Carta ao ingressante

por • 31 de janeiro de 2017 • Colunas, Handebol, PerfilComentários (0)892

Por Fernando Maluf Guimarães

 

Saudações, jovem ingressante!

Você acaba de entrar na faculdade e deve estar ouvindo um monte de gente te dizer que estes serão os melhores anos da sua vida. Você acredita, estou seguro, mas também se pergunta exatamente por qual razão te dizem isso. Bom, são várias razões. Você vai experimentar muitas delas, e uma hora vai sentir qual delas é a resposta pra você. É possível, também, que sejam várias respostas.

Uma dessas respostas, pra mim, é a razão pela qual estamos nos conhecendo agora: Fazemos parte do mesmo time.

Era uma expectativa e uma dúvida que eu tinha quando entrei. Tem time? Será que é bom? Será que eles treinam? Tem técnico? Jogam campeonatos? No meu caso, minhas experiências anteriores com esportes se limitavam aos times da escola, uma vez ou outra. E eu pensava se então na faculdade eu iria fazer parte de um time de verdade. Se eu iria treinar e melhorar, e se quando eu me formasse – como estou fazendo agora -teria jogado campeonatos, viajado para jogar com o time e, o mais importante, se eu teria um uniforme guardado e uma foto de formação para pendurar na parede.

Lembro que o meu primeiro semestre de ECA foi mais ou menos uma avalanche de informações. Pra mim, o time tava no meio desse turbilhão de novidades: a turma da sala, as disciplinas, os novos espaços, o rolê à tarde, o movimento estudantil… um monte de coisa nova, acontecendo ao mesmo tempo e, por isso, difícil de assimilar.

Handebol Masculino_GustavoBucker1 (27)

Maluf na semi-final do BIFE 2016 contra a FFLCH. Foto por Gustavo Bucker

Tinha certeza que ia continuar jogando, é claro. Comecei a frequentar os treinos, comprei tênis novo, fiz a tal carteirinha da Laausp. Lembro vagamente dos primeiros jogos dos campeonatos internos. Eu tava bem perdido, ainda sem saber direito como tudo funcionava, e é provável que seja assim no começo com você também.

Mas teve um momento especial, em que o time de hand se destacou desse amontoado de novidades e ganhou destaque pra mim. É difícil dizer isso sem soar clichê, mas o primeiro inter – no nosso caso, o primeiro JUCA – foi inesquecível. E será pra você também. O frio na barriga, o ginásio lotado, a tensão extra no rosto de cada jogador do time – pessoas que você ainda vai estar conhecendo – tudo ali tem uma cara diferente. Até da estranha combinação de roxo com amarelo você pode começar a gostar. Não adianta tentar descrever muito. Antes daquilo, continuar jogando era um plano; depois, seria mais que um desejo. Seria quase uma necessidade.

(se você não entendeu a dica, marque a data do JUCA no seu calendário e descarte quaisquer outros eventos nesse feriado)

No final do meu segundo ano, virei o diretor de modalidade do hand – o famoso DM. O DM é o cara que correu atrás de você e deixou o telefone no dia da matrícula. É o cara que sabe onde estão os uniformes e as bolas, que marca as datas dos nossos jogos e que recolhe a vaquinha do salário do técnico.

Com o passar do tempo e as tarefas de DM, conheci um pouco melhor esse grande mundo que é o esporte universitário.Você começa a ver de outro jeito coisas que antes, talvez, idealizava. Como faltam recursos, como falta estrutura, como tudo isso podia ser bem melhor. Mas ainda assim, você vai acabar se apegando a tudo isso, mesmo com todos as dificuldades. Talvez você até tente ir mais a fundo, e se envolva com essas coisas – atléticas, ligas, campeonatos, projetos – e tente melhorá-las. Se você fizer isso, vai quebrar a cara algumas vezes. Mas também vai ficar bem feliz ao ver que mudanças pra melhor, por menores que sejam, podem sim acontecer.   

Como estudante ecano, especificamente, você vai perceber que nem só no esporte universitário as coisas serão difíceis. Você nem entrou direito na ECA, mas já tem um problemão pela frente. Uma cerca, para ser mais específico, e a ameaça de perder, em um processo absolutamente ilegítimo, um espaço essencial a tudo que você vai desenvolver enquanto estudante nos próximos anos – inclusive às atividades esportivas. Não se acanhe e não abaixe a cabeça. Lute pela Prainha e pela Vivência, porque elas são suas. Mais que isso: elas são públicas. São de todos nós, estudantes ou não, ecanos ou não.

Mas, voltando à sua experiência como jogador do Glorioso Handebol Ecano, pode ser que no início você se sinta motivado porque é saudável e faz bem treinar duas vezes por semana. Ou então, pode ser por conta da adrenalina de cada jogo, pode ser pelo desafio de tentar melhorar a cada dia, pode ser por aquela chance, uma vez por semestre, de levantar uma arquibancada inteira de um ginásio, pode ser pelos amigos que você já vai ter feito dentro do time, e com quem, àquela altura, já vai ter trocado algumas risadas e criado algumas histórias pra contar depois… pra mim, durante todos esses anos, foi um pouco de tudo isso.

encontro de gerações - HM eca usp

Encontro de gerações das equipe de Handebol da ECA-USP.

E então, eu finalmente me formei. Estava jogando até pouco tempo atrás, então não posso dizer que já estou com saudades. E também não sei se vou sentir tão cedo. De todas essas coisas que o esporte universitário me proporcionou, a melhor, sem dúvida, foram os amigos. E agora mesmo nós estamos marcando um churrasco. Não vai acabar, sabe?

E assim como não sinto saudades ainda, também não vou me despedir de você aqui. Porque, de repente, a gente até pode estar junto em quadra um dia. Talvez em um desses feriados. Como já disse um sábio, o jogo continua…

Posts Relacionados

Comentários fechados