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Rivetti: do Esporte Universitário à SuperLiga de Vôlei

por • 24 de maio de 2017 • Colunas, Entrevista, VôleiComentários (0)1474

Leia a entrevista exclusiva do técnico de vôlei Alexandre Rivetti para a Revista BEAT

 

Há 17 anos treinando os times de vôlei da Poli, Alexandre Rivetti realizou o grande sonho de se tornar treinador de um time da Super Liga A. Na temporada 2013/2014, o técnico levou o time do Brasil Kirin de Campinas ao terceiro lugar de uma das competições de vôlei mais disputadas do planeta. Mas, mesmo após alcançar o tão desejado posto de treinador de uma equipe profissional, Rivetti nunca largou o esporte universitário. Em entrevista à Revista BEAT, Rivetti fala sobre esse assunto e muito mais, confira:

Por Leonardo Milano

 

Revista BEAT: Você se lembra do por quê você se decidiu se tornar técnico de vôlei? Quando foi que você tomou essa decisão e o que te levou a isso?

Rivetti: Desde a minha infância eu jogava vôlei. Acabei me tornando atleta profissional, mas em dado momento da minha vida eu decidi que queria me tornar engenheiro. Cheguei a cursar um ano e meio de engenharia, mas descobri que não era aquilo o realmente me dava prazer. Acabei largando a faculdade de engenharia para me dedicar à educação física. E daí pra me tornar técnico de vôlei durante a faculdade foi natural. Eu procurei, como já era de se esperar, a área com a qual eu tinha maior afinidade. Além disso, as melhores oportunidades que apareceram pra mim foram na área do voleibol. Eu até tentei seguir carreira como professor escolar. Mas, o que sempre me abriu portas foi o voleibol.

RB: Olhando pra traz você acha que tomou a decisão certa?

Rivetti: Se eu pudesse voltar atrás eu não teria escolhido seguir carreira esportiva. Não porque eu não goste, mas por tudo o que eu já vi acontecer no nosso país, principalmente em relação a gestão do esporte. Não há patrocínio e nem apoio suficiente. Quando você é jovem é tudo mais fácil, mas, na medida em que você envelhece, tudo se torna mais complicado. As oportunidades se tornam ainda mais escassas. É difícil ter segurança no seu emprego e um retorno financeiro justo em relação ao esforço.

RB: O que que um técnico precisa fazer pra chegar até a Super Liga A?

Rivetti: Infelizmente, por mérito apenas é impossível. É claro que os que chegaram lá o fizeram por mérito e muito esforço. Mas você precisa de muita sorte e principalmente de contatos lá dentro. Eu já conheci muito gente boa nas categorias de base que não teve oportunidade de chegar na principal categoria. Assim como tem gente nem tão boa na categoria de cima e continua lá.

RB: E o que é necessário pra se manter na Super Liga A depois de ter chegado lá?

Rivetti: O principal é a política. Você tem que ser muito político e articulado e isso significa saber engolir sapo e não tomar partido. É bem complicado se manter na Super Liga, principalmente porque não depende só de você. Tem muita pressão dos patrocinadores em relação a resultado, por exemplo. Você precisa ter uma retaguarda que te apoie. Supervisores, dirigentes… São muitos fatores, não apenas os resultados. Mas é claro que qualidade técnica é crucial também.

RB: Você já foi treinador de times da Super Ligar A. Mesmo assim, nunca largou o esporte universitário. Por que?

Rivetti: Eu já estou na Poli [Escola Politécnica da USP]  há 17 anos. Eu sempre vivi o esporte universitário intensamente. Já fui campeão de todos os torneios universitários de vôlei possíveis. Passei por várias faculdades, mas eu posso dizer que tenho um amor muito grande pelos times da Poli. Muito por conta da maneira como os alunos da Atlética e da Poli em geral tratam o esporte. É claro que a agenda batia de vez em quando. Eu ia pra Campinas muitas vezes e voltava no mesmo dia pra poder treinar a Poli. E as pessoas de fato me questionavam, “pô, mas você é treinador de um time da Super Liga e vem aqui dar treino em uma quadra externa, com uma bola suja, com frio, garoa, e você tá aqui no CEPE? Qual é o lance?”. E eu sabia muito bem que a Super Liga era um circo. O espetáculo é lindo, tem televisão, mídia, mas você nunca sabe o dia de amanhã. No Universitário eu sempre soube. Nunca tive segurança na Super Liga como eu tive com os meus times universitários. Por isso eu sempre os mantive. Até pra me manter financeiramente.

RB: Você quer voltar pra Super Liga?

Rivetti: O meu grande objetivo hoje é trabalhar fora do país. Eu já estive muito perto disso, de assumir um time europeu, mas nunca se concretizou. Lá a valorização do profissional é muito diferente daqui. Além da qualidade de vida superior. Eu cada vez mais me preocupo com a minha família e a Europa seria um lugar muito melhor pra eu conseguir educar o meu filho, trabalhar e aparecer como treinador. Eu não preciso ganhar milhões, mas lá fora eu conseguiria pelo menos guardar algum dinheiro.

RB: Quais são os sonhos do Rivetti?

Rivetti: O meu sonho maior é me tornar técnico da seleção brasileira. É o meu país, é o esporte que eu amo e é uma oportunidade de disputar uma Olimpíada. O meu sonho estaria completo se eu conseguisse disputar uma Olimpíada com o Brasil. Mas se eu pudesse treinar qualquer outra seleção olímpica isso já seria a realização de um sonho também.

Foto de capa: Rivetti no comando de Campinas – Divulgação/Brasil Kirin

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