Pequenas Atléticas, Grandes Inters

por • 2 de outubro de 2015 • Basquetebol, Colunas, Futebol de campo, Futsal, Handebol, Individuais, VôleiComentários (0)736

Por Yumi Uyeta

 

Não lembro exatamente quando o esporte entrou na minha vida, mas desde pequena meus pais me incentivaram a praticar algum esporte. Acontece que eu nunca soube dizer qual que eu mais gostava, então, praticava todos que conseguia encaixar na agenda. Desde tênis, ginástica rítmica e natação até handebol, vôlei e futsal, passando, inclusive, por várias artes marciais.

Quando entrei para a faculdade, não queria deixar de lado o esporte, então logo de cara entrei para a Atlética do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp – Associação Atlética Acadêmica Francisco Gonçalves – ou simplesmente AAAFrango.

Com seu pouco tempo de existência e graças ao pequeno número de alunos que ingressam anualmente, o resultado é o que muitos chamam de “Atlética Pequena”. Para se ter uma ideia, esse ano, 2015, o curso de Arquitetura da Unicamp completou meros dezesseis anos, enquanto a AAAFrango chegou aos seus novinhos dez anos de existência. Além disso, vale lembrar que são 33 bixos que entram anualmente para o curso e, logo, podem dividir suas atenções entre as várias atividades que o mundo universitário pode te oferecer: Centro Acadêmico, Empresa Júnior e outras fora a atlética (para se ter noção, a atual gestão conta com o apoio de quatro bixos).

Sim, somos “pequenos”! Não possuímos muitas conquistas em campeonatos, são poucos os nossos atletas (dos times masculino, principalmente) e não fazemos tantas festas imensas. Entretanto, não é por ser “pequena” que uma atlética deve receber menos atenção ou ser digna de pena. Com certeza não. Mesmo diante das dificuldades óbvias, conseguimos dar o nosso “jeitinho”. Seja juntando com times de outras faculdades para ter quórum em treinos ou mesmo fechando parcerias com outras entidades para conseguir fazer uma boa festa. Afinal, ser “pequeno” nunca foi e nem é desculpa para não participar de competições, muito menos para dar festa.

É claro que não somos os favoritos nos campeonatos. Nossos times, apesar dos esforços, muitas vezes são improvisados: o time de futsal pode ser o mesmo de handebol que é o mesmo do vôlei e por aí vai. Mas, ainda assim, conseguimos alguns “destaques” pelas competições que passamos. Seja no InterFAU ou nos campeonatos internos da Unicamp. Não possuímos times completos para todas as modalidades femininas e masculinas, mas o que importa é que sempre nos esforçamos para que todos possam jogar aquilo que desejam. E, assim, com o tempo, estamos crescendo.

Para os atletas, um campeonato pode ser bem cansativo ao jogar todas as modalidades (eu, no InterFAU, joguei tênis de campo, tênis de mesa, futsal, handebol, vôlei e xadrez, por exemplo). Para quem não só é atleta, mas também é membro da atlética, o inter é ainda mais intenso. Pois, além dos jogos, trabalhamos nas festas, organizamos os esquentas e precisamos estar de prontidão para resolver qualquer problema que venha a aparecer. Se é cansativo? Sim, extremamente. Mas, nem por isso, deixa de ser uma ótima experiência.

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Crédito: Arquivo pessoal

Se eu for decidir qual a maior vantagem de ser de uma “atlética pequena”, vou dizer: delegação pequena. Na Unicamp, levamos entre 30 a 50 pessoas para o InterFAU e, como é de se esperar, por isso ficamos tão próximos e unidos.

Em todos os inters em que já fui, sempre escuto alunos de outras faculdades dizendo para nós: “vocês são muito amor”, “vocês são muito unidos”, “vocês da Unicamp são sensacionais”. Acho que isso é explicado por sermos “pequenos”. Afinal, por sermos poucos, acabamos formando uma verdadeira família naqueles dias de inter, quando todo mundo aproveita junto e todos conhecem todos. Sejam veteranos, calouros ou veteranos dos veteranos.

São experiências como essas que fazem todo o cansaço e estresse valer a pena. Esse ambiente que, apesar das rivalidades em quadra, fora dela é o mais amigável possível. Para nós, “atléticas pequenas”, o Inter é isso: reforçar laços, fazer novos amigos, sentir dores musculares com os colegas de time e, claro, se divertir nas festas. Afinal, tanto trabalho para um inter de nove dias, devemos aproveitá-lo até a última gota.

 

 


Yumi Uyeta está no Terceiro ano do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP.
Além de praticar diversas modalidades ainda tira tempo para ser DJ no InterFAU.


 

 

 

Foto de Capa: Paula Braga

 

 

 

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