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Complexo Esportivo AAACHSA: um sonho possível

por • 21 de junho de 2017 • Cartola, ColunasComentários (0)1146

Saiba como alunos e ex-alunos da Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu colocaram em prática um antigo sonho dos atletas do campus

 

Por Matheus Souza | Atlética Unesp Bauru

O Complexo Esportivo da Atlética Medicina Unesp Botucatu é um sonho antigo de todos que já fizeram parte da instituição. O planejamento e execução de um projeto desse nível é, além de custoso, muito complicado. Contar com investimentos vindos da faculdade ou da prefeitura, segundo Marlon Barbosa, cirurgião plástico formado na Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu e antigo membro da Atlética da faculdade, não é uma realidade com a qual se possa contar. Acompanhe na entrevista, como uma associação de ex-alunos da faculdade em parceria com a Atlética de Medicina, conseguiu estruturar e executar um projeto tão grande.

Revista BEAT: Como surgiu a ideia de construção do complexo esportivo?

Marlon Barbosa: A ideia do complexo poliesportivo sempre existiu, desde que eu fui da atlética na Faculdade de Medicina [UNESP Botucatu] em 1998 esse era um desejo de todo mundo.

RB: Consta no site de vocês que tiveram outras tentativas para construção desse complexo que não deram certo. Por que essas outras tentativas não deram certo?

Marlon Barbosa: Contar com recursos da própria Universidade é sempre muito difícil. Outra dificuldade é que as atléticas, perante as instituições financeiras, por serem organizações sem fins lucrativos, comandadas por uma diretoria de alunos, não têm muito crédito e, às vezes, existem situações irregulares com relação a CNPJ, por exemplo, o que dificulta a captação recursos. É muito difícil organizar um grupo de alunos que consigam se envolver de uma forma  mais duradoura por, pelo menos, 4 ou 5 anos até a coisa deslanchar e que tenham credibilidade perante as instituições financeiras, que tenham mais facilidade para fazer negociações desse porte. A gente lidou praticamente com 2 milhões de reais. É muito difícil você conseguir angariar ex-alunos seja por qual via for. Tem que haver mais ou menos o que que existe nos Estados Unidos: a gestão de fundos das universidades, nas quais existem gestores financeiros para as aplicações nessas Universidades. Lá as contribuições são vitalícias, todos os ex-alunos das Universidades contribuem e tem um gestor de um fundo que reaplica o dinheiro na universidade, na parte esportiva ou na parte acadêmica, por exemplo. O que nós fizemos é uma célula disso.  Então o modelo de gestão que passa credibilidade para angariar ex-alunos é conseguir ex-alunos que façam, que se colocam na frente dos projetos. As gestões da Atlética que passaram até agora são a parte operacional. Elas, na época, ainda geravam boletos, hoje elas não fazem nem mais isso. Eles estão mais ligados a vistoria da execução, eles vão chegar e fazer outras coisas que não as administrativas. Todas as tomadas de decisões são feitas ainda pelo conselho administrativo que, no nosso caso, conseguimos reunir 20 ex-alunos.

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RB: Quantos sócios vocês já conseguiram e qual é a atuação desses sócios?

Marlon Barbosa: Sobre os sócios a gente tem uma coisa muito interessante. A Faculdade de Medicina tem 5.000 ex-alunos e no momento a gente tem 400 sócios, que foram o que nós chamamos de sócios fundadores, que começaram a pagar os boletos acreditando num projeto, a gente não tinha terreno, não tinha absolutamente nada. Então após as 48 parcelas de doações seja de R$50,00, R$100,00, R$200,00 ou R$300,00 mensais, eles passam, no nosso estatuto, a serem sócios vitalícios. Ele, a esposa e os filhos até 21 anos, podem frequentar o complexo sem pagar nada. Nós colocamos uma placa em homenagem a eles na nossa sede, as pessoas que acreditaram enquanto o projeto era muito embrionário. Mas se você for é um universo muito pequeno você tem 400 sócios não numa mostra de 5.000 ex-alunos e mesmo assim a gente conseguiu levantar com uma velocidade que não era esperada.

RB: Qual é a projeção de vocês para finalização do complexo esportivo?

Nós temos uma estrutura que conta com duas quadras, para os treinos das equipes das diferentes modalidades, para não ficarmos dependentes de uma quadra só. Então temos uma quadra com dimensões menores que é de vôlei e handebol e uma com dimensões maiores para futsal e basquete, que vai ser entregue agora em junho. A área social está pronta, com sala de troféus, a loja da Atlética e um bar em que o lucro é toda dela, e mais um salão de festas para 500 a 600 pessoas. Nós estamos com 36 meses de projeto mas só vai faltar o último ginásio que vai envolver um custo de mais ou menos R$ 670.000,00. Nós vamos ter que levantar um pouco mais de dinheiro para começar para não deixar coisas inacabadas. Não era nossa proposta. Então nós vamos juntar até consegui encaixar um cronograma físico-financeiro que permita dar seguimento a obra de uma vez. Agora nós vamos ter um encontro de ex-alunos, que é bienal. O último encontro foi a inauguração em 2015, e as coisas cresceram muito de lá pra cá, vem gente desde a primeira turma que é de 1963. Nós estamos apostando muito que agora nesse encontro uma nova onda de contribuições permita formar um caixa para começar a segunda obra, a segunda quadra.  Então, mais dois encontros a gente finaliza tudo, que seria esse encontro e o encontro de 2019 então que talvez tenha tudo finalizado. Se você for pensar em 2019, e a gente começou essa obra em 2014, são 5 anos para fazer um uma obra de 3 mil metros quadrados aproximadamente, envolvendo aproximadamente dois milhões de reais. Todo feito com dinheiro de alunos e ex-alunos, o que eu acho uma grande façanha, um grande exemplo para as outras unidades. Eu acho que o que falta é só um pouco de organização, o que a gente conseguiu fazer é um exemplo muito bem sucedido e com poucos sócios. O projeto é grande mas envolve, nesse caso, só o curso de medicina. É diferente, por exemplo, de uma atlética geral. Isso facilitaria muito, se houvesse organização e pessoas que tomassem frente de todos os cursos. O exemplo lá de Botucatu acho que é facilmente aplicável. Vocês conseguem levantar também um projeto desse em outros campus.

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