Por dentro das torcidas organizadas: Sindicato Aurirroxo

por • 10 de maio de 2017 • Colaboradores, Colunas, EspecialComentários (0)383

Saiba mais sobre a história da Torcida Organizada da ECA USP

 

Por Leonardo Milano


A paixão que move o esporte universitário é, em grande parte, alimentada por cada pessoa que se dedica a fazê-lo acontecer, seja na organização, nas quadras ou na arquibancada. Principalmente nos inters, as torcidas organizadas possuem um protagonismo incontestável: levantar o atleta em quadra e motivar todos os alunos a torcer por sua faculdade.

A ideia de criar uma torcida organizada na Escola de Comunicações e Artes da USP surgiu de um grupo de amigos que achavam a torcida da ECA meio “morta”. Ainda mais, quando comparada às torcidas das outras principais faculdades do Juca, os Jogos de Universitários de Comunicações e Artes, inter da qual a ECA participa anualmente.

Um dos fundadores da torcida, Pedro Taveira, ou “Firmeza” como é mais conhecido, afirma que nunca antes havia participado de uma torcida organizada, mas que sempre frequentou estádios de futebol e admirou os grupos de torcedores organizados famosos no meio futebolístico.

Em 2009, Firmeza era tesoureiro da atlética, mestre da BaterEca e goleiro do time de futsal da ECA. Mesmo aparentemente bastante atarefado, o então estudante de jornalismo se juntou com um grupo de pessoas que compartilhava da mesma vontade de fundar uma torcida e assim, deram a luz ao Sindicato. O propósito? Incentivar os times da ECA em toda situação, não importa contra quem, ganhando ou perdendo, nas palavras do próprio Firmeza.

Os primeiros passos da então recém criada torcida foi bolar e promover um concurso de hinos novos, em parceria com a atlética, e juntar dinheiro pra comprar materiais.

No começo fizeram vaquinhas e acabaram colocando uma grana do próprio bolso. Mas como bons ecanos, não deixaram a criatividade de lado. Fizeram rifas e venderam bebidas na famosa QuintaiBreja, festa semanal que ocorre na Prainha ecana. Além disso, tiveram a ideia de pedir a colaboração de ecanos mais velhos que sabidamente curtiam a ideia de fundar uma torcida organizada na ECA e deixaram uma caixinha na sala da Atlética pra galera que quisesse colaborar.

Com o que arrecadaram pintaram faixas e o primeiro bandeirão oficial do Sindicato e compraram foguetes, fumaça e sinalizadores para animar a torcida na Qib Pré Juca e nos ginásios durante os jogos da ECA.

Apesar de poucos resultados em 2009, no ano seguinte, a coisa cresceu. Mais pessoas se interessaram pela proposta e decidiram se unir aos torcedores.

Firmeza, no entanto, acredita que o seu principal objetivo ao ajudar na fundação de uma torcida organizada na ECA não foi atingido: o torcedor ecano ainda não se convenceu de que deve cantar incansavelmente durante os jogos. Mas, segundo o jornalista formado em 2013 não foi por falta de tentativa, mas sim por uma questão cultural. “Num Inter as baterias não param. Se você tenta cantar, você perde pro barulho da bateria do lado de lá, ou mesmo pra do lado de cá. Então a solução é nossa bateria tocar ainda mais alto. Não é como num estádio em que a bateria acompanha a torcida. É o contrário, a bateria toca e em alguns momentos puxa um canto ou outro. Esses momentos normalmente são incríveis, claro, mas a maior parte do tempo é samba seco. Além dessa, a maior dificuldade é estar disponível o tempo todo num Inter, todos os jogos. Convenhamos, a galera vai pra beber, se divertir e vez ou outra, quando convier, torcer. E incentivar os que estavam dispostos a torcer, enquanto a maior parte da arquibancada permanecia sentada era difícil”.

O nome Sindicato Aurirroxo é uma provocação ao rivais, conta: “uma das coisas que as outras faculdades usavam pra zoar a Eca era o fato de sempre estarmos em greve. Então a gente aproveitou o tema e achou um nome que tinha relação. Greve, sindicalistas, sindicato…”

A torcida surgiu em boa hora. Em 2010, a Eca conquistaria o seu segundo título do JUCA, já com o bandeirão, as faixas e o caixão com o símbolo do Mackenzie (uma das maiores rivais da ECA) preparados pelos torcedores organizados.

Em 2016, durante o processo de renovação do Sindicato Aurirroxo, um grupo de jovens se auto organizou em torno do que chamam de Sindijovem. Para Rafael Oliveira, atual tesoureiro da Ecatlética e membro da nova organização, o Sindicato não tem sido efetivo na sua atribuição de, de fato, conduzir à massa ecana aos jogos que não atraem por si só o interesse do público, como as finais de inter. Mas, para o jovem sindicalista isso se deve à idade avançada da maioria dos membros da torcida, que já não tem mais tempo e nem tanta disposição pra fazer os “corres” necessários. Para trazer de volta vitalidade à torcida e atrair a nova geração ecana decidiram criar o Sindijovem.

Foto de capa por: ECA Jr.

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