Um guia para sobreviver na volta aos treinos

por • 23 de fevereiro de 2017 • Basquetebol, Colaboradores, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, Saúde & Alimentação, VôleiComentários (0)575

As férias acabaram e é hora de sair da cama. Saiba como retomar seus treinos rumo ao sucesso e sem grandes surpresas para estragar o ano.

 

Por Maria Cecília da Silva Martins

Se você tirou aquelas férias dos treinos e agora chegou a hora de voltar às atividades, esse texto é para você. E se você percebeu que esse retorno não vai ser assim tão fácil logo que fez o primeiro treino do ano, você vai se animar ao saber que tudo ficará bem em breve.

O que acontece com o nosso corpo durante as férias (ou qualquer outro período de afastamento dos treinos seja por uma lesão, uma viagem ou por falta de tempo/ânimo) é regido pelo princípio do treinamento que chamamos de “reversibilidade”.

Sempre que o nosso corpo é submetido a uma nova condição de esforço físico, ele sofre adaptações progressivas a partir dos estímulos recebidos para melhor cumprir a tarefa exigida. Para que isso aconteça, os estímulos dados devem obedecer uma constante de especificidade, sobrecarga e continuidade. Isso porque cada adaptação alcançada é resultado de processos fisiológicos que ocorrem em nosso sistema nervoso e osteomuscular deflagrados pelo conjunto treino, alimentação e descanso. Mantendo um equilíbrio entre esse conjunto, as adaptações continuarão acontecendo.

Foto por Caio Avino

Porém, se algo faltar no conjunto, o ganho de adaptação será prejudicado. Da mesma forma, se houver excesso de algo no conjunto, as adaptações não ocorrerão como devem. Pois é, os resultados do treino dependem do equilíbrio perfeito entre essas variáveis da equação. Qualquer desarmonia pode interferir negativamente.

Se eu interrompo a continuidade dos treinos durante as férias, permito – mesmo que sem querer – que o meu corpo entre em processo de desuso de toda a massa muscular e coordenação motora adquiridas ao longo de semanas. Então ele entende que essas adaptações só servirão para consumir mais energia desnecessariamente. Nada mais justo que se livrar desse excedente inútil. E aí você entra em processo de perda. Algo também progressivo, mas mais rápido do que o processo de ganho.

Por isso, quando voltamos aos treinos, temos aquela sensação de que tudo o que levamos um ano para conseguir, sumiu em dois meses parado. É exagero pensar que foi tudo. Essa perda depende do tempo e do nível de inatividade em que esteve. Quanto mais longo o período, pior.

A notícia boa é que o nosso cérebro sempre guarda alguma aquisição de comandos e coordenação neural. Logo, você consegue manter certo rendimento técnico daquilo que foi aprendido nos treinos. O condicionamento é que realmente parece descambar.

Outro fator motivador é que seu corpo possui  memória e substratos daquilo que já teve e, assim, fica mais fácil recuperar as adaptações estruturais perdidas uma vez que você já as teve. Então, não vai levar o mesmo um ano para você chegar ao auge. Isso se você se esforçar.

E qual a dica para que tudo isso corra dentro dos conformes, sem lesões e sem surpresas desagradáveis? Vai com calma.

Foto por Caio Avino

Primeiro, respeite os seus limites. E aqui, é importante ressaltar que limite não é preguiça. Mas pare para respirar quando faltar fôlego e saia do exercício se sentir alguma dor. Não volte achando que pode treinar com os mesmos pesos que antes. Nem que vai correr a mesma distância no mesmo tempo. O segredo é voltar um pouco atrás para então avançar gradualmente. Tenha paciência.

Além disso, essa é uma ótima época para se pensar em prevenção de lesões. O ano está começando e logo virá aquele ciclo todo de preparo para as competições. Não espere que os treinos se intensifiquem e você se machuque para procurar ajuda. Comece agora a cuidar daquilo que não está tão bem: força, estabilidade, técnica, consciência corporal, psicológico, alimentação, rotina de sono e de trabalho, programação dos dias de treino e de descanso…

Seu treinador poderá te orientar nesse sentido. E se houver um fisioterapeuta ao seu alcance, aproveite para tirar dúvidas e dar uma olhada nos seus gestos esportivos. Será que não estou correndo, saltando ou agachando errado? Ou será que eu tenho uma diferença no comprimento das pernas que me deixa mancando? E se já rompeu ligamentos, torceu o tornozelo ou estirou alguns músculos, redobre os cuidados! Seu corpo já está mais fragilizado e ainda pode guardar as condições que causaram essas lesões anteriormente.

Comemore. Chegou a hora de fazer aquilo que amamos. Pegue seu tênis, arrume a mochila e vai treinar!

 

Crédito foto de capa: Por Gustavo Bucker

Posts Relacionados

Comentários fechados