Cepe não terá mais horário estendido

por • 16 de março de 2017 • Basquetebol, Cartola, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, VôleiComentários (0)804

Saiba como medida está afetando os times e as Atléticas da USP

 

Por Leonardo Milano

Na última semana, circulou nos grupos de Whats App dos times e atléticas universitárias da USP que não haveria mais a possibilidade de treinos no horário estendido. O anúncio fora dado pelo Centro de Práticas Esportivas da USP, o Cepe, em comunicado à Liga das Atléticas Universitárias da USP (LAAUSP). Nesta quarta feira, dia 15, a informação foi confirmada à Revista BEAT e nós fomos atrás de atletas e atleticanos entender de que maneira a medida afeta a rotina do esporte universitário da USP.

 

O problema

Desde o dia 20 de outubro do ano passado, os times da USP estão sem a possibilidade de treinarem no período noturno devido a um problema na rede elétrica do Cepe, decorrente de uma intensa descarga elétrica provocada pela queda de um raio. Como publicamos no último mês, até agora, o problema persiste e não há previsão para que a reforma seja concluída.

Antes do “apagão”, entretanto, boa parte dos times uspianos dependia do chamado “horário estendido” para treinar. Isso porque, muitos cursos da USP possuem aulas no período noturno, a partir das 19:30. Além disso, é muito comum em faculdades como a ECA e a FEA que os estudantes comecem a trabalhar cedo, logo no segundo ano. Dessa forma, o horário estendido – que corresponde ao período das 21:30 às 23:15 – representa a melhor opção para inúmeros atletas que, sem essa opção, não mais poderão comparecer aos treinos de seus times.

Na prática, não há treinos durante o horário estendido no Cepe desde outubro, devido ao problema na rede elétrica. Durante o horário de verão, muitos times treinaram até às 20:00, quando a visibilidade ainda permitia a prática esportiva mas, agora, a situação é diferente. O Cepe anunciou oficialmente que não haverá treinos no horário estendido, mesmo após as reformas necessárias e a esperança de atletas, times e Atléticas de voltar a rotina normal de treinos antes da queda do fatídico raio foi por água à baixo.

A justificativa, segundo o assistente de direção do Cepe-USP, Vinícius Heine, é a seguinte: “Existe um problema de pessoal, pois não há funcionários para atuarem no período do horário estendido em função das adesões ao PIDV [Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário] da Universidade. Assim que esse problema for resolvido pretendemos retomar o horário estendido.”

O problema é que na primeira terça feira deste mês, dia 07/03, o Conselho Universitário da USP(CO) aprovou o pacote de austeridade proposto pelo reitor Marco Antonio Zago e que propõe, justamente, uma diminuição no quadro de funcionários técnicos da Universidade para diminuir as despesas da USP com folha salarial. Nesse cenário fica difícil imaginar que o Cepe conseguirá contratar novos funcionários no curto e médio prazo para dar prosseguimento ao funcionamento durante o horário estendido.

 

O lado fraco

As Atléticas e os times, após o recebimento da notícia de que não mais haveria treinos no horário estendido do Cepe, estão tendo que rever o seu planejamento e encontrar soluções.

“Em relação ao planejamento da nossa Atlética [Farma USP] fomos prejudicados, assim como os times, fazendo com que a nossa gestão tivesse que correr atrás de quadras externas para treino, aumentando assim os nosso custos ou, em alguns casos, impossibilitando o treino dos times”, afirma Bruno Coelho, diretor geral de esportes da Atlética Farma USP.

A presidente da AAAVC, a Atlética da Faculdade de Economia e Administração (FEA-USP), Giovana Langanke, por sua vez, afirmou que muitos times já não consideravam treinar no estendido em função da falta de luz e que, dessa forma, já haviam se planejado para treinar em quadras fora do campus. O aluguel das quadras está sendo bancado pelos próprios times, como afirmou Langanke, mas a Atlética está estudando uma forma de financiamento.

O tesoureiro da mesma AAVC e também atleta de vôlei do time da FEA, Felipe Higashino, afirma que o time está gastando R$580 mensais para treinar duas vezes por semana. O custo é dividido entre os próprios atletas.

Já a LAAUSP está estudando oferecer uma quantia de 75 reais semanais para possibilitar o treino das Seleções USP, que, usualmente, treinam no horário estendido. Conforme a diretora geral de esportes da entidade, Bruna Hara, o Cepe prometeu celeridade no conserto dos problemas com a rede elétrica, o que poderá aliviar um pouco a demanda por oferta de quadras. Isso porque uma parte dos times conseguiria treinar das 19:00, horário no qual não há mais visibilidade, até as 21:30, quando o Cepe irá encerrar as suas atividades.

A Atlética da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), entretanto, carece de recursos para prestar qualquer tipo de auxílio financeiro aos times. “Nossa Atlética não tem patrocínio e contamos com um público médio de alunos se comparado ao de outras Atléticas da USP. Nossos recursos não são suficientes para garantir o aluguel de quadras para nossos times. Com muita dificuldade uma ou outra modalidade se mobiliza e arca com as despesas por conta própria, mas mesmo assim não é suficiente para suprir a demanda dos treinos.”, lamenta Pedro Henrique Amorim, diretor geral de esportes da FAU.

“A FAU sempre teve dificuldade em manter uma gama ampla de modalidades, agora ficou ainda mais difícil.”, completa Amorim.

Entraves como esse apenas aumentam as distâncias técnicas entre os times de Atléticas que podem pagar por quadras externas e Atléticas menores. E o que deveria se expandir e melhorar se torna ainda mais restrito.

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