LAAUSP: os bastidores da Liga

por • 25 de outubro de 2016 • Basquetebol, Cartola, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, VôleiComentários (0)326

O que acontece em um ano de gestão da Liga

Por João Francisco Meireles (Johnny) | Ex-presidente da LAAUSP

Para mim, falar sobre a LAAUSP é fácil. Difícil é falar sem emoção. Assim, quando eu decidi escrever um texto sobre como funciona a gestão dessa entidade, pensei em falar como é na prática e como deveria ser de forma mais ampla. Afinal, eu já vivi tudo isso bem de perto.

“Ser da LAAUSP”

Afinal, o que é ser de uma gestão da LAAUSP? A melhor definição é: “enviar uns emails, fazer umas planilhas, assistir uns jogos e beber umas brejas”. Tudo isso acontece em um ano de gestão, várias e várias vezes, e é bem comum aquele sentimento de “não aguento mais”. E aí você volta a se empolgar porque semana que vem tem rodada de novo.

As gestões da LAAUSP normalmente têm a mesma cara. Ex DGEs das Atléticas e que,ao invés de se desligarem da organização do esporte universitário, decidem ficar mais um ano construindo o torneio que jogaram e se juntam em uma chapa distribuindo cargos e pensando nas funções que vão desempenhar. Tem sempre aquela pessoa que vai fazer a tabela dos jogos, a pessoa que vai cobrar a grana das atléticas, a pessoa que vai conversar com a diretoria do cepe, entre outras funções. Por sorte, o Diretório Central dos Estudantes não sabe como funcionam as eleições na Liga.Todas as atléticas votam na chapa única, de uma maneira bagunçada e com pouco respeito ao regimento. Mas quem quer assumir o desafio vai estar lá, ninguém fica de fora.

Os trabalhos

A primeira grande missão da gestão é o BichUSP. Esse é, na minha opinião, o torneio mais importante para o esporte universitário da USP. Se o bixo ou bixete não curtir jogar pela sua faculdade, ele não volta mais. E a LAAUSP tem um papel importantíssimo para que os calouros se tornem de fato atletas. Fazer com que o torneio fique cada vez melhor, com mais modalidades, com mais equipes e sempre pensando em algo novo, dentro do modelo tradicional de mata a mata, é um grande desafio, que todas as gestões têm de enfrentar.


O torneio, assim como todos os outros, não é organizado do dia para a noite. Esses, são fruto de uma longa conversa com todos os chefes de arbitragem, negociação de valores, montagem de tabela, reserva dos espaços e, sim, dá trabalho pra caramba! E no dia é torcer para não chover, mas, se acontecer, já estar com rodinho e pano para secar as quadras.

No BichUSP, quem pega EEFE, POLI, FEA, tá ferrado. Certo? Não! Cada vez mais, times de atléticas menores estão conseguindo grandes vitórias e é sempre muito legal ver finais entre duas atléticas não tradicionais. Eu ficava muito orgulhoso de entregar um troféu para ECA, ICBIO e diversas outras que não eram tão colecionadoras de hipopótamozinhos (o símbolo do BichUSP).

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Equipe de Basquetebol Feminino da ECA-USP no BichUSP de 2016.

O campeonato é aquela bagunça: euforia, dez quadras rolando jogo ao mesmo tempo, handebol, voleibol, tênis, bateria, apito, grito de gol, grito de ponto, largada na pista, largada na piscina, xeque mate, “shiu! silêncio aqui!”, ippon, cesta, acabou o tempo, é campeão! “Vai pra quadra 9”, “jogo no módulo 3”, “próximo adversário quem que é?”, “que horas é o jogo?”, “cadê as bananas?”, “vai lá pegar gelo!”.

E quando você ainda está se divertindo fazendo as contas para ver quem ganhou o troféu geral do torneio dos calouros, começa a correria para os campeonatos semestrais.

Arbitragem, aluguel de quadra pro futsal (agora pra todo mundo), quem subiu, quem caiu, inscrições, sorteio. Você já sabe como fazer uma competição, mas agora qualquer errinho pode gerar um pepino imenso.

Nosso jeitinho de ser

Apesar de todos os problemas, uma grande evolução recente no campeonato foi trazer as atléticas do Interior para jogarem a CopaUSP. Os “caipiras” surpreenderam positivamente na maioria das modalidades e temos que os manter nos torneios a fim de aumentar o nível de todos.

Um outro ponto que eu acho importante destacar: ninguém nasce sabendo. E, sim, em fevereiro, nenhum DGE sabe nada, assim como você não sabia de nada no início da sua gestão. Tem que pegar pela mão, explicar como preencher a tabela de reservas, a tabela de restrições, colocar o email no e-groups. Uma hora todos aprendem como funciona a reunião de tabela, como que manda e-mail, quais os prazos, mas sempre alguém vai cometer um erro. Vai ter um dia que é a Enfermagem, vai ter um dia que é a GEO, mas também já teve o dia da Medicina.

