Atléticas se posicionam e NDU cede

por • 7 de março de 2016 • Cartola, EspecialComentários (0)690

Por Leonardo Milano

 

No último fim de semana de fevereiro, começou o campeonato organizado pelo NDU, o famoso – no meio universitário – Novo Desporto Universitário. Mas este ano, os dias que antecederam o início da competição ficaram marcados por uma série de desavenças entre as Atléticas filiadas ao torneio e os dirigentes da organização. O principal questionamento: as Atléticas foram obrigadas a se filiar antes da reunião de regulamento. Revoltadas com essa situação, as entidades passaram a reclamar da falta de transparência e do aumento dos custos de participação no torneio.

Foram vários os pontos de discordância levantados pelas Atléticas, principalmente da USP, e muitas questões foram colocadas em pauta. Confira:

 

CUSTOS

Segundo a presidente da Associação Atlética Acadêmica Owald de Andrade (Atlética da FFLCH), Maísa Girardi, o custo para participar dos campeonatos do NDU vem aumentando a cada ano e o mínimo que a organização deveria fazer é ser transparente na prestação de contas as Atléticas filiadas. Além disso, as Atléticas interessadas em participar da competição desse semestre tiveram que assinar um ofício declarando concordar com tudo o que havia sido decidido em uma reunião que nem havia acontecido ainda, para não pagar o dobro da taxa de inscrição.

Gustavo Yugo, DGE da Associação Atlética Acadêmica Politécnica (Atlética da Poli), afirma que até o ano passado, a inscrição de atletas era no valor de R$17,50 por ano. Agora, será de 20 por semestre. Além disso, a taxa para a troca de jogos em locais não oficiais era de 150 por time, agora será de 200 reais. Yugo também reclama do fato de as Atléticas terem sido obrigados a pagar a filiação antes de haver a reunião de regulamento da competição.


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O presidente do NDU, Ricardo Bochicchio, tem uma justificativa simples: a crise econômica. Segundo o dirigente, “o custo operacional subiu muito em nosso País e operações que eram realizadas de uma forma no passado, já não atendem os interesses de parceiros e fornecedores”. Ricardo afirma que, para 2016, “o repasse e cobrança de serviços essenciais, como cessão do espaço para os jogos receberam encargos significativos e dentro da planilha de custo a realizar os valores tiveram que ser adequados para essa nova realidade”.

 

TRANSPARÊNCIA

A esperada reunião de regulamento aconteceu no dia 13 de fevereiro, depois de muitos protestos as Atléticas. Várias reivindicações foram feitas. Uma das principais era a abertura do “livro de contas” do NDU. Os dirigentes acataram o pedido e esclareceram detalhadamente a planilha de custos e gastos da organização.

Questionado acerca do embate ocorrido nas últimas semanas, Ricardo afirma que “a entidade é 100% democrática e que faz questão de que a gestão esportiva da competição passe pelas mãos de seus participantes”. Ricardo continua, dizendo que “para atender as demandas das Atléticas, foi feito aquilo que sempre foi realizado desde 2010: ouvir, dialogar e colocar em votação a proposta para todos os presentes votarem.”

Maísa diz estar feliz após o ocorrido, segundo ela, foi importantíssima a articulação das Atléticas de dentro e fora da USP para “um bem maior, que é a melhoria do campeonato”. Apesar disso, a presidente da Atlética da FFLCH afirma que as Atléticas foram muito criticadas pelos dirigentes da NDU, ao se posicionarem.

Já o vice presidente da Associação Atlética Acadêmica Lupe Cotrim (Atlética da ECA), Guga Sandin, afirma que por meio da LAAUSP, as Atléticas da Usp aproveitaram o momento para questionar o NDU acerca da maneira como os dirigentes recebem as críticas dos filiados e como o diálogo pode se tornar mais proveitoso, além é claro, de pressionar pelo esclarecimento do aumento de custos e por mais transparência

beat ndu

Futsal Feminino da ECA ficou em terceiro colocado geral e garantiu o acesso para a primeira divisão do NDU 2015. Foto por Beatriz Escalhão

NOVIDADES

A pressão das Atléticas somada aos esforços dos dirigentes gerou resultado. Agora, os times poderão pedir restrições para as fases finais do torneio. Assim como está, outra exigência das Atléticas, acatada pela organização do campeonato, foi a possibilidade das equipes poderem escalar um atleta federado mesmo quando outra equipe não possui atletas federados.

Além disso, Ricardo está animado com a inclusão das transmissões, ao vivo, pela TV Esporte, das competições de quadra e campo, em todos os finais de semana. O presidente do NDU afirma que “na história do desporto universitário brasileiro, nunca houve uma estrutura de visibilidade dos jogos semanalmente, com cobertura dos diferentes esportes e Atléticas”. Esperamos que com o tempo as melhorais não parem por aí.

 

 

Créditos foto de capa: Comunicação NDU

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