Samba, caipirinha e muito esporte universitário

por • 20 de outubro de 2016 • Basquetebol, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, VôleiComentários (0)451

Por Adriæn Mejía Mejía

 

Coração. Essa é a primeira palavra na qual eu penso para definir o esporte na USP. Obviamente, todo mundo sabe a importância de ter um fluxo sanguíneo forte, fluido e sereno para ser um bom esportista. Mas não é deste aspecto do músculo mais importante do corpo ao qual eu me refiro para falar do esporte uspiano.

Quando eu cheguei aqui para realizar o meu intercâmbio, eu estava disposto a imergir na cultura brasileira. Afinal, eu estava saindo de um ano de puro estudo, virando noites e noites para me dedicar aos meus projetos de arquitetura. Ao chegar no Brasil, eu só queria aprender. Aprender a dançar samba, forró, gafieira, a tocar as mais lindas bossas novas, aprender a falar todas as gírias, aprender a dar abraços calorosos para saludar – isso foi o mais fácil -, aprender a fazer as melhores caipirinhas e, por fim, voltar a jogar basquete.

Infelizmente, desde que eu entrei na faculdade parei de brincar com essa maravilhosa bola laranja por ter tido a estupidez de achar que não ia dar tempo. E eu não poderia ter imaginado que ia re-aprender a jogar basquete por aqui.  No fim, acabei indo quase todos os dias ao CEPE USP para treinar com o time da FAU e, às vezes, até sozinho.

 

A motivação

O esporte na USP é paixão, intensidade e amor. O esporte na USP é acima de tudo coração. E se você ama de verdade o esporte que você pratica, a galera do seu time e a sua faculdade, você vai conseguir doar várias horas da sua semana para treinar e se dedicar nas competições. E, se isso acontecer, então você vai viver momentos inesquecíveis através do esporte.

Eu me senti assim logo na primeira vez em que eu entrei no CEPE. Fiquei impressionado quando vi as quadras cheias de atletas treinando com tanta intensidade pela suas respectivas faculdades. Quando um time acabava o treino, outro time entrava de imediato para treinar. Vocês como uspianos, já se acostumaram a isso, mas para quem vem de fora, ver tanta gente, de faculdades diferentes, treinando dessa maneira é simplesmente impressionante.

Mas o momento no qual eu realmente percebi a loucura que é o esporte universitário foi no InterFAU. Eu nunca tinha visto um ambiente assim até que a intensidade da bateria no meu primeiro jogo e a torcida fizeram com que eu entrasse em transe. Fizeram com que eu gritasse mais forte, corresse mais rápido e sentisse enorme prazer em jogar. Eu até aprendi a jogar com ressaca!

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Adriæn com a bola no InterFAU 2015. Foto por Ricardo Kuba

Repito que eu nunca tinha sentido tanto vontade de jogar bem, porque eu sentia que não jogava só por mim, mas também, pelo meu time e por toda a minha faculdade. E foi exatamente essa percepção que me deixou tão motivado a melhorar. Você sente que faz parte de uma grande família e que os seus companheiros do time são seus irmãos. E mesmo se às vezes as quadras estejam cheias demais, que os módulos estejam sempre em reforma, que a cafeteria tenha preços exorbitantes, que os treinos comecem um pouco tarde, que a chuva possa interromper as atividades treinos de repente… no fim, tanto faz, porque o esporte na USP abala o coração de quem se dedica, e isso vale mais que qualquer outra coisa.

Os estudantes que jogam na USP sabem do que eu estou falando. Mas se você não está jogando você está perdendo algo que você só vai ter a oportunidade de conhecer nesses anos de estudos universitários na USP. Eu faria de tudo para entrar como bicho num time, e ter mais de cinco anos para treinar, melhorar e ganhar vários Inters.

E se você é gringo, vai ajudar um time, fazer amizades com brasileiros, suar pelo menos uma parte do álcool que você ingere nas festas e, sobretudo, não perca nenhum inter!

Um bom intercâmbio não é só balada, viagem e estudos. É também o seu cotidiano. Nunca mais terei a oportunidade de voltar a jogar na USP, mas nunca esquecerei, de todas as risadas, os gritos, os bandecos pré-treinos, as esperanças, as derrotas e as vitórias que eu tive graças a esse ambiente tão especial. O esporte na USP é coração mesmo,

 

Valeu CEPE,

Valeu FAU,

Valeu USP,

VALEU BRASIL!

 

 

 

Crédito foto de capa: Ricardo Kuba

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