InterUSP 2017: Expectativas e Novidades

por • 8 de junho de 2017 • Colunas, EntrevistaComentários (0)1239

Leia a entrevista com Alexandre “Xandão” Ravazi, Presidente da Comissão Organizadora do InterUSP 2017.

Por Revista BEAT

 

Falta menos de uma semana para um dos maiores jogos universitários do país: o InterUSP. Em sua 33ª edição, o inter vem renovado esse ano, com novidades no campo social, uma nova atlética convidada, ações antiopressão e, claro, com o foco de sempre no quesito esportivo.

Logo menos estaremos em São Carlos acompanhando os jogos e, enquanto isso, confira mais sobre a organização e expectativas na entrevista abaixo.

Revista BEAT: No geral, a CO tem se preocupado com o que pra esse interUSP?

Xandão: Até 2016, essa resposta seria com certeza: estamos focando no esportivo. O InterUSP sempre foi conhecido pela força do esportivo e por focarmos nisso. Os eventos sociais sempre foram muito pequenos, sem atrair as pessoas de fora e mesmo sem atrair as atléticas que participam do inter jogando. Fazendo com que as atléticas arrecadassem pouco dinheiro e, ao mesmo tempo, o foco no esportivo é algo que aumenta o custo da competição. Então, até o ano passado, a gente tava chegando numa situação insustentável, a ponto de algumas AAAs sinalizarem que não conseguiriam mais participar do campeonato. Isso porque a inscrição acabava custando algo em torno dos 20mil e o repasse chegava a 150 reais. Era um absurdo a discrepância.

Ano passado, na gestão do Dibranco da Poli, eu e o Jhonny, que era vice da Farma, a gente teve uma ação que a gestão comprou tentando mexer um pouco no social. Manter o foco no esportivo, mas priorizando também o social. A gente começou com a tenda e foi algo que deu muito certo. Além disso, com a Usina Universitária, que foi quem ganhou a licitação por dois anos, rolou um investimento maior com as atrações e pela primeira vez a balada do InterUSP não foi uma baladinha com 200/300 pessoas majoritariamente da Poli. Foi uma balada com CPM22, com Bonde, etc. Nesse ano a gente pegou o cenário com um potencial de crescimento enorme: a gente manteve a tenda, manteve o investimento no social, mas o mais importante que manteve o foco da Secretaria e da CO foi a entrada da convidada. Tem o foco no social, que deu certo ano passado e esse ano vai ser maior. Tem o foco no esportivo que um inter como InterUSP tem que ter… Mas não dá pra fugir que o principal foco nosso é fazer com que a entrada da convidada dê certo, a ideia é que essa convidada venha mais vezes, agregue com o público como é CAASO e com o esportivo.. E que continue essa caminhada para saúde financeira.

RB: Como a entrada do CAASO afeta a organização do InterUSP?

Xandão: A gente nunca teve um número ímpar de Atléticas. No começo eram seis e saiu o CAASO por uma série de fatores e entrou a Farma como convidada. E anos depois entrou a FEA e a Odonto juntas. Nunca foi uma adição, por conta de uma tabela travada, do pouco tempo de campeonato e das dificuldades do chaveamento. E ai esse ano a gente pegou o cenário e olhou bem: como a gente faz? A gente pode até investir mais, mas dentro das próprias AAAs existe uma quantidade de público que é o limite. Vai chegar uma hora, por exemplo, que a Farma não vai conseguir trazer mais gente.. A Poli. E com os gastos que a gente tem do esportivo, isso não é suficiente. E ai entendemos que o caminho para melhorar essa questão financeira era adicionar uma convidada. O foco todo foi para ajeitar a tabela, ajustar o chaveamento e desde então a gente vem tentando adaptar tudo, desde regulamento até a organização da cidade com foco nessa convidada. 

RB: Como está a expectativa da CO para o InterUSP em relação às instalações esportivas?

Xandão: Está muito tranquilo em termo de praça esportiva, em termo de relacionamento com a cidade, muito porque São Carlos é uma cidade muito grande, tem muitos ginásios, tem o Milton Olaio que é gigantesco que é o que vai ser o G1 mesmo, o que vai comportar as finais e as semi-finais e alguns jogos de sexta. Mas, além dele, existem mais cinco ginásios na cidade, tem Atletismo na cidade (o que não tinha desde 2011), tem pólo aquático (não tinha desde 2006). Em termos de estrutura esportiva,  fazia muito tempo que o InterUSP não tinha possibilidade de ser feito em um lugar tão grande.

RB: Há alguma novidade em relação ao Social?

Xandão: A tenda vai acontecer com um funcionamento diferente do ano passado e a gente acredita ser um plus muito bom… O que falamos para a Usina é de quem comprasse a tenda, ia ter uma extensão nos ginásios. Pra não termos os ginásios vazios. Então teremos tinas com open bar administradas pela Usina nas praças esportivas, exatamente para o cara que comprou a tenda conseguir usufruir dela e ao mesmo assistir aos jogos.

RB: E o relacionamento com a prefeitura da cidade e essas questões mais burocráticas do evento?

