União: a fórmula do sucesso de Araçatuba

por • 9 de maio de 2017 • Basquetebol, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Jogo a Jogo, Rugby, VôleiComentários (0)1300

A integração entre os atletas é o que levou Araçatuba a ir mais longe

 

Por Helena Coelho | Atlética Unesp Bauru

 

O ano é 2016 e a delegação de Araçatuba está sob pressão. Em 2015, ao disputar o maior campeonato esportivo universitário da América Latina, a amarga notícia: a cidade estava rebaixada para a segunda divisão do Inter. No ano seguinte, em Prudente, a luta para retornar a primeira divisão. Araçatuba quer se reerguer e para isso vai precisar do empenho de seus atletas.

Bárbara Curi, 22 anos, é natural de Cuiabá e começou a treinar vôlei ainda aos seis anos de idade, pela sua escola Colégio Coração de Jesus. Mas, para conseguir uma vaga em uma boa instituição de ensino superior, durante o ensino médio a atleta decidiu se concentrar apenas nos estudos. Passou com dezessete anos no vestibular para cursar Odontologia na Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Araçatuba. Na Universidade, se reencontrou com o esporte. Hoje, Curi treina pelo seu campus e também pelo time de futsal da cidade, o projeto Superando Barreiras.

Ter conseguido uma vaga para estudar na UNESP, no entanto, representou mais do que apenas alegrias. No início da faculdade, Curi teve depressão. A demora em se adaptar à nova cidade e a distância de sua família foram os principais gatilhos para o desenvolvimento da doença. Mas o reencontro com o esporte e, principalmente, o vôlei, foi o grande suporte para driblar a tristeza. “Foi um momento muito difícil da minha vida, mas hoje eu posso afirmar que foi graças ao esporte que eu saí dessa”.

Júlia (12) se preparando para levantar a bola no jogo do InterUnesp 2016.

O sentimento de fazer parte de um time também inundou a vida de Júlia Minto Maia Souto. A atleta é nativa de José Bonifácio, uma pequena cidade da região de São José do Rio Preto com cerca de 35 mil habitantes, e se mudou ainda adolescente para Araçatuba para estudar Medicina Veterinária, também na UNESP. Maia chegou a treinar handebol pela sua cidade, mas desde criança sempre foi apaixonado por vôlei. O esporte, ensinou a então jovem bonifaciana, a importância do trabalho em equipe. E esse aprendizado perdura até hoje: “O que me impressiona é como pessoas tão diferentes podem se encontrar e se tornar uma família. Desconhecidos na faculdade viram amigos! Isso me inspira e me estimula a continuar todos os dias”.

O campus de Araçatuba é bem pequeno. A UNESP da cidade oferece apenas duas graduações: Medicina Veterinária e Odontologia. Por esse motivo, a adesão ao esporte no campus não é muito grande. Faltam atletas nos treinos de várias modalidades.

Felipe Gadeilha Santiago Sabino, estudante de 23 anos, treina tudo o que pode para completar os times. Mesmo estudando em período integral, não deixa de comparecer aos treinos de futebol, basquete e atletismo. Futebol é a modalidade que ele já treina há mais tempo. O atletismo, por sua vez, surgiu de um necessidade do futebol: melhorar seu preparo físico. Já com o basquete teve contato pela primeira vez apenas na faculdade.

“Competitividade” é o combustível que leva Gadeilha a ir além, “O que eu busco em toda a modalidade que participo é a competição. Principalmente nas modalidades novas, em que eu tenho a noção de que eu tenho muito que aprender, essa oportunidade de competir com outras pessoas me estimula treinar mais e buscar coisas novas, me desafia”

Felipe, com a bola no pé, disputando final contra Tupã, no ano passado.

É unânime o sentimento dos três sobre o Inter Prudente de 2016. “Araçatuba tinha caído pra segunda divisão em 2015, e nesse ano nós fomos campeões da segunda divisão. Sentir a energia de todo mundo foi um sentimento indescritível. Todos os jogos eram como  uma final para nós. Demos o sangue em cada disputa.”, diz Souto.

Vale ressaltar que o trabalho e a dedicação somados a integração fizeram a diferença para que Araçatuba torna-se campeã no ano passado e voltasse à primeira divisão do Inter. Souto concorda, “Devo minha motivação a nossa técnica, Waldirene Nunes. O treino se tornou realmente treino quando ela começou. Temos outra energia e outra vontade com ela. Sempre acreditou em nós e nos dá novas lições de vida a cada treino”.

Foto de capa: Bárbara Curi realizando um levantamento para a sua dupla durante partida de vôlei de praia.

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