Eu acredito que o maior diferencial dos torneios da LAAUSP é a proximidade entre as atléticas e atletas participantes. Treinamos (quase) todos no mesmo lugar, sofrendo com os mesmos problemas e tomando banho nos mesmos vestiários. A reunião com todas as atléticas semanalmente é algo para coroar tudo isso. É nela em que se encontram os DGEs para trocar os jogos, e algumas delas, sim, acabam sendo intermináveis.

As Seleções da USP são outro fator que me animavam. A idéia de juntar os melhores atletas de cada faculdade e montar a elite universitária para brigar com Unip, Mackenzie e federais de outros estados é algo muito legal e totalmente desafiador para a Liga e para os técnicos. Melhorando a nossa relação com os atletas e técnicos, conseguimos melhorar bastante nossos resultados nas competições que jogamos e isso traz uma boa imagem da nossa universidade.

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Seleção USP de Vôlei Feminino na Copa Unisinos de 2015. Por Luisa Zucchi

Ir para o Rio Grande do Sul, perder a peruada para competir com argentinos e uruguaios, é uma experiência que poucos podem ter. É um orgulho para qualquer atleta ser da Seleção USP e é uma grande responsabilidade da gestão organizar a delegação que irá para a Copa Unisinos.

Por que tudo isso importa?

Se você quer ser gestão da LAAUSP, eu tenho alguns recados para te animar. Se o DCE acabar amanhã o que acontece na sua vida? Sim, nada. E se a LAAUSP acabar? O campeonato acaba, não tem reserva de quadra, vira bagunça, todas as atléticas vão se juntar de novo e criar de novo a LAAUSP. É um fato: o esporte universitário da USP depende da Liga! E, para ser gestão da LAAUSP, é preciso ter em mente que você vai ter que matar um leão por dia.

Teve uma vez, por exemplo, em que estava um sol maravilhoso, eu estava no ar condicionado, era início da semana e já estava tudo certo para a próxima rodada. De repente, apareceu o CREF multando todo mundo e ameaçando acabar com tudo que estava errado no CEPEUSP. E se os técnicos da USP estão sendo caçados, isso também é problema seu! Nenhum dia é tranquilo. Sempre tem algo a ser feito.

Tem dias, por exemplo, que dá tudo errado. Chove, árbitro atrasa, jogo atrasa, representante não chega. Não abaixe a cabeça, semana que vem os problemas vão continuar. Isso é motivador? Não. Motivador é saber que tem alguém do seu lado te ajudando a tentar construir a mesma coisa que você.

As melhores memórias que tenho de todo o trabalho são as relações com outras pessoas. Ficar até tarde da noite esperando o BichUSP de tênis de mesa acabar porque todos os jogos foram para as duplas. Secar a quadra junto com árbitros, atletas e técnicos, porque o jogo só pode ser aquele dia e aquele horário – e isso eu fiz muito mais do que você pode imaginar. Receber um parabéns, “o campeonato foi muito bom”. Construir amizades inesperadas, que aparecem apenas porque temos um pensamento em comum. Levar atletas para os Jogos Universitários Brasileiros. Contar troféus de Unisinos.

Ao final do ano, você vê tudo o que fez e se orgulha. Os 3000 atletas da USP só participaram do torneio porque você o fez. Você garantiu condições para que todos tenham uma vivência universitária que levarão para a vida toda. Falando ou não, eles são gratos a você.

O resto do ano acaba indo no automático, se você se preparar bem. Faz a tabela, faz as mudanças, manda pros árbitros, organiza o final de semana, pede as medalhas, entrega nas finais. Quer ser diferente? Que tal um torneio de rugby? Um de tênis de mesa? E xadrez, judô, jiu jit jitsu? “Temos atletas interessados?” Porque não inovar e fazer um de futebol de campo feminino? Quem quer dá um jeito.

Venha ajudar o esporte universitário crescer. Ajude a construir uma USP melhor. Tem uma idéia boa? Tente realizá-la. Queremos iniciativa, queremos vontade.

Obrigado a gestão atual pelo trabalho que realiza esse ano. Obrigado amigos que foram gestão comigo. Parabéns a todos os que participaram dessa entidade.

Por fim, repito: não tem muito segredo ser da Liga Atlética Acadêmica da USP. Você só precisa mandar uns emails, assistir uns jogos, colocar os resultados nas planilhas e beber uma cerveja com os amigos depois.

Crédito foto de capa: Felipe Guimarães

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