A dieta combatendo as dores

por • 3 de novembro de 2015 • E muito mais, Saúde & AlimentaçãoComentários (0)599

Conheça e entenda o efeito de alimentos que podem aliviar desconfortos musculares

Por Rafael Bezerra | Jornalismo Júnior

 

Seja antes ou depois de um treino puxado, é comum tirar da mochila alguma fruta para aliviar a fome. E não é pra menos: além do baixo valor calórico, frutas são fontes importantes nutrientes em nossa dieta. Seus preços, acessíveis para grande parte da população, fazem delas ótimas alternativas para complementar a alimentação de atletas.

O que pouca gente sabe, contudo, é que uma alimentação equilibrada pode também diminuir as temidas dores musculares, tão frequentes no mundo esportivo. 

E com os avanços médicos para tratar dores e lesões musculares, investir em uma alimentação assim é uma alternativa? O Dr. Vinicius Fernandes Cruzat, do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), acredita que sim. “Embora os efeitos farmacológicos sejam proeminentes aos nutricionais, estes devem ser prescritos por profissional competente da área médica e não são para todos os momentos ou pessoas. Os alimentos, a dieta balanceada e eventualmente suplementos alimentares são, na sua maioria, soluções bem mais naturais que vem a contribuir, e muito, para a recuperação do atleta”, afirma.

Apesar do temor pelas dore pós treino e demais desconfortos, os fatores que contribuem para a ocorrência destas lesões musculares ainda permanecem nebulosos no imaginário popular. E, quando não são nebulosos, há conceitos equivocados. Como é o caso dos radicais livres, produzidos durante as atividades físicas.


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De uma maneira simplificada, radicais livres podem ser definidos como grupos de átomos que apresentam elétrons desemparelhados. Dessa forma, eles são capazes de emparelhar esses elétrons com moléculas importantes, como o DNA. As doenças associadas a eventuais danos celulares causados por essas interações criaram o mito de que o radical livre é necessariamente prejudicial à saúde humana. Vinicius explica: “primeiramente é preciso que se entenda que os radicais livres, mais cientificamente conhecidos como espécies reativas do oxigênio ou nitrogênio, são fundamentais para a nossa existência e sobrevivência. Assim, eles não são prejudiciais, eles são inerentes ao nosso metabolismo. Na década de 70 até meados de 90 era comum pessoas tentarem banir a produção dos radiais livres no organismo por meio da excessiva ingestão de alimentos e suplementos. Isso não resultou em benefício algum, pelo contrário, aumentou o número de doentes renais e imuno-deprimidos, uma vez que os radicais são utilizados como defesa de nossas células”.

Especialista no assunto, ele confirma que essas substâncias podem adquirir um caráter patológico para o organismo, mas faz questão de explicar as condições para que isso ocorra. “Por outro lado, como tudo na vida em excesso, a exacerbada produção de radicais livres promovida pelo excesso de exercícios físicos pode ter efeitos deletérios e prejudiciais à saúde de todos, atletas e não atletas. Por meio dos alimentos podemos obter diversos compostos que irão diretamente e indiretamente agir sobre o sistema antioxidante de nosso organismo. Este sistema neutraliza as espécies reativas e radicais livres para que estes não reajam com nossas células diretamente. Se isso acontecer, nossas células/organismo podem sofrer com o tal estresse oxidativo, que nada mais é que o desbalanço entre anti e oxidantes, promovendo dor, inflamação e doenças. Os nutrientes contidos nos alimentos servem para promover o equilíbrio da síntese e degradação das espécies reativas e radicais livres.”

antioxidante

Exemplos de alimentos ricos em antioxidantes: vitaminas se tornaram o exemplo mais popular. Fonte: Bianchi & Antunes, 1999.

Explicada a questão dos radicais livres e seu estresse oxidativo, é importante conhecer alguns alimentos capazes de prevenir as dores musculares, não é? Apesar da fama das bananas, existem muitas alternativas interessantes para a saúde humana, e Vinicius faz questão de não dar créditos apenas às vitaminas: “As pessoas acham que quando falamos em antioxidantes estamos falando somente de vitaminas e minerais. Porém, embora estes façam parte e exerçam papel fundamental, os carboidratos, lipídeos e, principalmente, aminoácidos também participam ativamente do sistema antioxidante, dando suporte ao equilíbrio e homeostasia corporal. Potássio é sim fundamental, contudo não é o mineral que mais precisamos repor em situações que envolvem exercícios físicos. Alimentos ricos em cálcio (rico nos laticínios), ferro (legumes verde escuro e carnes, principalmente vermelha), vitaminas do complexo B (grãos) e ácidos graxos essenciais (ômega 3 do peixe) são muito importantes para a recuperação. Além destes, os aminoácidos exercem papel essencial na recuperação muscular e inflamação, desta forma a ingestão de fontes proteicas faz a diferença na dieta de um atleta, permitindo que os processos anabólicos, o que inclui a restauração da defesa antioxidante, possam ser otimizados.”

 

 

 

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