Das dificuldades às conquistas: como a Educação chegou no BIFE

por • 21 de março de 2016 • ColunasComentários (0)688

Por Gestão Asaléa

 

Uma história. Anos de trabalho árduo, idas e vindas, dificuldades imensas e uma missão: fazer a Atlética da Educação se desenvolver e criar forma. Esse era o objetivo principal dos/as integrantes da primeira gestão da Associação Atlética Acadêmica da Faculdade de Educação (AAAFE) -como na época era chamada- que iniciaram o processo de construção da entidade em 2005. Por conta de algumas contrapartidas, a AAAFE não conseguiu atingir seu objetivo. Sendo assim, acabaram por desfazer a gestão. Em 2011 a mesma foi reestruturada e os/as estudantes que se uniram começaram a pensar em formas de estimular a vivência no esporte universitário pelos/as alunos/as da Faculdade de Educação.

Esse estímulo às vivências no âmbito esportivo tem sido a preocupação das gestões desde 2011. Na sua maioria, as pessoas da faculdade já estão em uma segunda graduação, trabalham em período integral e chegam já no horário de aulas, não conseguindo participar das demais vivências que a faculdade proporciona, como os treinos, por exemplo. Além disso, muitas pessoas são advindas de escola pública, espaço este onde o estímulo às vivências nas modalidades esportivas não são fortes. Desta forma, o enfoque sempre foi tentar articular maneiras de abarcar essa pluralidade que compõe a faculdade.

12805693_991076207653096_1731520386076549539_n

Uma série de fotos foram tiradas e lançadas nas mídias sociais para movimentar a campanha #queroapedagonobife (Foto por Gestão Asaléa)

Em 2014, quando fomos convidados/as a participar do BIFE pela primeira vez, ficamos realmente entusiasmados/as, uma vez que este é um inter de grande renome dentro da universidade, além de ter uma Comissão Organizadora (CO) que desenvolve ações na tentativa de erradicar possíveis situações de violência, machismo, homofobia, racismo e tantas outras formas de preconceito que possam vir a existir dentro do campeonato. Pensamos também o quanto um inter como este poderia servir como um elemento propulsor às equipes que vinham se formando. Porém, nos preocupávamos se ainda não estava muito cedo para que aceitássemos o convite, na medida em que nossas modalidades ainda estavam em processo de constituição e que a gestão não contava com um número de diretores/as e colaboradores/as suficientes para os aspectos burocráticos e práticos que estão intrínsecos à participação em um inter. Em 2016, o cenário é diferente. Conseguimos, com a gestão de 2015, alavancar as modalidades coletivas e dar vida às individuais; chamar um maior número de pessoas para a composição da gestão que viria posteriormente; criar vínculo com um maior número de colaboradores/as; além de ampliar nossas parcerias em eventos. As três modalidades coletivas que já participam de campeonatos são o vôlei, futsal, handebol feminino, além de já termos tido participação no atletismo. O tênis, xadrez e as modalidades masculinas que surgiram ainda não se sentiram a vontade para participar de um campeonato, mas os preparativos caminham em direção à LIGA USP. Mariana Souza, presidenta da gestão Asaléa, atual gestão da AAAXVO e goleira dos time de handebol e futsal, nos conta um pouco de como sua trajetória em um time, a participação nos campeonatos e o sentimento de pertencimento à algo, foram importantes para sua motivação e vontade de continuar: “Ainda me lembro do primeiro jogo, era um time muito forte e perdemos de goleada. Tudo aquilo poderia se tornar um motivo pra nunca mais aparecer num treino, mas alguma coisa naquela quadra fez a minha vontade de treinar e crescer pra poder jogar mais e melhorar a cada dia. Hoje eu tenho certeza que “aquela alguma coisa” era o sentimento coletivo de amor pelo hand, da confiança que eu tinha no meu time e que meu time tinha em mim. Apesar dos erros, das dificuldades de treinar e de melhorar como um time, a vontade de estar ali e dar o melhor de mim com aquelas pessoas, é o que fez e o que me faz continuar”.

