O que pensar para prevenir lesões?

por • 2 de setembro de 2016 • Basquetebol, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, Rugby, Saúde & Alimentação, VôleiComentários (0)862

Os treinos voltaram com tudo e nada pode atrapalhar seus planos de conquistas. Mas será que podemos nos proteger de lesões antes que elas aconteçam?

 

Por Maria Cecília da Silva Martins

Depois das férias, um novo semestre se inicia. Com o tempo os treinos se intensificam rumo aos campeonatos do fim de ano. Para alcançar o desempenho esperado, a receita é conhecida: treinar mais e com foco. A questão que fica então é: o que eu posso fazer para evitar uma lesão nesses últimos suspiros do ano?

Antes de tudo, é necessário entender como as lesões acontecem. Você pode se machucar de duas maneiras: recebendo uma grande sobrecarga em uma única ocasião, que denominamos trauma; ou, recebendo pequenas sobrecargas ao longo de diversos momentos, o que chamamos de lesão por repetição ou overuse.

No primeiro caso, a força única que atinge seu corpo é superior àquela suportada por sua estrutura fisiológica. Resultado: o tecido não resiste. A lesão tecidual, por sua vez, deflagra uma reação inflamatória instantânea para cicatrização, podendo gerar dor, inchaço, vermelhidão, calor local e incapacidade de utilizar este segmento.

No segundo caso, é necessária a soma de várias forças menores até que a resistência do tecido seja superada, levando mais tempo até que os sinais da lesão apareçam. É como se o tecido fosse tolerando aquela pequena carga persistente até não aguentar mais e se romper. Ainda assim, poderemos ter os mesmos indícios de inflamação gerados no trauma.

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Em ambas essas situações, podemos concluir que o fundamental para prevenir uma lesão é poupar nosso corpo dessa sobrecarga intolerável. Devemos então conhecer os fatores que podem causar esse aumento das forças sobre os tecidos a fim de o identificar e evitá-lo a tempo.

O ser humano possui características próprias que os tornam mais ou menos vulneráveis a uma determinada lesão e que podem ou não ser modificadas. Nossa idade, gênero, altura e raça influenciam em nossa performance, mas não poderão ser mudados. Por outro lado,  alterações de força, flexibilidade, estabilidade, equilíbrio, sensibilidade, atividade cognitiva ou repertório motor podem ser trabalhadas.

Para compreender a importância dessas capacidades para realizar atividades físicas, precisamos encarar nosso corpo como um sistema complexo que precisa receber informações constantemente sobre si e o meio ambiente para organizar uma resposta adequada. Logo, nossos receptores sensoriais permitirão a nós entender esse ambiente interno e externo em que estamos inseridos, o cérebro processará essas informações e comandará os movimentos que deverão ser feitos nessa situação. Caso falte sensibilidade, habilidade cognitiva, coordenação ou força muscular nesse processo, a resposta não poderá ser executada da forma esperada e poderemos criar um contexto propício à lesão.

Supõe-se então que aprimorar essas capacidades seja primordial para melhorar o desempenho esportivo. Pessoalmente, acredito que boa parte das pessoas tenha em mente que é preciso trabalhar força, coordenação e  flexibilidade para não se machucar. Contudo o que muitos desconhecem é que só isso não garante o sucesso na execução de um movimento. É necessário ensinar nosso cérebro a escolher a melhor combinação de ativação muscular para controlar nossas articulações durante a ação.

Nosso corpo funciona através de uma combinação imensa de possibilidades. Basta pensar em quantas articulações envolvemos num movimento simples como saltar e cair no mesmo lugar, por exemplo. Ou seja, é preciso ter força, coordenação e flexibilidade para colocar uma articulação na posição desejada, mas também é preciso saber qual o programa motor para acionar os músculos no momento e com a intensidade exata para isso. Por isso o fisioterapeuta trabalhará seu repertório motor como estratégia preventiva.

Ao mesmo tempo, há fatores externos que podem influenciar o nosso desempenho motor, como a organização e progressão dos treinos, o tipo de terreno, o calçado e roupa utilizados, o clima, o horário do treino, o uso de equipamentos de proteção, o aporte nutricional corporal, entre outros. Esses fatores também devem ser levados em conta quando falamos em prevenção de lesão. E, boa parte das vezes, são os aspectos mais fáceis de ser modificados, apesar de os mais negligenciados.

A prevenção de lesões é um assunto extenso e complexo, pois depende de muitos fatores interrelacionados. Porém, não é necessário que se eliminem todos para que haja redução no número, intensidade ou frequência das lesões. Cada um deles que é melhorado, reduz um pouco daquela sobrecarga que atingirá os tecidos ao longo do semestre e você poupará seu corpo do desgaste extra que haveria para sustentar esse excesso.

Ou seja, pare por um momento para pensar quais são suas condições atuais de treino e o quanto você está preparado para esses novos desafios que estão por vir. Se identificar algum elemento que possa estar influenciando negativamente sua performance, peça ajuda. Converse com seu técnico e veja se não vale a pena consultar um  fisioterapeuta ou outro profissional da saúde que possa responder às suas dúvidas. Não deixe que algo previsível acabe com a alegria de se conquistar um objetivo. Antecipe. Previna.

 

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