[#memóriasdoBIFE] O dia em que a ECA brilhou na Fonte Luminosa!

por • 8 de outubro de 2016 • Colunas, Futebol de campo, PerfilComentários (0)316

Por Caio Amaral Santos

 

Mesmo quando jogamos mais de um esporte, quase sempre tem um que é especial. No meu caso, é o futebol. Apesar de ter me aproximado mais da carreira esportiva através do tênis, foi no futebol que eu encontrei o verdadeiro prazer em jogar. Talvez porque com a raquete era algo mais solitário, então, quando ganhava, a alegria dentro de quadra era só minha, não compartilhava o êxito com companheiros de equipe. E, dessa forma, o sentimento de disputar uma partida de tênis nunca foi o mesmo de quando eu jogava futebol.

Ao entrar na faculdade – nesse caso, na ECA -, não foi diferente: o sentimento pelo futebol prevaleceu. Joguei muitas partidas pelo tênis e também pelo futsal, neste último alcançando títulos de JUCA (2012) e BIFE (2011, 2012, 2013) e ótimas campanhas em outros campeonatos. Mas nada se comparava a colocar a camiseta auri-roxa do “Futcampo”.

Quando entrei na ECA em 2011, o time era forte. Brigou bem no JUCA e caiu nas semifinais. Além disso, estava nas divisões de elite dos campeonatos que participava, fazia frente aos grandes da USP e foi eliminado nos pênaltis no primeiro jogo do BIFE pelo bom time da FFLCH. Mas depois de um ano o time acabou se desfazendo; caiu de divisão na Copa USP, foi eliminada no primeiro jogo do JUCA e fazia campanha fraca nos outros campeonatos do primeiro semestre. Foi quando o comando do time mudou, Christian Faccio e Plínio Cotta assumiram como técnico e auxiliar, respectivamente, e  voltamos, aos poucos, a ter o brio de antes.

Muitas foram as partidas marcantes pelo time; o primeiro amistoso, a estreia em campeonatos, jogos (e gol!) contra a querida ex-escola EEFE. Jogos nos inters em batalhas inesquecíveis, algumas goleadas memoráveis sofridas também, mas nenhuma partida foi tão especial quanto a final do BIFE 2014 contra a FFLCH.

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Caio Amaral em seu último jogo de Futebol pela ECA – Foto por Ecatlética

Em 2012, mesmo com a chegada da nova comissão, continuávamos em uma fase péssima. No segundo semestre, tínhamos baixo quórum em treinos e partidas, chegando até a tomar mais de 10 gols num jogo em que o nosso time contou com menos de 11 jogadores.  Mas time e comissão técnica se uniram, criando um vínculo especial, uma base mais sólida dentro de campo, e mesmo depois de um 2013 e um primeiro semestre de 2014, que seria meu último ano, alternando bons e maus momentos, o time estava e continuava firme nos treinos e jogos, sempre crescendo. Só que precisávamos de um resultado que nos mostrasse isso.

Caímos em um grupo difícil no Jogos da Liga da USP, mas conseguimos bons resultados e chegamos ao BIFE 2014 invictos no semestre e, assim, mais confiantes. Pegamos a Odonto no primeiro jogo, vitória suada. Depois, um jogo mais tranquilo contra a Geologia e, quando percebemos estávamos na semifinal, prestes a enfrentar o time da Física. Com um gol nos últimos minutos, chegamos na tão desejada final.

E aí vêm os ingredientes que tornaram tão especial esse jogo, não só para mim, como para todo o time. Em primeiro lugar, logicamente, está o fato de que estávamos disputando  uma final. Em segundo, que era contra a FFLCH, nosso algoz da final do BIFE de 2013; além disso, a Comissão Organizadora (CO) conseguiu que a final fosse na Arena da Fonte Luminosa, um estádio que já foi palco de jogos do Brasileirão, Paulista e centro de treinamento para seleções da Copa. Rafael Bichara, um grande atleta do time de futsal e futebol de campo da ECA, havia se despedido na semifinal como capitão e não poderia jogar conosco. E, por fim, Plínio, nosso auxiliar, teria uma final em outro inter também não estaria com a gente. Ou seja, também queríamos ganhar por eles. Tudo isso nos motivou a buscar mais ainda vitória e coroar todo o trabalho que vinha sendo realizado há dois anos.

