Quando os jogos acabam

por • 24 de janeiro de 2017 • Colaboradores, Colunas, Especial, VôleiComentários (0)851

Muitas viagens, grandes amigos e uma despedida

Por Victor Matheus da Silva Martins

 

 

Acabaram-se os gritos. O sono não será mais interrompido por pessoas arrastando cadeiras. O colchão de ar voltou para o armário por tempo indeterminado. Os banhos voltaram a acontecer regularmente. As dores no corpo começaram a diminuir. As frases deixaram de ser rimadas e ritmadas. Os ouvidos pararam de zunir. As refeições voltaram a matar a fome. O som da Bateria SA foi trocado pelo silêncio.

victor fea - revista beat

Victor levantando no jogo contra a MED-USP nos Jogos da Liga de 2015. Por Luisa Zucchi

Quando o feriado da proclamação da República de 2016 terminou, com ele a minha participação em Economíadas também chegou ao fim. E o meu primeiro pensamento foi: “o que vou fazer no próximo 15 de novembro?”. Estava tão acostumado a reservar o feriado para viajar para alguma cidade do interior paulista e competir, que a ausência desse compromisso deixou um leque de oportunidades com o qual ainda não estou sabendo lidar.

Foram 5 participações intensas neste interuniversitário pelo qual tantos feanos nutrem um sentimento especial. Mas o frio no estômago ao entrar em quadra este ano ainda era o mesmo. Não havia outro lugar que eu gostaria de estar. Arrepiava ouvir a Bateria SA tocando. Nesses anos, conheci as coreografias, as letras das músicas, conheci muita gente que não guardei o nome e que estavam ali na arquibancada torcendo. Tenho uma imensa gratidão
por essas pessoas. Torceram, gritaram. Jogamos juntos para falar a verdade… Nem sempre a vitória veio, mas isso nunca importou para elas. O sentimento de ajudar de alguma forma quem estava em quadra é a maior recompensa. Sentirei falta de olhar para a arquibancada e ver pessoas apoiando, não importa o resultado.

O meu último Economíadas não foi especial nem por ter sido o último e nem por termos conseguido levar o tetracampeonato do voleibol masculino para casa. O meu último Economíadas foi especial pelas pessoas que lá estavam. A competição não poderia ter sido mais emocionante. Foi tudo exatamente como poderíamos desejar: fomos o ápice que todo time deveria ser, uma família.

Uma família que briga entre si, que discute e questiona, com pessoas divergentes, com pessoas parecidas, com pessoas que já se foram, com pessoas recém-chegadas. Com pessoas velhas em corpos jovens, com pessoas jovens em corpos velhos, com vários pais, vários tios, vários sobrinhos e filhos. E, como uma família, passamos juntos por todos os momentos unidos, dos mais tristes aos mais felizes.

Quando fizemos o último ponto e o árbitro apitou o fim do jogo da final, toda a família estava em quadra, comemorando, gritando, chorando. Um misto de alegria e tristeza passou por todos nós. Estávamos felizes por termos ganhado, por termos feito história na competição, mas também estávamos tristes, pois sabíamos que era a última vez que aquela família estaria junta disputando um Inter. Era uma despedida em grande estilo, mas não deixava de ser uma despedida.

revista beat - feausp1

Apesar de ser apenas um, entre tantos em nossa vida, o ciclo universitário não é fácil de ser deixado para trás. Não tanto pelo esporte, pela estrutura, pelas competições, pelas viagens loucas, pelas noites não dormidas. Mas, sim, pelos momentos vividos com pessoas incríveis. Dói saber que os encontros regulares com os amigos vão diminuir, que vão ficar cada vez mais difíceis de acontecer e talvez, por motivos aleatórios da vida, não aconteçam mais. Se aposentar do esporte universitário dói. Se despedir de amigos dói mais ainda.

Não é um “Adeus!”. É mais parecido com um “Até logo!”, mas sem conseguir precisar o tamanho desse “logo”. Fica a satisfação de ter feito parte de algo alegre, louco, bonito, extremamente divertido e importante, sempre acompanhado de grandes amigos.

Crédito foto de capa: Pridia

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