O inter que nos trouxe de volta

por • 24 de abril de 2017 • Basquetebol, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Jogo a Jogo, Rugby, VôleiComentários (0)1132

Atlética da EEFE de volta ao ritmo de inter

 

Por Alexandre Iponema Gallucci

 

2014. Meu primeiro ano de atlética e um grande desafio. A nossa gestão entrou com dois objetivos principais: organizar a casa e incluir a EEFE em algum inter. Nossa atlética não participava de uma competição como essa desde 2012 e quem conhece o esporte universitário sabe o quanto um inter é fundamental, em diversos aspectos, para uma atlética.

Em julho desse mesmo ano, recebemos um convite da presidente da Liga das Engenharias da Unicamp (LEU), nos convidando para participar de um projeto novo ainda desenvolvimento. A ideia consistia na reunião de algumas atléticas de engenharia que não participavam mais do Engenharíadas, e mais algumas “não-engenharias”, para fundar um inter, afinal eles precisavam de uma competição do tipo para substituir o que até então competiam.

No início estavam a LEU, CAASO, a Escola de Engenharia de Lorena (EEL), a Poli e nós. Outras foram chamadas, mas não acataram o convite. Além disso, infelizmente a Poli não seguiu no projeto. Mesmo assim,  após algumas reuniões iniciais o inter ganhou corpo e se consolidou gradualmente. Na reunião em que decidimos o nome, ficamos entre JUPA (Jogos Universitários Paulista) e CUPA (Copa Universitária Paulista). CUPA, como vocês já sabem, ganhou a votação. E além de um nome, o recém criado inter ganhou duas convidadas também: Unesp Rio Claro e FFLCH entraram para participar da primeira edição.

 

O primeiro a gente nunca esquece

O primeiro ano de CUPA foi muito intenso, principalmente para quem participou da organização, afinal estávamos fundando algo grande. Desde o início, um inter que envolvia – e ainda envolve – grandes e tradicionais atléticas, com muitos atletas de diversas modalidades. Isso significou, na época, uma carga imensa de trabalho para todas as atléticas, traduzida em diversas reuniões, viagens, visitas técnicas, apresentações de empresas, cotações, divulgações, etc. Nos desdobramos dias e noites para fazer a CUPA acontecer.

Essa primeira edição foi para mim um misto de sensações. Orgulho, por ter ajudado a fundar aquilo que estava acontecendo. Alegria, ao ver nossas modalidades (formadas principalmente por atletas que nunca tinham jogado um inter e, mal sabiam o que era uma competição como essa) participando de um inter. Tristeza, ao ver as mesmas modalidades perderem a maioria dos jogos e depois ver nossa delegação amargar o 5° lugar no geral. E, por fim, satisfação, pois, entre falhas e acertos, a primeira edição foi sensacional.

Contudo, nem tudo foi tão “sensacional” assim. Casos de machismo e homofobia foram relatados durante jogos e festas e a não resolução da maneira que eu considero a mais adequada desses acontecimentos foram, na minha opinião, a principal falha da primeira edição. Após o término da competição o assunto foi tratado pelos organizadores nas reuniões, mas de novo não conseguimos obter resultados na implementação de medidas para coibir e punir os casos em questão. Infelizmente a CUPA refletiu a nossa sociedade que também é machista e homofóbica e que também não trata esses casos da maneira que esperamos.

 

Amanhã vai ser maior

Já na segunda edição tivemos algumas mudanças, mas a mesma intensidade. Alteração nas convidadas: saíram Unesp Rio Claro e FFLCH e entraram Unesp Araraquara e IME.

A sensação dessa vez foi outra. A CUPA já existia, já havíamos participado uma vez, a grande maioria já sabia o que era um inter, as modalidades agora se preparavam para algo que conheciam, sabiam o que iriam encontrar. E o principal resultado disso foi a melhora no nosso desempenho esportivo, claro. Das 8 finais possíveis em modalidades de quadra chegamos em 6! Jogos emocionantes, nossa torcida que costuma não ser animada estava dessa vez empolgada e participando ativamente dos jogos e assim subimos para o 3° lugar geral ficando a apenas UM ponto do 2° lugar!

 

O futuro nos aguarda

Para a 3ª edição, voltamos para São Carlos, cidade que sediou os jogos na sua estreia. Teremos novas convidadas: FEF Unicamp e Direito PUCCamp. Mas a principal mudança é a criação da Comissão Anti-opressão (CAO), que será formada por membros de todas as atléticas, e cuja missão será mitigar diferentes casos de opressão, importante passo para mudarmos o cenário da competição.

Outra mudança é no meu sentimento. Como estou totalmente fora da organização a preocupação aumenta, afinal, agora a CUPA é para mim a competição que eu e mais algumas pessoas fundamos. O projeto que tiramos do papel e que já nasceu grande, e que além de alavancar a atlética da EEFE representou o nosso retorno a um inter. Foi e é a criação de tradições entre nós da EEFE, são três/quatro dias em que nos unimos como em nenhum outro momento do ano e que vivemos intensamente o que é ser EEFE (mesmo que alguns não percebam) e, talvez o principal, representa um dos meus maiores legados dos anos de trabalho na atlética da EEFE. Anos que foram extremamente marcantes e significativos para mim. Por isso, desejo que tudo ocorra bem e que a CUPA se torne cada vez maior nos tempos que estão por vir.

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