Porém, para mim, ainda tinha outra razão que fazia dessa final ainda mais especial: seria meu último jogo em um inter universitário pela graduação na ECA, e eu, obviamente, queria muito me despedir com um título.

Desde o momento em que cheguei no estádio, já senti que o jogo seria épico. Caía uma chuva fina e tivemos a oportunidade de atravessar o campo até os vestiários, o que nos deu ainda mais ânimo. Estávamos confiantes também pela presença do Dodô, nosso experiente zagueiro que não tinha jogado o campeonato até então, mas veio especialmente para a final. Na hora que foi anunciada a escalação, ainda mais confiança, tínhamos uma das escalações mais fortes dos últimos anos, principalmente defensivamente.

Logo depois do anúncio da escalação, como de praxe, acontecia a entrega da faixa de capitão. Eram alguns os postulantes e merecedores da faixa nessa final e estávamos com grande expectativa. Os favoritos eram o alguns jogadores experientes do time, como os mestrandos e ex-capitães; Gu, nosso goleiro que sempre deu o sangue pelo time e um dos mais importantes da equipe, além de Finazzi e Naka, que provavelmente também fariam seu último jogo pela ECA. Porém, para minha surpresa, acabei sendo o escolhido. Foi uma das mais intensas emoções que senti na minha vida. Lembro até hoje exatamente das palavras que falei, foram poucas, mas basicamente o que escrevi aqui até então. Fiz questão de ressaltar a todos que apesar de praticar outros esportes, era ali, com eles, que estava o meu verdadeiro gosto de jogar e que queria muito vencer com eles naquele dia.

Começamos o jogo bem, correndo muito, criando chances. Mas sofremos ao longo da partida. Resumidamente, foi um jogo parelho e que seria decidido nos detalhes. Empatou em 0 a 0 o que levou a decisão para os pênaltis. Ninguém do time tinha boas recordações de disputas recentes por pênaltis, afinal não havíamos ganhado nenhuma desde 2011 – 2 delas perdemos da própria FFLCH. Mas, mesmo assim, estávamos confiantes. Eu era um dos que havia perdido algum pênalti nas decisões anteriores, inclusive. Com nosso goleiro em ótima fase e 5 bons batedores, sabíamos que nunca tivemos tantas chances. Ganhei o sorteio e começamos batendo, jogando a pressão para o outro lado. Pênalti após pênalti, nenhum dos nossos jogadores perdeu. Só que eles também estavam com 100 por cento de aproveitamento. Até o último pênalti, o décimo.

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Equipe após o título – Foto por Ecatlética

Foi quando tudo o que passamos foi superado graças a alegria de ver nosso goleiro  Gustavo defender aquela última bola, no canto esquerdo. Lembro que fui o primeiro a chegar  até ele para abraçá-lo. Ele estava ajoelhado e chorava. Logo, chegou mais um tanto de gente pulando, e mais outros que não sabiam para onde corriam, de tanta felicidade. Acabávamos com uma seca: não só nossa, mas também de ciclos anteriores, com a conquista de um caneco importante. Foi um presente para todos, jogadores, técnicos, nossos amigos próximos, que viram o time jogado às traças e se reerguia como campeão. Na hora da entrega das medalhas, sugeri que depois todos nós levantássemos o troféu, já que o título era de todos que lutaram todos aqueles anos. Seria injusto fazê-lo só. E foi assim, levantamos todos juntos aquele histórico e inesquecível BIFE 2014 para o futebol ecano.

Crédito foto de capa: Ecatlética

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