A USP é um mundo.

por • 4 de maio de 2016 • Colunas, HandebolComentários (0)690

Por Clara Turazzi

 

Quando entrei na USP jogava handebol há quase 10 anos, mas na faculdade isso me trouxe experiências completamente novas. A FAU e a Seleção USP fizeram com que eu compreendesse a sensação do que é ser uma “atleta universitária”, na qual o esporte é uma parte pequena de tudo que um time te proporciona.

Por mais que o meu nervoso nos primeiros jogos e inters fosse bem parecido com o de jogar o campeonato paulista, por exemplo, as relações que estabeleci dentro e fora de quadra são incomparáveis. No clube, a dedicação, o comprometimento e o tempo que passávamos juntas era o suficiente para nos unir. Já na faculdade, como a maneira que cada uma encara o esporte é diferente, esse interesse não é o suficiente para formar uma equipe, tornando a ideia de jogar por diversão necessária e verdadeira.

Sempre achei o esporte um jeito incrível de me relacionar com pessoas de realidades diferentes. Apesar disso também acontecer no time da própria faculdade, na Seleção percebi que a USP é um mundo; e que um curso não caracteriza um único interesse, muito menos uma única profissão ou perfil: não são químicas, médicas, advogadas, engenheiras.

Em dois anos, aumentei meus interesses pessoais e profissionais, me livrei de preconceitos com relação a pessoas e cursos e aprendi muito mais do que handebol. Como, por exemplo, que as meninas da Medicina vão dizer que “tudo bem beber tomando antibiótico”; a FAU e a ECA não são rivais; a rainha do júpiter vem da FEA; tem menina da FFLCH que pōe o pijama por cima da roupa pra disfarçar; e que na vida as pessoas brigam, separam, quebram a cara e depois voltam a ver que a vida sem um outro é tão sem graça. Uma das minhas melhores amigas estava no time da FAU e eu nem tinha percebido; apesar das advogadas serem tão meticulosas com as palavras elas vão deixar alguma coisa escapar; a RI traz de volta pessoas incríveis pra sua vida; existe quem goste de McFish, mas o favorito de todos mesmo é o McChiken; na EACH não tem menina certa e por ai vai.

Piadas à parte, a Seleção não só superou as imagens criadas dentro de quadra, mas também me fez questionar minhas escolhas. Cheguei até a pensar em fazer medicina depois de ver um monte de foto nojenta em uma pizzaria. Meus pais sempre falam “não sei como você gosta tanto disso” e, nas duas vezes que fui pra UNISINOS, me questionei sobre quantas coisas poderia fazer com o dinheiro. Porém, quando paro para pensar, sei que é um lugar que tenho muita vontade de estar. Tudo isso porque um monte de meninas se encontra segunda-feira por um mesmo interesse. Quando estamos na quadra, ou mesmo fora dela enquanto time, essa variedade profissional se torna apenas um bom assunto, sendo assim um momento do dia em que é possível a abstração das questões cotidianas.

Essa oportunidade de conhecer e reencontrar pessoas do campus, do centro, da zona leste e, esse ano, até de Lorena transformou o esporte universitário em algo muito maior que bandeirōes, baterias e festas, e a própria universidade em um lugar onde as profissões dialogam e se complementam.

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