Handebol: a bola da vez

por • 7 de setembro de 2016 • Cartola, Colunas, Editoriais, HandebolComentários (0)300

Por Clara Turazzi

 

O handebol é uma modalidade que está ganhando visibilidade nos últimos anos dentro do Brasil. As seleções de alto nível se destacaram nos campeonatos Panamericanos; em 2013 a seleção feminina ganhou o Campeonato Mundial; e em 2016, segundo estatísticas do jornal “O Globo”, foi o segundo esporte mais assistido nas Olimpíadas – contando com uma campanha histórica da seleção masculina, que derrotou a atual campeã europeia Alemanha. No entanto, o sucesso em grandes campeonatos se revela insuficiente para o investimento na pratica da modalidade no Brasil. Segundo Mauricio Antonucci, técnico de handebol do Clube Pinheiros, mesmo com o sucesso do handebol, “Não observamos nenhuma evolução nos campeonatos nacionais e a visibilidade através das mídias ainda é baixa. Não conseguimos os recursos financeiros necessários para o “Bum” do handebol! .”

A modalidade apresenta uma história muito recente no Brasil e mesmo no cenário mundial. Sua prática começou na década de 20 na Europa e foi introduzida em São Paulo apenas em 1950, disseminada para o resto do país a partir 1960. Os times brasileiros começaram a participar dos Jogos Olímpicos em 1992, o masculino, e o feminino apenas em 2000. No geral, a escola é onde começa o contato com a modalidade – apesar de, segundo Mauricio Antonucci, as condições não serem ideais –  mas o principal desenvolvimento dos atletas se dá nos clubes. Alexandre Veras, técnico da Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo, considera que a principal dificuldade é manter a prática após a idade escolar: “Temos pouquíssimos lugares que oferecem condições ótimas. Alguns clubes e algumas prefeituras. Uns com dinheiro e sem estrutura e outros com boa estrutura e pouco ou nenhum dinheiro”, e ao mesmo tempo ressalta que “A base do handebol profissional no mundo são os clubes e não as universidades. Porém, em muitos lugares os atletas conseguem conciliar estudo e esporte, principalmente nas ligas menores”.

A falta de estrutura para a prática no Brasil contribui para a saída do país de muitos dos (potenciais) atletas de alto rendimento. Matheus Perrella, atualmente integrante do time de adulto de handebol de Taubaté, diz que desde pequeno sonhava com a sua ida para uma liga de alto rendimento na Europa. Este sonho o levou à cidade de Aranda de Duero, na Espanha, país que conta com uma das ligas mais fortes, junto da Alemanha, França e Dinamarca. Segundo ele “Os jogadores profissionais saem para buscar uma maior evolução no esporte e maior apoio financeiro. A liga aqui no Brasil vem piorando a cada ano e um atleta precisa jogar em alto rendimento, com jogos equilibrados para assim poder representar bem seu país. É o que aconteceu com o handebol masculino: com a ida de jogadores para Europa, a competitividade e experiência de jogar um jogo equilibrado aumentou e muito. No feminino, isso já vem acontecendo há um bom tempo, tanto que o Brasil é uma potência mundial”. Alvaro Casagrande, integrante da comissão técnica da seleção juvenil de handebol feminino, ressalta que com esse intercâmbio e os resultados expressivos das seleções principais, a prática da modalidade aumentou no país e “prova disso é a falta de locais para abrigar tantos atletas interessados em treinar”.

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Copa UNISINOS 2015 – Por Luisa Zucchi

 

O handebol na universidade

Assim como nas escolas, o handebol é amplamente praticado nas universidades do Brasil. Os campeonatos, entretanto, geralmente têm um nível bem inferior ao dos clubes, como o campeonato Paulista ou a Liga nacional.  Segundo Mauricio Antonucci, o comprometimento com os treinos pode ser parecido, mas “a qualidade dos atletas dos clubes é maior, ou por iniciarem antes o treinamento, ou por terem mais dias de treino para esse desenvolvimento.” .

Atletas como Matheus Perrella já jogaram pelas faculdades. No caso dele, pela UNIP. Mesmo assim, o diálogo entre o alto rendimento e os atletas universitários é baixíssimo, salvo raras exceções. Alvaro Casagrande coloca que “o único momento em que os campeonatos universitários se comparam ao nível de clubes é quando são disputados por Instituições de Ensino Superior, nas quais as equipes podem contar com a seleção dos melhores atletas de todas as Atléticas de sua Universidade, como os torneios universitários estaduais que levam os campeões aos JUB´s (Jogos Universitários Brasileiros). E no nível internacional, podemos citar os Mundiais Universitários e a Universíade (espécie de Olimpíadas Universitárias), nas quais os países contam com seus melhores atletas universitários e que normalmente jogam também em clubes.”

Como já mencionado por Alexandre Veras, os clubes são os protagonistas no handebol mundial. Por aqui, alguns atletas participam de campeonatos universitários para garantir uma bolsa de estudos ou por um desejo de jogar de maneira mais descontraída. Ainda segundo Veras, “quanto mais profissional é o esporte, menos os alunos/atletas jogam pela sua instituição de ensino”. A experiência de Matheus Perrella na Espanha prova exatamente isso: lá, ele não possuía sequer tempo para estudar, uma vez que os treinos ocupavam dois períodos do dia.

 

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