Esporte de contato não é esporte violento

por • 19 de outubro de 2015 • Rugby, Saúde & AlimentaçãoComentários (0)1129

Por José Paulo Mendes | Jornalismo Júnior

 

O grande número de espectadores brasileiros da última Copa do Mundo de Rugby, realizada em setembro e outubro deste ano na Inglaterra, foi uma demonstração de como cada vez mais gente tem interesse pelo esporte no Brasil, tanto para o assistir como para o praticar. Entusiastas do Rugby praticam o esporte cada vez mais, sobretudo no meio universitário. Contudo, os novos adeptos não têm a experiência necessária e muitas vezes acabam sofrendo com lesões devido à exigência e ao intenso contato físico da modalidade.

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Scrum, uma das jogadas de rugby em que é mais importante conhecer a técnica para não se machucar. (Foto por Luisa Zucchi)

“A cultura do Rugby está principalmente em países colonizados pela Inglaterra, como Nova Zelândia e Austrália. Você vai para lá e desde cedo vê a criança jogando. Aqui no Brasil, começamos a praticar geralmente na universidade e o esporte demanda que você esteja preparado, ainda mais porque já são adultos jogando. Existe o contato e muita força física e, às vezes, pode ocorrer a lesão justamente devido à falta de preparo”, afirma Jefferson Viana, jogador dos Demônios de Maxwell e treinador dos Leões Rugby Clube, dois dos muitos times de rugby da USP.

Preparar-se para o contato físico desde criança, ser incentivado a jogar o esporte desde a infância: essa é a cultura do rugby. Assim como é difícil aprender futebol, tênis, vôlei ou qualquer outra modalidade tardiamente, o mesmo acontece com o rugby. Viana também relata que há no país uma falsa impressão de que o esporte é violento e gera muitas lesões. Na realidade, a cultura do rugby ensina que se deve ter vontade de vencer, mas que, acima de tudo, o jogador do outro time não é um inimigo e sim um companheiro de prática esportiva.

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Lance intenso, porém nenhuma atleta saiu lesionada – Jogos da Liga de Rugby 2015. (Foto por Luisa Zucchi)

“O rugby preza muito que se faça o básico e, se você faz o básico, você não se machuca. As lesões acontecem também quando se está muito à vontade com o esporte e se tentam coisas novas – foi assim que eu machuquei meu joelho esquerdo. Só que essas lesões não acontecem por contato: geralmente se machuca sozinho ou por culpa própria. As lesões por contato só acontecem quando há o uso de uma técnica incorreta, quase sempre por desatenção ou cansaço”, lembra o jogador. Ele está afastado há mais de um ano por conta de um rompimento parcial do ligamento cruzado anterior.

Entretanto, Viana recorda também que ocorrem lesões em todos os esportes competitivos, principalmente no nível universitário, devido ao excesso de vontade dos atletas. Segundo ele, se os atletas forem bem treinados, jogarem sempre atentos às posições e às técnicas corretas, sem dúvidas eles se lesionarão menos ‒ geralmente contusões musculares, as quais são as mais comuns ‒ ou então nem se machucarão.  

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Jogador da África do Sul saltando para marcar um try na Copa do Mundo de 2007. (Crédito: RugbyWorldCup – Divulgação)

O jogador também comenta a condição ruins dos campos no Brasil para a prática do esporte e tece uma crítica ao CEPE-USP, o qual, apesar de ter bons campos para a modalidade, apenas disponibiliza aqueles em pior estado para a prática do rugby. Além disso, lembra que muitos times da USP treinam em praças – como a Praça do Relógio – e as irregularidades nesses gramados também podem causar lesões graves.

 

 

 

 

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