InterUSP além das quadras.

por • 25 de maio de 2016 • Colunas, UncategorizedComentários (0)483

Por Clara Turazzi

O feriado de Corpus Christie para algumas pessoas está longe de representar qualquer tipo de descanso. Depois de quase um semestre intenso de treinos, oito faculdades da USP (ESALQ, Farma, FEA, Med Pinheiros, Med Ribeirão, Odonto, Poli e Sanfran) se reúnem para o consagrado InterUSP. Porém, o campeonato não conta exclusivamente com atletas: além deles, são muitas as pessoas que vão apenas para torcer, apoiar os jogadores e, em alguns casos, mostrar outros trabalhos realizados antes da viagem, como o da Bateria e das torcidas organizadas.

Durante os jogos em São Paulo, de campeonatos como a Copa USP ou NDU, são raras as vezes em que há grandes torcidas nas partidas. Em alguns jogos pontuais, existe esse tipo de apoio, mas nos inters é que o orgulho pela faculdade vem à tona. “É o que torna os inters tão especiais para os atletas. Entrar em quadra ou campo com a arquibancada cheia é uma experiência inesquecível e infelizmente não é costumeira nos campeonatos semestrais, muito atletas sentem em quadra o clima criado pela torcida e as vezes isso decide um jogo equilibrado.”, explica Johnny Francisco da Silva, ou “Agente E” como é conhecido na torcida da Farmácia.

Responsáveis por essa sensação, membros das Baterias e torcidas se encontram periodicamente para ensaios e enfrentam dificuldades como qualquer outra modalidade universitária. Segundo Guilherme Oliveira, da ESALQ, “a maior dificuldade que encontramos é trazer as pessoas para participar da TOBALQ (Torcida Baixaria Luiz de Queiroz) já que isso ocupa dedicação e tempo das mesmas. Outra grande dificuldade também é com relação a conseguir fundos para comprar os materiais necessários já que são materiais caros e não possuímos nenhuma fonte de renda fixa.” Somado a isso, os membros da bateria não vão para o campeonato apenas para se divertir como os outros torcedores, pois se encarregam de participar da maioria, se não todos, os jogos. Essa sobrecarga de jogos torna o inter dessas torcidas muito mais intenso. “Em alguns dias mal temos tempo para comer”, conta Dominique, integrante da bateria da Medicina.

O poder da bateria se torna mais evidente dentro dos ginásios, onde, na maioria das vezes, se concentra o maior número de pessoas para assistir aos esportes ditos como mais populares (vôlei, futsal, basquete e handebol). No caso do InterUSP, o alarde sai das quadras tanto em modalidades individuais, como o tênis de mesa, quanto naquelas que acontecem em grandes espaços abertos, como futebol, rugby e até mesmo softbal. A popularidade de cada modalidade não pode ser considerada a mesma para torcedores e faculdades. Existem preferências e grandes potenciais em meio aos times, mas a torcida organizada, para algumas pessoas, vai além do esporte. Rafael “Mulata” Meier, da torcida organizada da Poli, explica: “De uma forma indireta eu acho que a torcida organizada favorece a união de toda uma comunidade estudantil, no caso através de um sentimento principal: o orgulho de fazer parte da sua faculdade”.

O lado da quadra

Para os atletas, a torcida nem sempre é boa, revelou Caio da Farmácia, “Tem alguns que acham que é um bom incentivo, outros se desconcentram e tem outros ainda que são indiferentes. Acho a torcida legal como uma forma de reconhecimento do trabalho dos atletas que fazem uma série de sacrifícios para representar a faculdade dentro de quadra.” Mas, independente do gosto individual de cada um, a torcida também pode ser entendida como uma forma de exaltação do próprio esporte e não só das faculdades e seus indivíduos, sendo uma forma de atrair pessoas e divulgar o esporte.

Os inters são os grandes eventos esportivos do ano para as faculdades e muito disso se deve às Baterias que os tornam diferenciados. Algumas pessoas frequentam jogos disputados ou dos amigos em Sāo Paulo, como também acompanham por páginas no Facebook, como é o caso da Pharmáfia, mas a disputa sonora de baterias e o estimulo causado pela torcida são incomparáveis.

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