Xandão: É muito tranquilo. Eles atenderam tudo que a gente precisou, nos prazos que a gente pediu, é uma secretária que agora mudou a gestão. Antigamente, eles não abriam para fazer inter em São Carlos, mas o novo secretário acha que a cidade tem que ser utilizada. Inclusive, na primeira reunião que tivemos, ele já falou que era a favor. A partir daí, focamos a conversa na utilização das praças esportivas, que a preocupação dele era deixar a população fazer o amador e tudo mais. Mas eles são muito gente boa, é um bom lugar para fazer inter, enquanto tiver inter que respeitar a cidade vai ser uma cidade muito almejada para fazer inter com certeza.

RB: Existe alguma preocupação da CO em relação ao combate ao machismo, homofobia, racismo e outras atitudes do tipo? Aliás, existe algum tipo de punição prevista em Estatuto ou algo do gênero como forma de diminuir tais problemas?

Xandão: Começamos neste ano um trabalho de expor para o nosso público, seja para o específico do InterUSP ou para o público do esporte universitário em geral, a preocupação do InterUSP de caminhar contra esse tipo de coisa. É, a gente tem a fama, por ter faculdades que, historicamente, têm casos e casos conhecidos de homofobia, de machismo e que também estão lutando para diminuir isso internamente, mas não estão tão desenvolvidas como, por exemplo, a ECA ou a FFLCH, que são lugares/faculdades mais exemplares no quesito de como as coisas devem acontecer e de organização esportiva. E esse ano a gente começou a engatinhar nesse caminho, consultamos os núcleos das faculdades e criamos uma comissão anti-opressão. Inclusive, a pauta da próxima reunião é o fechamento das punições específicas. Já existe punição no regulamento para mal comportamento de torcida, para briga generalizada. As coisas são relatadas em súmula e são analisadas toda noite na reunião noturna pela CO. Então, se existe um caso hoje ele já é punido hoje mesmo. Só que como a gente sentiu falta de amparo no regulamento para não deixar arestas, esse ano a gente está incluindo também punições no regulamento. São punições que vão desde multa em dinheiro para as atléticas, porque elas não estão agindo da maneira correta em tentar coibir, até um aumento do poder dessa comissão anti-opressão. Ou seja, ela poderá, em conjunto com a comissão organizadora, representantes e a equipe de segurança, colocar para fora, expulsar dos jogos, coibir o agressor e, dependendo do nível da agressão, até mesmo a expulsão definitiva do agressor pelos próximos anos, após julgamento. Mas, ainda sim, infelizmente a gente pegou um inter que não tem um histórico muito bom em relação às opressões, mas uma CO que tem muita vontade de mudar esse histórico e, por isso, posso dizer que estamos engatinhando. As coisas vão ficar fechadas melhor nessa reunião, mas com certeza teremos ações antiopressão. Se eu não me engano, na FEA, já está tendo confecção de bandeiras e outras sinalizações e ações. Acredito que no InterUSP daqui a três, quatro anos, essas ações já vão estar mais maduras e ai poderemos caminhar e ver algo mais parecido com o que ocorre nesses lugares que eu falei que hoje são exemplos.

RB: Em relação ao esportivo, vocês arriscam uma zebra ou expectativa de atlética campeã geral?

Xandão: O InterUSP normalmente tem uma tabela geral um pouco previsível. Você tem equipes brigando sempre nas mesmas posições, e a Poli e a Med Pinheiros sempre brigando pelo título. Isso porque, acredito, são as atléticas que ou contam com maior material humano ou porque são absurdamente estruturadas e conseguem agregar muito público nos esportes (caso da Pinheiros). Em resumo, você vai ver a briga quase sempre entre Poli, Pinheiros, Sanfran, Ribeirão e FEA.. Principalmente a FEA que, historicamente, tem conseguido chegar constante no terceiro lugar. Eu vejo que, desde 2014 quando eu entrei para a CO, um crescimento dos times da FEA em termos técnicos. Então acredito que não vai demorar muito para a FEA chegar nesse bolo de cima e não no intermediário. As outras três que eu citei sofrem, principalmente, por não ter material humano, como Farma e Odonto. Ou porque não conseguem estruturar algumas modalidades não tão comuns, como, por exemplo, polo, atletismo e lutas, apesar de apresentarem equipes coletivas fortes.

 

RB: E as atléticas de fora: Ribeirão, ESALQ e CAASO?

Xandão: A ESALQ já foi uma surpresa no passado, conseguiu ouro no karatê. A Ribeirão tem times fortes em todas as modalidades, há equipes que geralmente chegam em semifinais, mas acho que o que pode ser o divisor de águas esse ano vai ser o CAASO. Eu não me espantaria se a nova integrante (mesmo tendo que jogar todas as oitavas de final, já que essa foi uma condicional para a entrada deles) beliscasse um terceiro ou quarto lugar no geral. E uma mudança ali entre FEA, Poli e Pinheiros. Eu acredito muito na FEA como surpresa, mas agora com o CAASO vai ser muito difícil apostar em alguma coisa.

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