Por trás do ouro

por • 28 de julho de 2016 • Análise de Jogo, Colunas, VôleiComentários (0)568

Por Carolina Ramunno e Natália Inácio | Atlética Lorena USP

 

O time de vôlei feminino da Escola de Engenharia de Lorena (EEL – USP) vem representando de maneira grandiosa a faculdade do interior há muito tempo. Caracterizado por um alto nível técnico e tático, a equipe traz ótimos resultados, fruto do grande esforço das atletas e do treinador por “mergulharem de cabeça” no voleibol. A difícil rotina de se estudar engenharia, e assim ter grande carga diária de atividades acadêmicas, não é problema para essas meninas e, sim, solução. A crescente seriedade em relação aos campeonatos que participa faz com que o time passe por um constante processo de amadurecimento e fortalecimento do grupo.

A trajetória vitoriosa do Volei Feminino da EEL não é de hoje. A modalidade sempre foi uma das mais fortes da Atlética IX de Novembro, sendo um das garantias de ouro para o Mamute. O time, em todas as gerações, sempre teve um grupo forte e determinado a provar sua qualidade para quem a colocasse a prova. No entanto,a participação dos atletas no esporte universitário é um ciclo, e a luta por manter a força de uma modalidade com o passar do tempo é intensa e requer muita entrega de todos envolvidos.

O número anual de alunos novos da EEL é muito baixo comparado ao cenário nacional das universidades. Além disso, a característica desses alunos é extremamente heterogênea, possibilitando que tanto uma ex atleta federada quanto uma recém chegada no esporte tenham interesse em jogar vólei pela faculdade.

“ Me lembro como se fosse hoje, o sentimento de desespero quando passei na faculdade. Nunca pensei que em uma faculdade de Engenharia eu conseguiria continuar fazendo o que eu mais amo que é jogar. Já estava pensando em o que faria.. qual seria minha válvula de escape. Em uma semana de vida universitária me apaixonei pelo MAMUTE, ele me mostrou que o esporte continua motivando, desenvolvendo e mudando a vida de muitas pessoas mesmo na faculdade. Jogo vôlei desde meus 10 anos de idade e essa história continua. Já participei de 3 gerações do vôlei (2013, 2014 e 2015) e garanto que vivo um 2016 cheio de vontade de continuar honrando a história dessa modalidade. Muitas pessoas marcaram minha vida com jeitos, crenças, vidas diferentes me tornando uma Carol melhor a cada dia. Sou muito orgulhosa de fazer parte do retrospecto vitorioso e brilhante do vôlei  e tenho certeza que o futuro será ainda melhor. Vestir essa camisa me arrepia e me dá mais vontade de treinar e jogar pela EEL. Sou grata ao vôlei por tudo que me proporcionou nesses 4 anos de faculdade. Esse ano o CUPA já foi nosso, e o CaipirUSP vai ser também porque nenhuma vontade é maior que a nossa!” Carolina Ramunno

A principal dificuldade do time é conciliar os dois extremos de maneira a tornar o Volei Feminino essencial na vida de cada uma. O engajamento é tanto que um dos treinos semanais é fundamentos para as meninas que ainda estão iniciando o esporte e que, inclusive, têm tido uma grande evolução.

“Quando entrei na faculdade, escolhi o vôlei pois gostava muito desse esporte; apesar disso, tinha pouca experiência na modalidade e estar em quadra com o time parecia algo ainda distante. Contrariando minhas expectativas, pude sentir uma grande evolução no decorrer do semestre, pois, além do auxílio das outras jogadoras e do técnico, contei com o treino de fundamentos, que me ajudou (e ainda ajuda muito) a desenvolver movimentos e técnicas essenciais para o vôlei. Todo esse suporte não só ampliou minha vontade de crescer e ajudar o time mas também tornou real meu desejo de estar em quadra, com meu uniforme e o time todo, defendendo ponto a ponto o orgulho de ser mamute.” Julia Resende.

EEL2

Crédito: Criativa Agência

Ao mesmo tempo, o histórico do time é favorável quanto a novas atletas. Desde 2011, entre as jogadoras estreantes sempre estão ex atletas com grande experiência no esporte. Esse fato, além de facilitar a adaptação ao estilo de jogo já estabelecido pelo time, cria a continuidade do trabalho desenvolvido.

Por trás de toda boa equipe, sempre há um bom técnico. O maior responsável pelo sucesso de gerações da equipe de vôlei feminino da EEL, o técnico-amigo Edson Igarashi é também o maior suporte do grupo. Jogador do vôlei masculino da EEL, ex-aluno de graduação e atual aluno de mestrado é treinador voluntário do time há 6 anos por ter grande conhecimento do esporte, tanto tática quanto tecnicamente, devido a vivência de muitos anos como atleta voleibol.

“Edson não é daqueles técnicos ligados apenas à prática do esporte. É aquele ligado ao emocional do time. Que sabe todos os pontos fortes e fracos. Sem querer nada em troca tem feito já por alguns anos um trabalho incrível que trouxe o voleibol feminino da EEL ao nível que está hoje.” Tassyla Barcelos

“O Edson é, sem dúvidas nenhuma, a causa de todo esse sucesso do vôlei. Ele está a frente da nossa equipe há muito tempo, dando continuidade num trabalho de muita qualidade técnica, consciência tática, força física e amizade. Ele além de mestre é nosso amigo, pai, irmão mais velho. Tenho certeza que todas nós quando estamos em quadra jogamos por ele. Eu comemoro muitos pontos com ele, porque sinto que foi ele quem fez. Eu queria um dia conseguir retribuir tudo isso que ele já fez por nós, mas sei que nada será suficiente. O meu muito obrigada a você, Mestre. Você é o melhor!” Carolina Ramunno

O campeonato foco principal da equipe sempre foi o Caipirusp, mas hoje, o Cupa está se igualando em importância, pela elevada qualidade técnica dos times envolvidos.  O vólei feminino da EEL é o atual campeão desses dois campeonatos, tendo como histórico:


Caipirusp: 2011 – Campeão (EEL 2×1 CAASO); 2012 – Campeão (EEL 2×1 CAASO);  2013– Campeão ( EEL 3X1 FEA); 2014 – Vice Campeão (EEL 1X3 CAASO); 2015 – Campeão (EEL 3X2 CAASO); 2016 – o time vem trabalhando intensamente para que entre na lista de Campeão.
CUPA: 2015 – Campeão (EEL 3X2 CAASO); 2016 – Campeão (EEL 3X0 EFEE).


“O vôlei sabe se reinventar, por isso ele é pentacampeao! Porque esse time nasceu e cresceu como uma família, e é assim que ele entra em quadra! Entra como uma família que busca a vitória, mas que sabe lidar com a derrota. Entra pra dar risada, pra se divertir, pra colecionar mais que medalhas. Entra pra colecionar momentos os quais serão sempre lembrados com uma saudade boa no coração. Mas entra acima de tudo, focado, objetivo, pois sabe que é capaz. Eu vi esse time nascer, crescer e se tornar incrível, e ele é um dos meus maiores orgulhos da faculdade!” Bárbara Rezende, ex atleta de voleibol da EEL USP.

 


Serviço: os treinos são realizados quatro vezes por semana, sendo dois deles na faculdade das 17:40 às 19:00 (segunda e terça) e os outros dois no Clube Social Urbano (CSU) das 12:00 às 13:30 (quarta e sexta). O foco dos treinos é variado oscilando entre físico, técnico e emocional, objetivando a supremacia das atletas.

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