[#memóriasdoBIFE] Memórias de uma Banana no BIFE

por • 9 de outubro de 2016 • Colunas, Handebol, PerfilComentários (0)457

Por Hyana Martins Labanca (Banana)

 

Em 2016, completo cinco anos de BIFE! O primeiro foi em 2012, ano em que entrei na USP e para o time de Handebol da Física-IAG.  Destes cinco BIFEs,  sem sombra de dúvidas, o mais marcante para o time foi o do ano passado, em Taquaritinga: chegamos à final (inédita)! Para mim, em especial, foi muito importante porque foi o primeiro BIFE em que consegui jogar em perfeitas condições físicas, sem estar lesionada em alguma parte do corpo.

Mas, para chegarmos a essa final histórica, muita coisa rolou… Como boa parte das equipes universitárias, o time de HF da Física sofria muito com falta de atletas. Por alguns anos, apenas três meninas treinavam e, para que pudéssemos jogar, meninas de outras modalidades completavam, ou seja, éramos um catadão. Em 2012, a situação do time era um pouco melhor, mas, até 2013, poucas meninas efetivamente treinavam e, por consequência, a equipe ia mal nos jogos. Nos BIFES desses dois anos, por exemplo,  nós conseguimos passar pelos primeiros jogos (2013 perdemos pra Bio nos tiros de 7 metros, mas elas foram desclassificadas por ter jogadora irregular), mas sempre perdíamos nos jogos da semifinal.

Como eu disse, boa parte das minhas participações em BIFEs foi lesionada. Uma semana antes da edição de 2012, eu torci o joelho em um treino. Ficou tão inchado que eu não sabia em que ponto terminava a coxa e começava a canela! Mas, mesmo assim, joguei. O hit daquele BIFE era “ela não anda, ela desfila”. A minha versão era “ela não anda, ela só manca”. Em Abril de 2013, novamente, torci o joelho (dessa vez num jogo) e rompi o LCA. Fiquei de fora do time no primeiro semestre. Como o time estava sem goleira no segundo semestre e eu não podia jogar na linha, resolvi treinar no gol. Sim, eu fui goleira!

Já no ano de 2014, nosso time começou a melhorar.  A mudança de técnicos nos trouxe um novo ar e começamos a treinar forte. Não tivemos bons resultados ainda, porém, houve uma mudança de atitude da equipe em relação aos jogos. Infelizmente e uma vez mais, no BIFE de 2014, o time foi bem desfalcado. Eu tinha voltado aos treinos só em agosto, visto que ainda estava me recuperando da cirurgia no joelho. Mas, mesmo desfalcadas, fizemos um bom jogo (dentro do esperado para a situação).

O BIFE inesquecível

Confiantes, chegamos em 2015 com muita vontade de treinar e evoluir! E, para ajudar nessa trajetória, ganhamos 3 novas companheiras de time e tivemos a volta de uma atleta. Os treinos finalmente ficaram cheios e intensos. Fizemos bons jogos ao longo do ano, o que aumentou nossa confiança para brilhar no BIFE! E brilhamos!

Nosso primeiro jogo no BIFE do ano passado foi contra a Psico. O time delas era um catadão (como o nosso já havia sido um dia) e nós tínhamos a obrigação de vencer. E vencemos, por 29×02.

No dia seguinte, jogamos a semifinal contra a ECA: equipe forte, campeã de outras edições do inter e da qual nunca havíamos ganhado. Foi um jogo de se perder as unhas e os cabelos. Jogo pau, tenso, um faz e toma infinito! Eu estava tão na adrenalina que lembro de flashes do jogo só, muita coisa se perdeu! Sei que elas (e muita gente) não estavam esperando um jogo como aquele. Afinal, elas eram as favoritas. A Física-IAG era a zebra.

Do que me lembro bem são os instantes finais do jogo. Eu estava sendo marcada individual e o jogo seguia empatado. Nossa central puxa uma jogada pra mim, não consegue me passar, coloca a bola na ponta… E GOL! Na gaveta! Faltando mais ou menos 2 minutos para acabar o jogo, nosso técnico pede tempo pra acalmar os ânimos. O pior pedido de tempo da vida! Todas não viam a hora do jogo acabar! Não lembro muito bem o que aconteceu depois, mas o placar se manteve, ninguém fazia gol. Faltando pouco menos de um minuto, erramos no ataque, contra ataque da ECA. Nossa central magicamente trisca o dedo na bola e impede o passe! Engraçado que sempre vejo esse lance em câmera lenta quando lembro. Nossa goleira pega a bola, passa pra mim, olho pro relógio faltavam 30 segundos. Aí foi só segurar o ataque e esperar pra comemorar: A FÍSICA – IAG TAVA NA FINAL DO BIFE DE 2015!

Chorei horrores. Todas choramos. O time masculino (que quase teve um infarto) também chorou. Foi demais! A gente ficou em êxtase! A ECA não acreditava no que tinha acontecido. Nosso objetivo de chegar à final era realidade!

A final foi contra a FAU. Não foi tão emocionante quanto à semi. Nós estávamos nervosas e tomamos muitos contra ataques. Mas, o que foi marcante foi o intervalo dessa partida. Foi quando surgiu slogan do time. Eu tinha passado glitter em todo o meu corpo, especialmente para esse jogo. No intervalo, os técnicos estavam tentando nos motivar, “joguem tranquilas, vocês já estão em uma final histórica”. Daí eu viro e falo: “É gente! Vamos aí! A gente tá na final, vamos jogar! Eu passei glitter em tudo… passei glitter até no c*! Eu não passei o c* na cara à toa!”. Cara! Eu queria dizer que não tinha passado glitter na cara à toa, mas saiu isso aí… Pelo menos as meninas riram e o bom astral do time voltou para quadra. Jogamos melhor o segundo tempo!  No final das contas, o glitter e uma confusão de palavras serviram de motivação para a equipe.

E essa é minha memória especial bifeana! Ganhamos da ECA numa semifinal emocionante, chegamos a uma final inédita, ganhamos uma medalhas e, de quebra, surgiu o slogan do time: não passei o c* na cara à toa!

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