti. Foi bonito sentir o gosto da vitória, partida após partida, conquistando lugar em nove finais, das doze semi disputadas. Foi bonito chegar na reunião de tabela com mais jogo pra marcar do que a Poli. Foi bonito ganhar seis dos oito confrontos diretos com a Medicina. Foi um terceiro lugar bonito.

A FEA tem que fazer além do arroz e feijão: não temos todos os times completos e não temos o passado a nosso favor. Não temos a melhor estrutura ou a maior gama de atletas.

Mas a gente tem Raça.
E agora a gente acredita.

 

 

Crédito foto de capa: Fotos por Luisa Zucchi e Caio Avino. Arte por Bárbara Fujisawa

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