BOM SENSO FC: as polêmicas do BichUSP

por • 27 de março de 2017 • Basquetebol, BichUSP, Cartola, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, VôleiComentários (0)1125

Por Shayene Metri

 

A expulsão do BichUSP 2017 da AAA EACH decorre de uma combinação de fatores recorrentes no esporte universitário: atletas irregulares, histórico de comportamentos questionáveis em campeonatos, regulamento confuso e, principalmente, sobreposição de interesses administrativos (leia-se: atleticanos) sobre as questões esportivas.

Por um lado, torna-se cada vez mais difícil defender a postura da Atlética da USP Leste.  Do ano passado para cá, foram pelo menos uns três casos em que torcedores, dirigentes ou mesmo atletas da entidade tiveram que passar pela Comissão Disciplinar da LAAUSP. Considerando o esporte universitário como um espaço de integração, aprendizado e coletividade, o número é, de fato, alto.

Tratando especificamente do BichUSP 2017, a AAA EACH, assim como outras atléticas participantes, colocou atletas irregulares em quadra, baseando-se em acordos confusos entre os associados da LAAUSP e na não vigência do regulamento do campeonato. Entretanto, diferentemente das outras atléticas, a EACH insistiu na brecha do regulamento e manteve seus atletas em quadra. Má fé ou não, a EACH tinha a desorganização da LAAUSP como defesa para as irregularidades e, dessa forma, reagiu de forma inflexível à desclassificação da sua equipe. Jogos foram parados, quadra ocupada e discussões acaloradas.  Estórias, versões e fofocas à parte, a última semana ficou marcada pela expulsão da entidade do campeonato de calouros (ainda em seu primeiro final de semana) e por uma série de outras retaliações, como multa e perda de voto.

Por outro lado, a desorganização, amadorismo e extremismo da LAAUSP (leia-se: das atléticas que compõem a Liga, não apenas seus dirigentes) perante o fato. Desorganização sobre as decisões tomadas previamente: além do atraso para envio do regulamento (ainda não aprovado pelo Conselho de Presidentes), as perguntas “pode ou não pode rebixo?” ou “E reingresso?” ficaram no ar para muitos dos atletas. Amadorismo ao lidar com os casos de irregularidades, por que exatamente só a EACH foi desclassificada previamente? Afinal, quem exatamente (e por meio de quais fatores)  define o peso para as medidas tomadas pela Liga? E, por último (e mais importante), extremismo ao optar banir dezenas de futuros atletas da única oportunidade de jogarem o campeonato mais amado por qualquer uspiano.

 

Déficit esportivo: a pior das perdas

É sabido que uma atlética, assim como um clube ou federação, serve, antes de tudo, para representar seus atletas. Entretanto, sabe-se também que, muitas vezes, entidades falham, como também perdem o controle sobre quem representam (torcedores, atletas, integrantes, etc). São inúmeros os casos para exemplificar isso, seja no esporte de alto rendimento ou no universitário. Clubes e gestões corruptas, Federações ineficientes, torcidas organizadas violentas, atletas indisciplinados. Infelizmente, tratam-se de problemas recorrentes no cenário esportivo (nacional, mundial, amador ou profissional), tais quais devem ser tratados com bom senso, a melhor palavra de todos os tempos da última semana.

A eliminação da EACH do BichUSP representa, a grosso modo, que os interesses e questões atleticanas estão acima do próprio desenvolvimento do esporte uspiano. Ao excluir os calouros da USP Leste da competição, a Liga enfraquece justamente o que ela representa: o trabalho pela prática esportiva no campus.  Estamos falando de futuros atletas, dirigentes, times, treinadores e bixos que, na sua maioria, não compactuam e muito menos estiveram presentes na confusão. Estamos falando de parte do futuro esportivo da USP.

No cenário do esporte profissional, é raro encontrar esse tipo de retaliação. Normalmente, não à toa, as medidas se limitam a entidades ou grupos. Após um abuso de torcida organizada, o time continua jogando, mesmo que sem torcedores por um período. Ou mesmo quando um atleta apresenta atitudes negativas (exemplo: Suárez na Copa de 2014), apenas ele é punido, e não toda a sua equipe. Para não dizer que a suspensão geral nunca ocorreu, houve o caso CBB e FIBA em 2016 (ler mais aqui: http://istoe.com.br/vitimas-de-punicao-da-fiba-clubes-atacam-gestao-da-cbb/). Entretanto, não se pode negar as consequências extremamente negativas que essa decisão acarreta para o esporte brasileiro.

Ou seja, ao optar pelo extremismo, a LAAUSP se autoprejudica, visto que ela também representa esses atletas. De fato, não se deve esquecer as infrações da EACH, mas há de existirem soluções que convirjam com o trabalho da Liga. A exclusão é o caminho mais simples e, à primeira vista, mais óbvio. Porém, um caminho injusto. Injusto não apenas com os calouros mas, principalmente, com cada pessoa que preza pelo esporte universitário. Ainda há tempo.

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