Quando recebemos a carta convite, levamos em consideração todos os aspectos supracitados para averiguar se deveríamos ou não aceitá-la. Muitos são os fatores envolvidos e sabíamos que não seria fácil. Porém, acreditávamos que mesmo que muitas de nossas modalidades ainda estivessem em processo de constituição, este seria o momento adequado para tentarmos nossa participação no inter. Conseguiríamos, com certeza, alimentar ainda mais a vontade que já estava surgindo em nossos/as atletas de participação no esporte universitário.


Leia também: BIFE: os bastidores de um inter


Respondemos à CO que aceitávamos o convite e fomos convocadas a participar de uma reunião. Levantamos a história de nossa atlética, os objetivos e dificuldades da atual gestão, nosso caráter político e visão ideológica acerca do âmbito esportivo, atuais modalidades que estão treinando e nossas expectativas quanto ao inter. Nos foram feitas perguntas que deixaram mais clara a nossa intenção quanto a participação no BIFE, fazendo com que a CO ficasse ciente de todos os aspectos de nossa estrutura atual. Ao sairmos da reunião, iniciamos uma campanha de fotos no Facebook com nossos/as atletas, familiares, amigos e pessoas interessadas em ir ao inter, com a hashtag #queroapedagonobife. Pensamos que seria um jeito de dar visibilidade à nossa possível participação, já deixando a vontade nos/as alunos/as de ver e vivenciar mais essa concretização de nossa Atlética. Tivemos uma grande adesão nesta campanha e instaurou-se um sentimento ansiedade e esperança em todos/as que já sonharam em ver a Educação em um inter. Nos corredores, este foi um assunto chave e a todo momento nos perguntavam se a confirmação já havia saído. Uma semana depois, a resposta veio, e com ela uma grande emoção: a Educação participaria do BIFE!

Sabemos a estrutura de nossos times e as responsabilidades que surgem com nossa entrada no inter. Porém, para além de todas as dificuldades que sabemos que iremos enfrentar, o mais gratificante foi ver que a Comissão Organizadora nos deu um voto de confiança e uma grande chance de fazer com que nossa Atlética cresça e crie mais visibilidade. Para nós, que estamos constituindo e ajudando a construir esta entidade desde sua criação, é de extrema importância esse espaço que nos está sendo dado. É a chance de vermos essa história tomar novos rumos, com uma nova chegada ao final. Segundo Gabriela Engelmann, diretora de eventos da gestão Asaléa, “o BIFE já está sendo uma grande alegria, cheia de mil responsabilidades, as quais serão desafios enfrentados diariamente pela gestão desde agora até o último momento, de finalização do campeonato. Uma grande aprendizagem para todos/as os/as envolvidos/as, com certeza”.

O que de fato significa a participação da pedago no BIFE? Significa uma gigantesca campanha de incentivo ao esporte, numa faculdade onde a grande maioria dos alunos foram privados desse espaço. É o ponta pé que faltava para muitos times, uma maneira da entidade se unir e se organizar ainda mais para disseminar o esporte e sua importância dentro de uma Faculdade de Educação. A nossa atlética acredita num esporte universitário para todos/as, livre de estereótipos de gênero, raça ou classe social, de qualquer tipo de violência e isso é algo que se constrói dentro e fora de quadra. O BIFE representa muito mais que a conquista de um espaço no esporte universitário, significa um desafio que vai exigir muita dedicação e muito trabalho dessa gestão, um desafio que vai ser encarado de frente e que certamente vai trazer muitas mudanças para a Atlética XV de Outubro. Com isso, nossas expectativas se direcionam no sentido de fazer com que nossas modalidades se fortaleçam ainda mais, que nossos/as atletas sintam correr nas veias a vontade de ganhar e que haja uma grande mobilização para que consigamos construir juntos/as uma participação positiva no BIFE. A Educação está ansiosa com o que está por vir!

 

Créditos foto de capa: Gestão Asaléa

Posts Relacionados

Comentários fechados