Quando o fim chega, quem toca o sonho?

por • 19 de dezembro de 2016 • Cartola, Colunas, PerfilComentários (0)1183

O que a atlética muda na vida de uma pessoa e a sensação do temido adeus 

Por Paula Thiemy

 

A vida é uma soma de inúmeros ciclos e, aquele que envolve a ECAtlética, para mim, acabou essa semana. É bem estranho pensar que a entidade que te abrigou e te envolveu pelos últimos dois anos não vai mais contar com a sua ajuda e administração diretas. No entanto, é bom saber que a vida segue e que outras pessoas, com aquela mesma energia e disposição que você tinha no começo, vão ser responsáveis por tocar o barco.

Quando me perguntam como foi ser presidente dessa entidade é muito difícil colocar em palavras. É uma mistura de sentimentos e lembranças que só quem já amou, acreditou e mergulhou de cabeça em um projeto pode entender. Um conhecido costuma usar a expressão “carreta desenfreada”, e acho que ela traduz bem a vida dentro da atlética. As coisas vão acontecendo, se atropelando e só te resta dançar conforme a música ou, nesse caso, acompanhar a velocidade da carreta.

Acompanhar o desenvolvimento dos times, as festas, as reuniões com novas carinhas – que também querem fazer parte desse sonho -, as discussões calorosas que acontecem em prol de um interesse em comum, a torcida cantando sem parar durante um jogo pegado no JUCA ou no BIFE, a breja gelando no cooler e o brilho nos olhos de quem, de alguma maneira, faz tudo isso acontecer, são as coisas que não nos deixam desistir. Trabalhar com esporte, universitário ou não, é mexer com sonhos, e a atlética é isso: um sonho.

Porém, sonhar esse sonho sai um pouco mais caro do que parece. São muitas noites sem dormir (algumas fazendo reuniões, outras pensando em como resolver os problemas), fios de cabelo perdidos, almoços e jantas que ficam para trás porque outras coisas são mais importantes naquele momento, aniversários de amigos e familiares que só poderão ser comemorados no ano seguinte, trabalhos de faculdade e atividades do estágio que atrasaram porque foram colocados em segundo plano, cinemas com o namorado que se transformam em uma seção Netflix (na próxima semana ou no próximo ano, nunca se sabe) e discussões, quase semanais, para tentar explicar para as outras pessoas porque abrir mão disso tudo vale a pena.

Por Luisa Zucchi

Por Luisa Zucchi

Chega uma hora que até as coisas boas saturam, afinal, só quem passou pelo cansaço indescritível no fim de um inter, mesmo quando ele estava maravilhoso, sabe o que é isso. Isso acontece dentro da atlética também. Chega uma hora que começa a acabar o gás, as pernas doem mais que o normal e o corpo não consegue mais administrar toda a adrenalina da carreta descendo o morro.

Para salvar o mundo, chegam os novos atleticanos. Do primeiro ano, do segundo ano, DMs, plantonistas de festas, esportistas, que odeiam ir nas aulas, que não ligam paras as horas incansáveis de reunião, que aguentam ficar o fim de semana todo acordado para emendar festa + jogos, que tem ideias novas sobre como tocar projetos dentro da entidade, que odeiam o curso, que amam ir nas aulas, que ficam até tarde no CEPE para treinar, que acordam às 6h da manhã para treinar, que dormem durante os seminários porque treinar cansa, que dão aquela enrolada no trabalho para fazer uma arte para o cartaz da próxima festa, que ligam nas casas para descobrir se ela comporta a festa, que fazem reuniões durante a madrugada para organizar um JUCA, que se encontram na FAU toda semana para planejar um BIFE e muitos outros. Todos esses são a cara da ECAtlética. Os que não se encaixam em nada disso também são a cara da ECAtlética. Para fazer parte da entidade, apesar dessa enorme lista, você só precisa de amor e força de vontade. O resto, se você se deixar envolver, vem naturalmente.

Assim como os ciclos que falei no início, esse texto também precisa acabar. E, ao contrário do que possa parecer, os fins são tão bons quanto os começos. Nessa mudança de comando, a atlética se renova, os atleticanos se renovam e, ainda bem, as amizades e o coração aurirroxo permanecem. A vida vale muito a pena.

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